Archive for the 'América Latina' Category

O vídeo da operação colombiana que libertou 15 reféns das Farc

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Graça Salgueiro, que faz um trabalho admirável e abnegado no seu blogue Nota Latina, postou na noite de ontem o vídeo da operação militar que libertou 15 reféns das Farc, incluindo a inefável Ingrid Betancourt, que tão logo foi solta se mandou para a França onde, depois de tomar banho (acho) e comer brioches (provável), começou a criticar o governo do presidente Uribe. A moça, como se sabe, já se lançou candidata às próximas eleições presidenciais na Colômbia. A mesma mão que afaga é a que apedreja, pois não?

O vídeo está dividido em cinco partes: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4 e Parte 5.

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Fernando Vallejo, o método de Ingrid Betancourt e meu Ortopé

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Os fatos, não raro, se apresentam muito mais como provas do que como simples evidências.

No dia 4 de julho a Folha publicava o seguinte texto:

“Ingrid é uma oportunista”, afirma escritor

MARCOS STRECKER
ENVIADO ESPECIAL A PARATY

“É escandaloso o espaço que estão dando para a libertação de Ingrid Betancourt”. A opinião é do polêmico escritor colombiano Fernando Vallejo, 66, um dos convidados da 6ª Festa Literária Internacional de Paraty, que acontece na cidade fluminense até o próximo domingo. Para o autor, a ex-refém “é uma manipuladora, velhaca, horrível, oportunista”.
Na opinião de Vallejo, a ex-candidata à Presidência não é uma vítima das Farc, mas uma política ambiciosa que provocou a ação da guerrilha como forma de promoção política.

Segundo ele, “ela e sua assessora e companheira de aventuras Clara Rojas [libertada em janeiro deste ano] são os únicos políticos que agiram para serem seqüestrados”. “Na época da captura, ela tinha ido com a assessora intencionalmente para um local em que havia esse risco”, afirmou Vallejo. Ingrid foi seqüestrada com Rojas em fevereiro de 2002, quando viajavam em campanha para San Vicente del Caguán, em uma região no sul da Colômbia tida então como bastião das Farc.

Reféns esquecidos
O autor se mostra indignado com a comoção que a política colombiana desperta. “Milhares já foram seqüestrados ao longo dos anos, agora várias centenas estão sofrendo em poder da Farc, mas só se fala dela.” As Farc mantêm centenas de reféns não-político pelos quais pede resgate em dinheiro.

Para Vallejo não será surpresa se Betancourt concorrer novamente à Presidência, em 2010 -ela já abriu a possibilidade anteontem. Caso isso aconteça, o escritor acha que a ex-refém tem chances de ganhar as eleições. “O povo colombiano é tão ignorante que pode até elegê-la. Mas ela é francesa, tem dupla cidadania. Por que escolheu fazer política e concorrer a presidente da Colômbia? Por que ela não concorre na França, com [Nicolas] Sarkozy?”, questiona.

O escritor e cineasta é conhecido pelo romance “A Virgem dos Sicários” (Companhia das Letras) e vive hoje no México. Em sua obra, inclusive no recém-lançado “Despenhadeiro”, usa sua cidade natal, Medellín, a mesma do presidente Álvaro Uribe, como fonte para uma prosa realista e autobiográfica. Costuma fazer um retrato ácido da sociedade colombiana e de Medellín, fortemente impregnadas de religiosidade e afetadas pelo narcotráfico, pelo crime e pela corrupção.

Para o autor, as Farc estão derrotadas. “A Colômbia não gosta da organização, são um bando de assassinos, seqüestradores e narcotraficantes”, afirmou -antes dissera em coletiva que o grupo, “depois da Igreja Católica e de Uribe, é a maior praga da Colômbia”.

Grande crítico do atual presidente, Vallejo acha que se ele se reeleger depois de conseguir uma mudança constitucional, nada vai mudar. “Toda a classe política na América Latina só pensa em seus próprios interesses, quando não está claramente envolvida com o crime e com a corrupção.”

Hoje, também a Folha (assinante), publicou:

Ingrid dá guinada e passa a atacar Uribe

Ex-refém, que antes defendeu possibilidade de terceiro mandato, adota discurso social e aponta isolamento regional do país

Ex-candidata diz que é “de esquerda”, defende seu projeto político, e mostra-se incomodada com críticas aos mediadores europeus

ELIANE CANTANHÊDE
ENVIADA ESPECIAL A BOGOTÁ

Menos de uma semana depois de ser resgatada espetacularmente do cativeiro, a ex-candidata a presidente da Colômbia Ingrid Betancourt consolidou ontem a guinada iniciada na véspera em relação ao governo de Álvaro Uribe. Se em suas primeiras entrevistas foi pró-Uribe, admitindo até o terceiro mandato do presidente, ontem ela declarou que não teria votado nele e que “a Colômbia está isolada na região”.

“[A Colômbia] é o único país que tem guerrilha e por isso estamos na extrema direita. Quem elegeu Uribe foram as Farc [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, o grupo que a fez refém]. Se não existissem as Farc, não existiria Uribe. Os colombianos votaram em Uribe porque estão até o pescoço com as Farc”, disse ela, numa nítida mudança de tom, na véspera de completar sete dias de libertação.

As declarações foram à BBC Mundo em Paris e não chegaram a surpreender o meio político e diplomático em Bogotá, onde ela já é vista como potencial opositora de Uribe e teve 31% de intenções de votos numa pesquisa publicada no último domingo. Mas esse percentual só existe num cenário: com o próprio Uribe fora da disputa. Com ele, ninguém tem a menor chance, nem ela.

Segundo Betancourt, sua “divergência fundamental com ele é a natureza da guerrilha: Uribe concebe o problema colombiano como uma crise de violência, de segurança, que cria um mal-estar social. Eu penso o contrário, que é porque há um mal-estar social que há violência”. Apesar disso, não classificou as Farc como de “esquerda”.

“Êxito ou fracasso”

Ela não descartou uma possível candidatura à Presidência: “Os espaços têm que se abrir naturalmente. Se vejo em algum momento que é bom para a Colômbia que eu esteja aí, aí estarei”, disse, posicionando-se no espectro político oposto ao de Uribe: “Sempre serei de esquerda”. Na véspera, ela dissera que o presidente precisa “abandonar a linguagem do ódio”.

CONTINUA…

Quando os fatos confirmam as suspeitas só penso numa música: Ortopé, Ortopé, tão bonitinho!

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Estudante venezuelano na Veja

No dia 16 de maio, o jornal Valor Econômico publicou um texto que fiz sobre a relação entre liberdades individuais e liberdade/desenvolvimento econômico. O gancho era a entrega do prêmio Milton Friedman ao estudante venezuelano Yon Goicoechea. A Veja desta semana traz uma bela entrevista com Goicoechea, cujos trechos, tirados do blogue do Reinaldo Azevedo, reproduzo aqui:

O líder estudantil que se opõe a Chávez

Por Camila Pereira:

Apesar da pouca idade – apenas 23 anos –, o estudante de direito Yon Goicoechea é hoje um dos principais líderes de oposição ao governo do presidente Hugo Chávez na Venezuela. Sua atuação à frente do movimento estudantil foi considerada pelos observadores decisiva para a derrota de Chávez no referendo que lhe teria conferido mais poder e limitado ainda mais a liberdade dos venezuelanos. Por sua luta em prol da democracia, Goicoechea recebeu, no mês passado, um prêmio de 500 000 dólares do instituto americano Cato, sediado em Washington. Ameaçado de seqüestro e até de morte pelos chavistas, ele passou a tomar algumas medidas de segurança em seu dia-a-dia. Não sai mais à rua sozinho e troca o número do celular a cada quinze dias, para evitar ser grampeado. Ainda assim, vive com medo de ser vítima de um ato violento por parte do governo. Na entrevista que concedeu a VEJA, Goicoechea se revela uma voz destoante no movimento estudantil: critica o fato de tais movimentos receberem dinheiro do governo, tal qual no Brasil, e é contra invasões de reitoria como forma de protesto.

Veja – Você acaba de ganhar um prêmio nos Estados Unidos por lutar pela liberdade em seu país. Qual foi a reação do governo?
Goicoechea – O Ministério da Comunicação usou a televisão estatal para difundir a tese de que, ao conceder o prêmio a um opositor do regime, os Estados Unidos estariam fazendo uma nova tentativa de desestabilizar os governos na América Latina. Uma baboseira ideológica que choca, antes de tudo, pelo anacronismo.

Veja – Qual é sua opinião sobre esse antiamericanismo?
Goicoechea – É inaceitável o fato de a filosofia antiamericanista ainda ter espaço num momento em que os países estão cada vez mais próximos uns dos outros. Enquanto eles se abrem e claramente se beneficiam disso, a Venezuela está isolada do mundo. Também não dá para entender de onde vem tanto ódio contra um modelo que, afinal, deu certo. Fiz palestras em Harvard e Georgetown, ambas nos Estados Unidos, e vi de perto como funcionam algumas das melhores universidades do mundo. Devemos é aprender com os americanos, em vez de repudiá-los. Repare que há muito pouco de objetivo nas críticas feitas por Chávez aos Estados Unidos – são pura retórica. Adoraria ver os venezuelanos vivendo tão bem quanto os americanos.

Veja – Você costuma ser criticado por outros estudantes ao defender tais idéias?
Goicoechea – Sim, o tempo todo. Essas críticas vêm de uma minoria de estudantes que ainda apóia Chávez. Estão motivados, basicamente, por um discurso ideológico de esquerda. Segundo esses estudantes, eu seria um típico representante da direita. Com uma discussão tão ultrapassada, eles deixam de prestar atenção na questão central: quem se opõe ao governo Chávez está lutando pela possibilidade de qualquer venezuelano defender o que bem entenda e acreditar nisso sem que seja punido, como é comum hoje. Para superar um cenário tão atrasado, é preciso pragmatismo – e a insistência no debate ideológico só atrapalha.
Assinante lê mais aqui.

E no blogue OrdemLivre.org você pode ler o relato do Diogo Costa, o editor do site que trabalha no Cato Institute em Washington, sobre a cerimônia de entrega do prêmio realizada no dia 15, um dia antes da publicação do meu texto no Valor.

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Tocqueville nunca foi ao Equador (nem à Venezuela)

São 16h03 em Lisboa. Cheguei há pouco de uma aula sobre Alexis de Tocqueville. Hoje mais tarde ou amanhã divido com vocês algumas dúvidas e informações.

Por ora, deixo você com a atenta e corajosa Graça Salgueiro, que escreveu na quinta e na sexta sobre a divulgação dos resultados da investigação feita nos computadores do terrorista Raúl Reyes, das Farc, pela Interpol:

Thursday, May 15, 2008

Finalmente foi dado a conhecer hoje, no início da tarde, o resultado das investigações científicas realizados pela INTERPOL nos computadores de Raúl Reyes confiscados no dia 1º de março deste ano, quando o sanguinário comandante número 2 das FARC foi abatido. O que muitos aguardavam nesse pronunciamento, as preciosas informações constantes nas mensagens trocadas, nos documentos da organização e com quem eles mantinham vínculos, ficou reservado ao Governo da Colômbia e aos departamentos de Segurança do Estado colombiano.

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Friday, May 16, 2008

Ontem o Notalatina deu a conhecer o resultado da entrevista coletiva oferecida pela INTERPOL, em Bogotá, sobre a análise realizada nas oito provas instrumentais de caráter informático, inclusive com os originais deste relatório em formato pdf, em espanhol. Hoje voltamos a abordar este tema por imperiosa necessidade, uma vez que, confirmada a autenticidade do material encontrado nos computadores e discos-rígidos de Raúl Reyes, o pelotão de choque do bolivarianismo chavista imediatamente entrou em ação.

Não sei, nem fui informada se houve algum correspondente brasileiro presente a esta coletiva de imprensa mas tomei conhecimento de um fato patético, embora de certo modo esperado, ocorrido com o meu amigo venezuelano Alejandro Peña Esclusa, que estava presente a esta coletiva como correspondente da Venezuela e da Colômbia pelo diário argentino “La Nueva Provincia”.

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