Quantos escritores brasileiros vivos vocês já leram e se emocionaram?

O melhor de não estar no Brasil é não ser obrigado a acompanhar o que acontece na literatura nativa. O melhor de saber que existe a literatura brasileira contemporânea é ter a liberdade de se recusar a ler 98% do que é publicado.

Um desafio rápido: quantos escritores brasileiros vivos vocês já leram e se emocionaram? Viram ali um grande escritor? Eu conto em metade dos dedos de uma das mãos. Há pouco mais de um ano eu responderia, de imediato, dois nomes: Bruno Tolentino e Antonio Fernando Borges. Sobrou-me o Borges e mais três, que preciso lembrar antes de escrever aqui. Não é maldade, nem vontade de polemizar, mas a lembrança imediata é uma bela forma de identificar aqueles autores que te acompanham a todo momento.

E, claro, vocês hão de me perguntar: o que faz do escritor um grande escritor? Não há uma resposta simples nem breve. E é por isso mesmo que a resposta não vem hoje. A conversa continua.

PS: Ou ninguém que visita este blogue leu Ulisses ou ninguém dá qualquer importância ao livro ou, se calhar, escrevi bobagens tão monumentais que não valeram um mísero comentário. Damnit!

7 Comments so far

  1. Carlos Eduardo Agosto 6th, 2008 11:55 pm

    Antonio Fernando Borges é de fato o nosso maior romancista vivo. Mas “Dois irmãos” _ bem como os outros dois romances e a recente novela_ do Milton Hatoum não é de se desprezar.
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    Miguel Sanches Neto também é muito bom. Li e reli vezes sem conta o “Herdando um biblioteca”. Excelentes textos sobre a descoberta da leitura. “Chove sobre minha infância” também entra na minha lista. Comovente e profundo.
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    Mas Antonio Fernando Borges é o escritor brasileiro que se eu não ler toda semana acabo tendo síndrome de abstinência. Tenho a “obra completa” dele e declaro: tenho dependência química dela.

  2. Igor T. Agosto 7th, 2008 2:43 am

    “PS: Ou ninguém que visita este blogue leu Ulisses ou ninguém dá qualquer importância ao livro ou, se calhar, escrevi bobagens tão monumentais que não valeram um mísero comentário. Damnit!”

    Confesso que estou entre os primeiros ninguéns. Ainda. Espero que ainda.

  3. Philippe Agosto 7th, 2008 3:43 am

    Sobre Ulisses, bem… O seu post me fez pensar e finalmente compreender (aquela compreensão que preenche alguns vácuos e faz você se sentir mais esperto! hehe) a importância de Ulisses para a literatura. Já havia lido a respeito, sobre a morte do romance como se conhecia até então, mas só agora percebo como Ulisses (e Finnegan’s Wake depois) transformou a literatura. E transformou de uma forma ÚNICA, que só Joyce poderia ter feito. Ainda estou lendo Ulisses, mas a partir de agora com outros olhos (ou olhos melhores!). Mas então, talvez não haja comentários porque é preciso pensar mais a respeito para não falar bobagem. Ou estou falando bobagem? Abraços.

  4. Tomaz Tiago Luedke Agosto 7th, 2008 10:45 am

    Aguardo o nome de bons novos autores brasileiros. Tenho procurado, mas só encontro prosa de autores que querem adular os desajustados, marginais, a violência e tudo que deixa claro que estamos tratando de literarura brasileira. Como Francis escreveu sobre os filmes brasileiros, vejo os pobres nos filmes e tenho vontade de gritar “é um santo, é um santo”. Transplanto este comentário para a literatura.

  5. Guilherme Q. Agosto 7th, 2008 1:34 pm

    Há um ano, como você disse, ou pouco mais, eu responderia Bruno Tolentino, Alberto da Cunha Melo, Adélia Prado e Ferreira Gullar. Sobraram os dois últimos. Do Ferreira Gullar os poemas são “Rainer Maria Rilke e a Morte”, os últimos versos de “A Alegria”, “Bananas Podres” (meu preferido), “Galo Galo” e mais alguns. Aqueles sobre Rilke, quando o li há sete anos, pôs-me às lágrimas de, hã, “desejo mimético”, como diriam o Pedro Sette e o Girard. Talvez seja o melhor do Gullar.

    Aqui, para assinantes: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs0909200107.htm

  6. Tiago A. Agosto 7th, 2008 10:28 pm

    Sérgio Sant’anna é brasileiro, está vivo e me emociona.

  7. José Agosto 8th, 2008 9:00 pm

    Concordo com o Tiago, Sérgio Sant’anna é muito subestimado na blogosfera! Seus escritos estão entre as melhores coisas produzidas no Bananão nos últimos anos.

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