Archive for the '3x4 (terça-feira)' Category

Pai e filho pelos olhos de Hans Staub

Essa imagem do fotojornalista suíço Hans Staub é intensamente delicada. O pai e a criança que selam a despedida temporária com um beijo fraterno do amor filial.

O título da foto é “Em frente ao Kindergarten, Zurique” (1931). Kindergarten é uma creche (obrigado, caro Michael Seufert). A despedida se explica com o pai deixando o filho pequeno para mais um dia de atividades.

Mesmo antes de buscar essa história a foto se apresentara tão intensa e bela que prescindia de explicações:

A cena me remete a todas as vezes em que deixei meu filho Bernardo na escola. Bernardo, que tem 10 anos, está no Brasil e amanhã vai participar de um recital de piano no Conservatório de Música onde estuda. Amanhã seria o dia de repetir a cena da foto, levando-o ao ensaio e, depois, ao local da apresentação.

Uma saudade que só não supera o orgulho e admiração pelo filho que amo.

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Henri Cartier-Bresson e o garoto pimpão

Henri Cartier-Bresson é a escolha sempre óbvia de quem gosta de fotografia. Resisti para colocá-lo na inauguração da seção e neste momento me pergunto por qual razão tive pudores em fazê-lo.

É o fotógrafo de que mais gosto porque seu olhar das coisas e pessoas é o olhar que tomo para mim, numa forma curiosa de apropriação porque está ligada a uma identificação íntima e não, simplesmente, a uma influência angustiada (ou envergonhada).

Olhem essa foto, batizada de Rue Mouffetard (1959):

Já desisti de controlar o sorriso ao olhar o garoto, cuja alegria imponente, orgulhosa, desavergonhada e plácida sempre me causa espanto e bem-estar. O rosto desse menino é o retrato em preto e branco do meu espírito no dia a dia.

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3×4

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Graciela Iturbide é a importante fotógrafa mexicana cujo trabalho descobri recentemente. Tenho um apreço especial por essa foto que reproduzo aqui. Imagens em que há pessoas sozinhas me seduzem mais do que fotos de multidão. A composição do homem com o céu e os pássaros tem uma simbologia que me agrada: as possibilidades ilimitadas do homem (o céu) com as realizações limitadas (o vôo do pássaro tem início, meio e fim), numa interpretação claramente Schopenhauriana (o homem tem desejos ilimitados para realizações ilimitadas).

Busquem no Google outras fotos da Graciela e divirtam-se ao descobri-la.

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3×4

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Clock of the Académie Française, Paris (1932), de André Kertész.

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