Archive for the 'Uncategorized' Category

The wasp land

Cruel é o mais abril dos meses.

(sob licença de T. S Eliot)

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Anti-semita como piada de português

“A paixão do Cristo”, segundo mais correta tradução apontada por um amigo, é um belíssimo filme. Fotografia inteligente, maquiagem correta e direção impecável. Mel Gibson fez o mais verdadeiro filme sobre as últimas horas do Cristo na terra. Vi quase todos os chamados filmes bíblicos, a maioria bobinhos de dar dó, sentimental ao extremo. Na obra de Gibson não, o sofrimento é tão intenso que nos faz sentir culpados de todos os pecados do mundo, o que o diretor queria, nós não. As cenas de violência estão ali, cruas, para reforçar a culpabilidade dos homens. Mas impingir a culpa na humanidade pela morte de Cristo é tão insensato quanto colocar todo o povo judeu no mesmo saco daqueles que pediram a crucificação. Bilu, bilu.

Aquele grupo de judeus sacerdotes, homens e mulheres queriam punir o Nazareno, sob orientação de um dos líderes religiosos. Não foi todo o povo judeu nem todos os sacerdotes. Aí entra um componente político de preservação do status quo ameaçado pela pregação de Cristo. Nesse aspecto, o filme é tão anti-semita quanto piadas de português.

Antes de ver o filme, na terça-feira, li dezenas de artigos, reportagens, críticas e resenhas sobre o filme, de autores católicos (de linhagens diferentes) a agnósticos, ateus e não-resolvidos. Os católicos inteligentes, de maneira geral, concordaram quanto à veracidade do filme. Dos textos na net, gostei especialmente de “A guerra contra Mel Gibson”, de Gary North, e “Capturing the culture” , de Richard Grenier, muito bons, ambos indicados pelo sempre atento De Polli).

A escolha do aramaico e do latim foi fundamental para criar essa áurea de filme definitivo. Li alguém, se não me engano a Miss Veen, dizendo-se cansada em ouvir Jesus falando inglês, no que concordo. O aramaico, ao contrário do português, tem sonoridade “fraturada”, como música dodecafônica. E transmite um sofrimento dos diabos (ops!).

Pela primeira vez me interesso pela leitura dos Evangelhos. E amigos católicos, na esperança de salvar uma alma libertária, me aconselham leituras mil. Lerei, claro, até para contra-argumentar quando vierem me dar petelecos.

Confesso ter saído do cinema com dores pelo corpo e quase me sentindo culpado por tudo aquilo. Minha sorte foi ver, no dia seguinte, num desses canais por assinatura, o making off da “Paixão”. Voltar à realidade, redescobrir que a mão que recebe o cravo com violência era uma prótese; que os cortes no corpo de JC eram trabalho de duas horas da turma da maquiagem. Foi uma catarse. Só faltou o uísque.

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Viva la diference

Lá pela 27ª long neck o vizinho coloca o acústico do Zeca Pagodinho. Aí, sabe como é, cerveja coisa e tal e o pé insiste em acompanhar a marcação do bumbo. Nananinanão. Voei para o armário, saquei um malte. Antes mesmo do gole assentar, já estava eu, lépido e fagueiro, imponentemente, cantarolando La Bohème e disputando com meu vizinho no volume de decibéis.

É a diferença básica entre as bebidas.

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Campbell’s Soup

O apelido de Andy Warhol era Warhola. Warhola, ouviram bem? Diante disso, nada tenho mais a dizer.

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Serigrafia, ou a gangue da Pop Art (II)

Os críticos de arte na década de 1970 centraram fogo nos artistas Pop acusando-os de terem se rendido ao modo de produção capitalista. Escreviam que os Pop Artists colocavam o mercado no pedestal e reduziam a arte a simples mercadoria. Como se vê hoje, opiniões corretas, embora permeadas de marxismo e, portanto, compreensíveis para a época. Tomando por base o ensaio “A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica”, escrito por Walter Benjamin em 1936, encontramos dois caminhos de análise para a Pop: a reprodução de uma obra em várias, permitindo o acesso de mais pessoas; a reprodução em série de elementos numa mesma obra ou em várias delas, como foi feito pelos artistas Pop. Aqui, temos o tratamento da arte como a produção de torneiras. E quem produz torneiras ou seringas visa a venda e o lucro. Não vejo outra identificação mais próxima do que foi a Pop Art.

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Serigrafia, ou a gangue da Pop Art

Warhol, Lichenstein, Jasper Johns, Haring, Basquiat e o resto da gangue exploraram como puderam o “realismo” da Pop Art, a proximidade aos objetos, imagens e reproduções da vida. Para Huyssen, essa atitude “estimulava um novo debate sobre a relação entre arte e vida, imagem e realidade”. Não há dúvidas, mas ao mesmo tempo expunha as vísceras e a fragilidade do que faziam. Claro que a discussão se a Pop Art seria ou não arte não acrescenta mais nada ao debate, pois tornou-se referência para artistas contemporâneos,como se vê na bienal de 2004 do Whitney Museum em Nova Iorque (fundamental para os artistas que querem ser vistos e para o público e crítica conhecer o que está sendo produzido nas artes visuais), cuja inspiração dominante parece ser justamente os anos 60 e 70. O que se deve analisar é o tipo e a extensão da influência dos artistas integrados à Pop Art nas artes e na sociedade.

Se desde o início os pintores Pop desejavam eliminar a histórica separação entre o estético e o não-estético, juntando e reconciliando a arte e a realidade, parece que conseguiram, em parte. Porque a influência na sociedade foi muito maior do que propriamente nos paradigmas da arte. Abalou sim, a relação do público com a arte, a relação do público com os museus, a relação dos novos artistas com a arte. Mas não a arte como substância, como feitura e resistência. Os nomes que ficarão pela qualidade do que fizeram serão, por exemplo, os de Rembrandt, Kandinsky, Monet, Matisse, Miró, Pollock, Portinari, Di Cavalcanti. Andy Warhol e o resto da gangue da Pop Art se manterão nos livros de história mais pelos “abalos sísmicos” que causaram do que pela arte que produziram.

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Casas Bahia

Sabem, para dizer a verdade, eu odeio dever favores.

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God save the Majesty

Hoje a boca está especialmente idônea para o malte (apud Manoel de Barros).

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"(…)o mesmo banco, a mesma praça(…)"

Na década de 1970, o cinema que se dizia de esquerda, ou diretores idem, alimentava-se das verbas do Instituto Nacional do Cinema e, depois, da Embrafilme. Eu sempre me pergunto porque a esquerda gosta tanto de mamar no Estado. E passo a entender o porquê daquela propaganda do PCdoB usar crianças cantando música de pré-escola. Deveriam ter colocados bebês num berçário ou mostrar bezerros mugindo, mas acho que seria uma maldade com os bezerros (tá, a sacada está velha, eu sei).

Em Cachoeiro existe um notório comunista dono de vários imóveis. Vive confortavelmente com a renda dos aluguéis. Comunista assim, até o FDR.

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Os direitistas são a raça mais vil. Estão o tempo todo camuflados. Quando descobertos, se valem de um cinismo sem parâmetros: “eu, de direita, imagina? Sou pela democracia”. Entenderam a retórica da fuga? Uma coisa não invalida a outra, mas o estratagema funciona porque o sujeito não nega quem é e não entra na fria de se revelar. Também adoram mamar no Estado, com a diferença que têm a certeza de que o Estado pertence a eles. O cruel é não tratarem o Estado como uma empresa, que precisa de lucros para sustentar-lhes os privilégios. Chupam a manga até o caroço, depois elegem alguém de um partido coligado e continuam ali de avental, na copa e na cozinha para à noite irem ver televisão na sala.

Ô raça escamosa.

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No Orkut, gastei mais tempo para definir minha opção política do que lendo a dos outros. Havia muita verdade nos outros. Eu quase, quase, pus libertarian, mas na hora eu estava muito very authoritarian . Meu daemonion tem a cara do Pluto e age como se fosse o Costinha.

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Minha barba tem mais pêlos

Como prestar atenção em palavras de tolerância ao olhar no canto da sala a foto do irmão; da esposa; do filho; dos pais; do avô; do amigo; morto num ataque suicida, numa troca de tiros ou num atentado a bombas? Como engolir os cadáveres de todos os próximos que se foram pela disputa de mesquitas, igrejas, muros, chão batido? Não esperemos que sociedades cujas almas estão banhadas pelo sangue fresco dos parentes assassinados acordem um belo dia, abram a janela e chamem para tomar chá os soldados que lhe arrancaram um naco da existência.

Convivência pacífica entre palestinos e israelenses só em Cachoeiro de Itapemirim (é verdade, nas décadas de 1950-60 era possível ver filhos desses imigrantes jogando bola ou pescando juntos no rio Itapemirim). É cruel, mas é o óbvio.

Acreditar nos discursos e argumentos de que a paz no Oriente Médio é possível, diante da extensa folha corrida, soa como agressão ao bom senso. Me faz rir sem achar a mínima graça. E não ter qualquer dúvida da capacidade humana de nunca chegar a um entendimento razoável.

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