Arquipélago Gulag

Estava eu aqui fazendo pesquisas sobre a China para um texto quando me deparo com a notícia da morte de Alexander Solzhenitsyn, ontem, aos 89 anos. Sim, notícia atrasada. Ontem, como podem ver no post aí abaixo, eu só consegui ver Dr. House e sentir vontade de morrer por causa do calor africano que faz em Lisboa no verão.

Mas não vim perturbar-vos com uma notícia que vocês certamente já leram. Só escrevo para compartilhar a importância que Solzhenitsyn teve na minha formação de caráter e política. Meu amor pela liberdade é nato, mas foi a leitura de Arquipélago Gulag que me fez conhecer os horrores da ação da mentalidade e mente revolucionárias e detonou em meu espírito o ideal político pela liberdade e contra qualquer forma de poder que tenha por princípio remodelar a sociedade ou o indivíduo de acordo com um ideal de perfeição e de futuro perfeito.

Por causa desse livro, Solzhenitsyn foi massacrado pela imprensa francesa de esquerda. Essa história está no livro Le Terrorisme Intellectuel de 1945 à Nos Jours, de Jean Sévillia, redator-chefe do jornal parisiense Figaro (cheguei ao livro a partir da dica de Olavo de Carvalho).

Durante os anos do Processo Revolucionário em Curso em Portugal (PREC, de março a novembro de 1975) o lançamento do livro traduzido demorou meses por causa do boicote feitos pelos tipógrafos, segundo conta a Insurgente Patrícia Lança:

A nossa homenagem a Solzhenitzyn é de nunca esquecer como, nos anos do PREC, o PCP tudo fez para evitar que a tradução portuguesa do Arquipelago Gulag fosse publicada em português. Os tradutores foram José Augusto Seabra e Chico da CUF e a Bertrand a editora. Mas os tipógrafos, incentivados pela CGTP, boicotaram durante longos meses a edição. Felizmente essa “conquista” de Abril falhou e muitos portugueses ingénuos ficaram a conhecer a natureza da URSS e a grandeza do autor agora falecido.

Se não conhecem nada a repeito de Solzhenitsyn, leia o obituário do Telegraph. Se não leram Arquipélago Gulag, corram até à biblioteca ou à livraria. Se encontrarem também Gulag, da excelente jornalista Anne Applebaum, não titubeiem (para quem mora no Rio, ano passado comprei a edição brasileira numa banca de jornal por R$ 9,90).

PS: O calor permanece. A vontade de morrer idem.

8 Comments so far

  1. Carlos Eduardo Agosto 4th, 2008 10:00 pm

    Nós, homens imperfeitos, façamos um minuto de silêncio por mais um grande homem que se foi.

  2. […] como: Cultura, Internacional, Política, Portugal — André Azevedo Alves @ 1:06 pm Arquipélago Gulag. Por Bruno Garschagen. Só escrevo para compartilhar a importância que Solzhenitsyn teve na minha […]

  3. insurgências « Agosto 5th, 2008 9:20 pm

    […] A dica é do caríssimo Bruno Garschagen. […]

  4. Waldir Agosto 6th, 2008 12:33 pm

    Bom dia.

    Estou tentando encontrar o livro Arquipélago Gulag, mas até agora foi em vão!
    Moro em São Paulo - SP.
    Teria alguma indicação?
    Abraços
    Waldir

  5. […] aqui num post do dia 4 (Arquipélago Gulag) sobre Alexander Solzhenitsyn, que morreu um dia […]

  6. […] aqui um post no dia 4 (Arquipélago Gulag) sobre Alexander Solzhenitsyn, que morreu um dia […]

  7. Francisco Andrade Setembro 23rd, 2008 7:33 pm

    Prezados,

    Estou acabando a leitura de Arquipelago Gulag II, de Soljenitsen, a edição é de 1976, da DIFEL, Difusão Editorial S.A.Encontrei a obra na biblioteca da Câmara dos Deputados.
    Confesso que depois de ter visto um filme cujo nome é Stálin, roteiro de sua filha, exilada, se não me engano, à época, na Alemanha, pensava não fosse encontrar algo mais estarrecedor ainda sobre as desumanidades, o ocultamento da verdade, e as alienações de que muitos de nós fomos vítimas, por sonharmos com “um mundo novo” e liberto da miséria…
    Arquiélago Gulag, me faz retornar agora,as angústias vividas nos idos de 1989/1991, com o esfacelamento do regime soviético e depois com a queda do muto de Berlim, momento em que devia comemorar finalmente a liberdade.
    Podiam ao menos esboçar uma autocrítica, se é que aprenderam, como quiseram nos ensinar a prática, os arautos do sectarismo, da velha esquerda, tão autoritária, tão mentirosa, tão divorciada da liberdade.
    Lutemos pela democracia como valor e oportunidade, para a superação das intransigências, ignorâncias, intolerâncias, dos preconceitos e de todas as formas de alienação e manipulação ideológicas.
    Se ainda é possível falar de esquerda, como sonho, utopia, que seja por meio da verdade histórica, do desterramento da hipocrisia, de uma outra forma de solidariedade, que respeite todas crenças e credos, que não se esqueça dos homens e mulheres como seres humanos que são.
    Não à intolerância de qualquer tipo!
    Não à qualquer proposta manipuladora da verdade!
    Sim à democracia, como valor universal e oportunidade de superação da fome, da miséria, dos preconceitos, e de todas as intolerâncias civis!.

  8. Pedro Novembro 10th, 2009 3:18 am

    Ola Bruno. Ao pesquisar informações sobre o arquipélago Gulag acabei por passar algum tempo a ler algumas coisas do teu blog. Rapidamente compreendi a distância que temos quanto às respectivas análises políticas( não digo ideais pois pareceu-me seres um adepto de Francis Fukuyama ou Karl popper), contudo não num blog que se discutem panoramas.
    Venho apenas aconselhar-te, sem prepotência alguma, para leres mais sobre a revolução de Abril em Portugal. Para colocares o texto da Autoria de Patrícia Lança, calculo que te revejas em tal opinião.
    As conquistas de Abril são celebradas por todos os partidos com assento parlamentar em Portugal, quanto aos restantes o mesmo acontece com a exepção de um identificado com a extrema direita ( infelizmente crescente na Europa). Mas isto é apenas uma questão simbólica para fezer-te entender a necessidade, caso queiras informar-te sobre este assunto, de perceberes o que significa a Revolução de 1974 para os portugueses.
    Saudações

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