Estado que não estimula os indivíduos transforma-os em inimigos

Muitíssimo bom o texto publicado pelo jornalista Renato Lima no Jornal do Commercio (PE), onde trabalha. Renato, que também é um dos editores do ótimo programa de rádio Café Colombo, esteve nos EUA para um curso no The Foundation for Economic Education.
Negócios no Brasil: pior que nos jogos
“Não troco a dita recessão americana pelo crescimento econômico do meu país”, me contou um motorista peruano, em Tarrytown, Nova Iorque, onde estive participando de um seminário de economia. Assim como ele, salvadorenhos, guatemaltecos e equatorianos com que conversei não pensavam em voltar a seus países de origem. São migrantes, distantes de onde nasceram, mas bem melhor remunerados e com perspectivas futuras.
Em Washington, encontrei-me com um pernambucano, hoje empresário de telefonia nos EUA. De perfil empreendedor, tem dificuldade de aceitar a burocracia que existe no Brasil para se abrir um negócio e o próprio clima de apatia e tristeza dos jovens que aqui ficaram e mantém contato. Ou estão estudando para concurso ou pensando em migrar para o Canadá. Ou seja: tentam entrar no Estado gigante e garantir condições privilegiadas – que o resto da sociedade não têm – ou simplesmente desistem deste país e vão começar suas carreiras em outro. Neste momento, a Inglaterra ameaça voltar a exigir vistos de entrada a brasileiros, tamanho o número de imigrantes ilegais em busca de trabalho naquele país.
Por que é tão mais fácil para esses latinos terem sucesso fora dos seus países? A disposição para o trabalho não é a mesma? A resposta está nas instituições. Nas sociedades de confiança, tema trabalhado por Alain Peyrefitte, o resultado está associado ao mérito, ao esforço, ao trabalho. As instituições não conspiram contra o empreendedor, com excesso de controles e desconfianças. Por aqui, empreender significa primeiro driblar uma burocracia, pagar concessões, alvarás, documentos, reconhecer firmas e fazer um imenso trabalho que em nada tem a ver como a primordial tarefa do empresário: inovar no produto e cativar clientes.
O nosso patrimonialismo, que concentra poderes no Estado para redistribuir favores a amigos do partido no poder, vem aumentando, independente de pontos percentuais a mais no PIB. A lógica é dispersar custos - cobrando caro de todos - e concentrar benefícios, agradando setores alinhados politicamente com reduções seletivas de tributos ou cargos nos governos.
O Banco Mundial publica, anualmente, uma pesquisa em que analisa a facilidade de se fazer negócios, avaliando aspectos como contratar funcionários, número de alvarás necessários, tempo para abrir e fechar empresas, carga tributária, registro de propriedade entre outros temas. Chama-se “Doing Business” (Fazendo Negócios) e na amostra de 2008 há 121 países no mundo em que empreender é mais fácil do que no Brasil. Como se vê, o desempenho da equipe olímpica, coroado de choro não motivado por alegria, é melhor do que o nosso ranking de facilidade empresarial. Recessões passam, mas instituições ruins perduram por mais tempo. E, enquanto isso, o povo migra. Como dizia Milton Friedman, votam com os pés, fugindo dos seus países.
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De fato Garschagen: um texto excepcional.