Archive for the 'Literatura' Category
Paulo Francis aqui, amanhã, neste blogue!
Amanhã publico aqui o texto que estou escrevendo agora sobre o romance Carne Viva do Paulo Francis. Voltem aqui amanhã, ok?
No commentsEscrever não é fácil e nada prazeroso
Tentei escrever o prometido post sobre o romance Carne Viva do Paulo Francis. Não saiu nada que prestasse. Em respeito a vocês e ao Francis apaguei o que havia escrito. Não achei o tom, as palavras exatas, o feeling do que senti com a leitura e o que achei do livro. Espero que amanhã o cérebro contribua para disfarçar minha falta de talento e aplaque o desprazer que sinto ao escrever (qualquer coisa). Sim, meus caros, escrever para mim não é fácil e nada prazeroso. Portem-se bem nesta noite de sexta-feira.
No commentsAdiamento
“E o texto sobre o romance do Francis, Garschagen?” Pois é, enrolei e nada. Agora, só amanhã. Mas, enquanto isso, leiam o texto aí de cima e o outro aí de baixo.
No commentsTexto sobre romance do Francis só amanhã
Mais uma desculpa, que é menos esfarrapada do que honesta. Dia resolvendo problemas e com alguns compromissos, algo que certamente vocês já devem estar de sacola cheia de ler aqui.
E eu que me meti de escrever diariamente, quando não consigo, lá vou com minhas lamúrias. Mas a justificativa é uma forma de respeito, espero que entendam assim. Amanhã vem o texto sobre o romance Carne Viva, de Paulo Francis. Depois quero comentar os textos que foram escritos sobre o livro que reproduzi no post aí debaixo. Acho que vou comprar algumas brigas, mas, enfim, a maldição move, a bênção relaxa, já dizia Blake, cujo nome eu sempre esqueço de omitir e assim fazer parecer que a frase é minha. Damnit!
No commentsE o novo romance do Paulo Francis?

Acabo de ler o romance Carne Viva do Paulo Francis, presente do meu grande amigo FDR. Gostei, gostei mesmo. Mas nada vou escrever hoje. Estou um bagaço.
Mas para não deixar vocês sem terem o que ler fiz uma seleção do que foi escrito sobre o livro para fazer alguns comentários. Divirtam-se:

PAULO FRANCIS, O “LOBO HIDRÓFOBO”, RESSURGE EM “CARNE VIVA”
O nome de Francis voltou às páginas neste ano da graça de 2008 com o lançamento de um romance inédito que ele deixou, “Carne Viva”. É um presente para os fãs do auto-declarado “lobo hidrófobo” ( Uma vez, perguntei a ele como é que ele – que, quando criança, alegadamente exibia um ar de cão hidrófobo – se definiria na maturidade. Francis respondeu: “Que tal lobo hidrófobo” ? ) Publicado pelo selo Francis da Editora Landscape, este bem-vindo sinal de vida de Paulo Francis acaba de chegar às boas casas do ramo. Resenhistas já notaram que, quando personagens do romance abrem a boca para falar do estado geral das coisas, parece que é o próprio Francis quem fala. A “confusão” poderia parecer um defeito do romance. Mas eu diria que é uma virtude. Ainda bem que é possível ler de novo o que parece ser a voz de Francis. Há trechos do livro que – felizmente – parecem tirados da coluna fantástica que Francis publicou durante anos e anos na imprensa.
Carne Viva e Paulo Francis
Michel Laub
Não lembro quem disse que para escrever um romance é preciso ser um pouco burro. É uma boa frase, para além de seus efeitos publicitários: construir personagens e dramas que tenham o mínimo de vida demanda, antes de mais nada, não ter vergonha de deixá-los entregues ao ridículo que, em maior ou menor grau, está presente em qualquer trajetória humana. Se o autor fica o tempo todo mostrando que não faz parte desse ridículo, ou seja, que não é capaz de rir, chorar ou se maravilhar com os encantos mesquinhos e corruptos da vida, a tendência é que o leitor, também ele uma alma corrupta e mesquinha, não se identifique com nada do que encontra nessas histórias.
Isso é verdade na maioria dos casos, mas não em todos. Não dá para dissociar o romance satírico, por exemplo, do bem-vindo sentimento de superioridade de quem o escreve. Ou o romance de idéias, que abdica da narrativa e da empatia em favor de teses postas na boca dos personagens, de um tipo de prazer estético muito mais ligado à inteligência do que às emoções.
Tudo isso para dizer que o fracasso do só agora publicado Carne Viva (Francis, 2008, 264 págs.), de Paulo Francis, não se deve apenas à sensação de artificialidade da trama, que parece engendrada tão-somente para veicular as opiniões de seu autor sobre o Brasil, o mundo, o homem, os tempos. Embora seja um defeito bastante incômodo, que faz com que alguns diálogos soem constrangedores em seu esquematismo e inadequação, o problema maior são as idéias mesmo.
RODAPÉ
Daniel Piza
Li durante o vôo, com grande expectativa e saudade, o romance póstumo de Paulo Francis, Carne Viva. Ele morreu sem rever o texto, que era sua última tentativa de fazer sucesso como ficcionista, inspirada em autores como Rubem Fonseca, e sua viúva Sonia Nolasco decidiu publicá-lo agora, 11 anos depois de sua morte. Francis tentou abandonar o estilo de seus romances dos anos 70, Cabeça de Papel e Cabeça de Negro (que dizia influenciados por Joyce, mas que mais lembravam tentativas de um fã de Aldous Huxley e D.H. Lawrence), e escrever com mais brevidade e simplicidade. Infelizmente, não conseguiu.
Não há página que não tenha uma observação e uma citação que não sejam a cara do autor. Como aquele músico de Machado de Assis, Francis se sentava para escrever uma coisa diferente e… só saía o de sempre. O distanciamento, os silêncios do grande ficcionista não existem nessa história de um banqueiro, Francisco Guerra, que presencia o Maio de 1968 em Paris. Guerra é uma caricatura do próprio Francis, Paris mal se vê no romance, e as cenas de sexo são quase risíveis. Ele foi o maior jornalista de opinião do Brasil, e não é por este livro que o leitor saberá disso.
O livro-confusão de Francis
Chega às livrarias “Carne Viva”, romance inédito de Paulo Francis que teve sua publicação adiada por mais de dez anos e sofreu modificações
MARCOS STRECKER
DA REPORTAGEM LOCALWaaal… Demorou dez anos, mas finalmente ficou pronto. Chega às livrarias no próximo dia 15 o aguardado romance inédito de Paulo Francis (1930-1997), prometido há mais de uma década e que fecharia o ciclo iniciado com “Cabeça de Papel” e “Cabeça de Negro”. Antes mesmo da sua publicação, “Carne Viva” já tem uma longa história. A começar pelo título, que originalmente seria “Jogando Cantos Felizes”.
Aos fatos. O livro, que agora será lançado pela Landscape (editora que comprou o catálogo da editora Francis, fundada em 2002), seria publicado em 1998 pela Companhia das Letras. Antes de morrer (em 1997), Francis mostrou os originais para o editor Luiz Schwarcz, que sugeriu modificações. Segundo a jornalista Sonia Nolasco, viúva de Francis, ele não concordou com todas as mudanças.
“Concordou com a maioria, que fez à mão. A editora Francis tem cópias, e também o Luiz. Como editora do livro, eu respeitei tudo”, afirma Nolasco. A versão que chega agora às livrarias, portanto, tem alterações que teriam sido decididas de comum acordo entre Francis e Schwarcz, executadas por Sonia Nolasco.
Luiz Schwarcz confirma e diz que “seria difícil avaliar se o resultado está próximo do sugerido”, pois afirma que não guarda mais o original. Há um ano, Roberto Nolasco, irmão de Sonia e então responsável pela editora Francis, já planejava a publicação do livro. Disse na época que cogitava chamar amigos do jornalista para que fizessem três finais para a obra. Sonia nega enfaticamente que o livro estivesse inacabado. “Carne Viva” foi completado, totalmente, muito antes da morte do autor”, afirmou à Folha.
A carne viva de Paulo Francis
Por César Fonseca em 15/4/2008
Carne viva, de Paulo Francis, 264 pp., Editora Francis, São Paulo, 2008
O dispositivo janguista que não disparou para evitar que os gorilas assaltassem o poder e nele ficassem 21 anos fazendo desaforos com o sonho democrático nacional representaria a vergonha e a covardia tupiniquins. Mexe com os nervos de cada um.
É uma das conclusões que poderiam ser levantadas pela leitura do instigante Carne viva, de Paulo Francis [Editora Francis, 264 pp., 2008], depois de observar o desvario mental de Almeida, personagem expulso por 1964 para viver no exílio em Paris, onde, em 1968, o personagem central do romance, o banqueiro Guerra, está acompanhando a revolução social democrata burguesa juvenil que abalou o mundo.
No commentsO 68 de Paulo Francis
Luís Antônio Giron
A trama de Carne Viva é uma reminiscência ficcional da viagem. Conta como o Maio de 68 revoluciona a vida de um banqueiro carioca, Francisco Guerra. As mensagens de amor livre e “imaginação no poder” preconizadas pelos estudantes calam fundo no herói. Como Francis, ele se encontra no calor dos protestos. Ao pôr à prova o sexo, idéias e preconceitos, assiste à implosão de sua visão de mundo. Poderia ter sido a ficção definitiva de Francis. Mas resultou numa entre tantas outras tentativas de jornalistas em conquistar a glória literária. Como fragmento, porém, revela o gênio do autor em narrar casos e interpretar corrosivamente seu tempo. Nesse testamento artístico, Paulo Francis prega a revolução pela resignação – sem abdicar do veneno.
Quantos escritores brasileiros vivos vocês já leram e se emocionaram?

O melhor de não estar no Brasil é não ser obrigado a acompanhar o que acontece na literatura nativa. O melhor de saber que existe a literatura brasileira contemporânea é ter a liberdade de se recusar a ler 98% do que é publicado.
Um desafio rápido: quantos escritores brasileiros vivos vocês já leram e se emocionaram? Viram ali um grande escritor? Eu conto em metade dos dedos de uma das mãos. Há pouco mais de um ano eu responderia, de imediato, dois nomes: Bruno Tolentino e Antonio Fernando Borges. Sobrou-me o Borges e mais três, que preciso lembrar antes de escrever aqui. Não é maldade, nem vontade de polemizar, mas a lembrança imediata é uma bela forma de identificar aqueles autores que te acompanham a todo momento.
E, claro, vocês hão de me perguntar: o que faz do escritor um grande escritor? Não há uma resposta simples nem breve. E é por isso mesmo que a resposta não vem hoje. A conversa continua.
PS: Ou ninguém que visita este blogue leu Ulisses ou ninguém dá qualquer importância ao livro ou, se calhar, escrevi bobagens tão monumentais que não valeram um mísero comentário. Damnit!
7 commentsPara onde ia James Joyce?

Depois que James Joyce escreveu aquele monumento literário chamado Ulisses era natural que criasse, ao mesmo tempo, uma via de mão única. É extraordinário que o romance inaugural de um novo modelo de prosa é o mesmo que decreta o início e o fim de si mesmo. Para os outros era impossível imitá-lo ou tê-lo como manual do romance moderno; para Joyce, ou se superava enquanto escritor ou decretava a morte pública através de uma experiência radical de linguagem. E veio Finnegans Wake, “the illegible book”, nas palavras de um professor de inglês que tive em Cambridge.
Finnegans Wake é o atestado de óbito da invenção literária cuja causa mortis só era conhecida por Joyce, a mãe em estado puerperal. Já li e ouvi que Finnegans Wake não era um livro para ser lido. Alguns afirmam que aquilo sequer podia ser considerado uma obra literária, tamanho o delírio, tamanha a transgressão. Em carta, Joyce confessou seu desejo em voltar a escrever um romance na forma tradicional. Como imaginar o resultado literário do livro que sequer chegou a ser escrito depois dessas duas experiências abissais (Ulisses e Finnegans Wake)?
Num exercício de imaginação posso tentar uma aposta provocadora: sem a preocupação com a forma iria direcionar seu talento para a história e para os personagens. Mas ao escrever isso desvalorizo o trabalho de artesão feito por Joyce em Ulisses na construção e condução dos personagens e da história. Como seria o último livro do Joyce? Um Ulisses sem os experimentos? Um Dublinenses mais maduro e ainda melhor escrito? Será que Joyce, mesmo que não tivesse morrido, continuaria a escrever?
Perguntas sem respostas são igualmente interessantes e inúteis.
PS: O vídeo com o excelente Miguel Esteves Cardoso que inseri no post Transatlântico: Miguel Esteves Cardoso, um homem civilizado está novamente disponível. Se ainda não viu, corra lá!
4 commentsArquipélago Gulag

Estava eu aqui fazendo pesquisas sobre a China para um texto quando me deparo com a notícia da morte de Alexander Solzhenitsyn, ontem, aos 89 anos. Sim, notícia atrasada. Ontem, como podem ver no post aí abaixo, eu só consegui ver Dr. House e sentir vontade de morrer por causa do calor africano que faz em Lisboa no verão.
Mas não vim perturbar-vos com uma notícia que vocês certamente já leram. Só escrevo para compartilhar a importância que Solzhenitsyn teve na minha formação de caráter e política. Meu amor pela liberdade é nato, mas foi a leitura de Arquipélago Gulag que me fez conhecer os horrores da ação da mentalidade e mente revolucionárias e detonou em meu espírito o ideal político pela liberdade e contra qualquer forma de poder que tenha por princípio remodelar a sociedade ou o indivíduo de acordo com um ideal de perfeição e de futuro perfeito.
Por causa desse livro, Solzhenitsyn foi massacrado pela imprensa francesa de esquerda. Essa história está no livro Le Terrorisme Intellectuel de 1945 à Nos Jours, de Jean Sévillia, redator-chefe do jornal parisiense Figaro (cheguei ao livro a partir da dica de Olavo de Carvalho).
Durante os anos do Processo Revolucionário em Curso em Portugal (PREC, de março a novembro de 1975) o lançamento do livro traduzido demorou meses por causa do boicote feitos pelos tipógrafos, segundo conta a Insurgente Patrícia Lança:
A nossa homenagem a Solzhenitzyn é de nunca esquecer como, nos anos do PREC, o PCP tudo fez para evitar que a tradução portuguesa do Arquipelago Gulag fosse publicada em português. Os tradutores foram José Augusto Seabra e Chico da CUF e a Bertrand a editora. Mas os tipógrafos, incentivados pela CGTP, boicotaram durante longos meses a edição. Felizmente essa “conquista” de Abril falhou e muitos portugueses ingénuos ficaram a conhecer a natureza da URSS e a grandeza do autor agora falecido.
Se não conhecem nada a repeito de Solzhenitsyn, leia o obituário do Telegraph. Se não leram Arquipélago Gulag, corram até à biblioteca ou à livraria. Se encontrarem também Gulag, da excelente jornalista Anne Applebaum, não titubeiem (para quem mora no Rio, ano passado comprei a edição brasileira numa banca de jornal por R$ 9,90).
PS: O calor permanece. A vontade de morrer idem.
6 commentsAté que enfim, né?

No commentsFlorença quer revogar ordem de exílio de Dante
Mark Duff
De MilãoA cidade italiana de Florença deu o primeiro passo para revogar uma ordem de exílio imposta sobre o poeta renascentista italiano Dante Alighieri no século 14.
Sete séculos após ter condenado Dante a uma vida de exílio, sob pena de morte caso a ordem fosse desobedecida, a cidade resolveu voltar atrás.
O conselho municipal florentino aprovou uma moção pedindo que o autor da Divina Comédia seja reabilitado pelo prefeito da cidade em uma cerimônia pública.
Segundo a proposta, um dos descendentes do escritor seria presenteado com a honraria mais alta que a cidade pode conceder.
A cerimônia incluiria uma revogação formal da lei que enviou Dante ao exílio em 1302, por ele ter apoiado a facção política “errada”.
Mas nem todos concordam com a idéia de devolver o poeta à sua cidade natal.
Críticos argumentam que revogar postumamente o exílio de Dante Alighieri é um golpe publicitário - e ignora a importância da experiência (ser exilado) para a poesia do escritor, especialmente para o último volume da Divina Comédia.
Paraíso, terceiro e último volume da obra, foi concluído pouco antes da morte de Dante, em 1321.
O poeta, que durante todo o exílio sonhou com o retorno à terra natal, morreu e foi enterrado na cidade italiana de Ravena, onde sua tumba é hoje uma grande atração turística.
Florença, por sua vez, tem de se contentar com uma tumba vazia, instalada em uma de suas maiores igrejas, construída muito depois da morte do poeta.
“As memórias procriam como se fossem pessoas vivas”

Há pequenas impressões finas como um cabelo e que, uma vez desfeitas na nossa mente, não sabemos aonde elas nos podem levar. Hibernam, por assim dizer, nalgum circuito da memória e um dia saltam para fora, como se acabassem de ser recebidos. Só que, por efeito desse período de gestação profunda, alimentada ao calor do sangue e das aquisições da experiência temperada de cálcio e de ferro e de nitratos, elas aparecem já no estado adulto e prontas a procriar. Porque as memórias procriam como se fossem pessoas vivas.
Trecho de Antes do Degelo, da excelente Agustina Bessa-Luís.
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