Fernando Vallejo, o método de Ingrid Betancourt e meu Ortopé
Os fatos, não raro, se apresentam muito mais como provas do que como simples evidências.
No dia 4 de julho a Folha publicava o seguinte texto:
“Ingrid é uma oportunista”, afirma escritor
MARCOS STRECKER
ENVIADO ESPECIAL A PARATY“É escandaloso o espaço que estão dando para a libertação de Ingrid Betancourt”. A opinião é do polêmico escritor colombiano Fernando Vallejo, 66, um dos convidados da 6ª Festa Literária Internacional de Paraty, que acontece na cidade fluminense até o próximo domingo. Para o autor, a ex-refém “é uma manipuladora, velhaca, horrível, oportunista”.
Na opinião de Vallejo, a ex-candidata à Presidência não é uma vítima das Farc, mas uma política ambiciosa que provocou a ação da guerrilha como forma de promoção política.Segundo ele, “ela e sua assessora e companheira de aventuras Clara Rojas [libertada em janeiro deste ano] são os únicos políticos que agiram para serem seqüestrados”. “Na época da captura, ela tinha ido com a assessora intencionalmente para um local em que havia esse risco”, afirmou Vallejo. Ingrid foi seqüestrada com Rojas em fevereiro de 2002, quando viajavam em campanha para San Vicente del Caguán, em uma região no sul da Colômbia tida então como bastião das Farc.
Reféns esquecidos
O autor se mostra indignado com a comoção que a política colombiana desperta. “Milhares já foram seqüestrados ao longo dos anos, agora várias centenas estão sofrendo em poder da Farc, mas só se fala dela.” As Farc mantêm centenas de reféns não-político pelos quais pede resgate em dinheiro.Para Vallejo não será surpresa se Betancourt concorrer novamente à Presidência, em 2010 -ela já abriu a possibilidade anteontem. Caso isso aconteça, o escritor acha que a ex-refém tem chances de ganhar as eleições. “O povo colombiano é tão ignorante que pode até elegê-la. Mas ela é francesa, tem dupla cidadania. Por que escolheu fazer política e concorrer a presidente da Colômbia? Por que ela não concorre na França, com [Nicolas] Sarkozy?”, questiona.
O escritor e cineasta é conhecido pelo romance “A Virgem dos Sicários” (Companhia das Letras) e vive hoje no México. Em sua obra, inclusive no recém-lançado “Despenhadeiro”, usa sua cidade natal, Medellín, a mesma do presidente Álvaro Uribe, como fonte para uma prosa realista e autobiográfica. Costuma fazer um retrato ácido da sociedade colombiana e de Medellín, fortemente impregnadas de religiosidade e afetadas pelo narcotráfico, pelo crime e pela corrupção.
Para o autor, as Farc estão derrotadas. “A Colômbia não gosta da organização, são um bando de assassinos, seqüestradores e narcotraficantes”, afirmou -antes dissera em coletiva que o grupo, “depois da Igreja Católica e de Uribe, é a maior praga da Colômbia”.
Grande crítico do atual presidente, Vallejo acha que se ele se reeleger depois de conseguir uma mudança constitucional, nada vai mudar. “Toda a classe política na América Latina só pensa em seus próprios interesses, quando não está claramente envolvida com o crime e com a corrupção.”
Hoje, também a Folha (assinante), publicou:
Ingrid dá guinada e passa a atacar Uribe
Ex-refém, que antes defendeu possibilidade de terceiro mandato, adota discurso social e aponta isolamento regional do país
Ex-candidata diz que é “de esquerda”, defende seu projeto político, e mostra-se incomodada com críticas aos mediadores europeus
ELIANE CANTANHÊDE
ENVIADA ESPECIAL A BOGOTÁMenos de uma semana depois de ser resgatada espetacularmente do cativeiro, a ex-candidata a presidente da Colômbia Ingrid Betancourt consolidou ontem a guinada iniciada na véspera em relação ao governo de Álvaro Uribe. Se em suas primeiras entrevistas foi pró-Uribe, admitindo até o terceiro mandato do presidente, ontem ela declarou que não teria votado nele e que “a Colômbia está isolada na região”.
“[A Colômbia] é o único país que tem guerrilha e por isso estamos na extrema direita. Quem elegeu Uribe foram as Farc [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, o grupo que a fez refém]. Se não existissem as Farc, não existiria Uribe. Os colombianos votaram em Uribe porque estão até o pescoço com as Farc”, disse ela, numa nítida mudança de tom, na véspera de completar sete dias de libertação.
As declarações foram à BBC Mundo em Paris e não chegaram a surpreender o meio político e diplomático em Bogotá, onde ela já é vista como potencial opositora de Uribe e teve 31% de intenções de votos numa pesquisa publicada no último domingo. Mas esse percentual só existe num cenário: com o próprio Uribe fora da disputa. Com ele, ninguém tem a menor chance, nem ela.
Segundo Betancourt, sua “divergência fundamental com ele é a natureza da guerrilha: Uribe concebe o problema colombiano como uma crise de violência, de segurança, que cria um mal-estar social. Eu penso o contrário, que é porque há um mal-estar social que há violência”. Apesar disso, não classificou as Farc como de “esquerda”.
“Êxito ou fracasso”
Ela não descartou uma possível candidatura à Presidência: “Os espaços têm que se abrir naturalmente. Se vejo em algum momento que é bom para a Colômbia que eu esteja aí, aí estarei”, disse, posicionando-se no espectro político oposto ao de Uribe: “Sempre serei de esquerda”. Na véspera, ela dissera que o presidente precisa “abandonar a linguagem do ódio”.
CONTINUA…
Quando os fatos confirmam as suspeitas só penso numa música: Ortopé, Ortopé, tão bonitinho!
2 Comments so far
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Como é bom ser de esquerda em Paris, hein? Volta para a Colômbia, santa!
Perdoe-me, não resisti. Essa mulher já está falando bobagens. Só porque escovou os dentes em Paris pela primeira vez em 6 anos, já acha que o hálito está em dia e pode soltar baforadas esquerdizóides? Tenha dó!