A multidão é intolerável; a solidão, recomendável; o isolamento, dispensável
Honestamente, acho que há gente demais no mundo. Claro, não descobri o ovo de Colombo. E nem estou aqui querendo redescobrir a pólvora. O problema é que qualquer homem civilizado obrigado a viver em sociedade precisa não só desenvolver mecanismos de defesa contra a legião como desenvolver hábitos que não sejam prejudicados pela horda.
Exemplo? Se você adora caminhar pela sua cidade na hora em que todas as 666 legiões infernais estão caminhando é preferível mudar de horário a insistir idiotamente naquele período preferível. A vida é feita de escolhas, um clichê que, muito mais do que um clichê, é uma advertência poderosa contra os dissabores da convivência inevitável. Mas é óbvio que sempre há a possibilidade do isolamento parcial ou completo, que não raro acaba por se revelar infrutífero. O motivo? Por mais que homens civilizados não suportem essa massa ignara intolerável precisam de alguns poucos amigos, pares, para compartilhar interesses.
Da mesma forma que cultivar a solidão é um ato saudável o isolamento radical é de uma imbecilidade suprema. Mais cedo ou mais tarde o incauto vai descobrir que o contato com um círculo afetivo mínimo é essencial para impedir que ele comece a subir em árvores e a ingerir bananas de forma intermitente.
O que torna o indivíduo melhor são as pessoas melhores do que ele; as pessoas que o desafiam. A maldição move, a bênção relaxa, eis uma frase genial do Blake que eu geralmente repito sem citar a fonte.
A multidão é intolerável; a solidão, recomendável; o isolamento, dispensável.
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Excelente post Garschagen! Além de explicar num texto curto o que muitos de nós sentimos sobre estar num mundo abarrotado de gente _ na grande maioria gente ignara, como você bem disse _ você cunhou um aforismo digno do melhor FDR: “A multidão é intolerável; a solidão, recomendável; o isolamento, dispensável.”