Inseto na luta pela liberdade de expressão

Do Expresso, de Lisboa:
Congresso da Associação Mundial de Jornais na Suécia
Jornalista chinês premiado pela liberdade de expressão
Na abertura do 61.º Congresso da Associação Mundial de Jornais, na Suécia, Li Changqing foi premiado com a Pena de Ouro, maior galardão jornalístico. O ex-director-adjunto do diário Fuzhau esteve preso na China por ter dado o alerta para um surto de dengue.
O Rei Carlos Gustavo da Suécia abriu hoje os trabalhos do 61º Congresso da WAN (World Association of Newspaper) e do 15º Fórum Mundial de Editores (WEF) que reúne em Gotemburgo, na Suécia, cerca de 1800 directores e administradores de jornais em todo o mundo.
Durante a cerimónia, em que também usou da palavra Gavin O’Reilly, presidente da WAN, a Pena de Ouro, o maior prémio que consagra a defesa da liberdade de expressão, foi atribuído a Li Changqing, ex-director-adjunto do diário Fuzhau. Li esteve três anos preso na China, acusado de disseminar mentiras na Internet, embora apenas tenha alertado a opinião pública para um surto de febre de dengue na sua região, em 2005. Para a WAN, o jornalista chinês (que foi impedido de sair do país) é um exemplo de liberdade num país onde ela não existe. Aliás, a WAN, que pela segunda vez consecutiva concede a Pena de Ouro a um chinês (no ano passado entregou-a a Shi Tao, o jornalista que foi preso depois da Yahoo ter fornecido a informação que levou as autoridades chinesas a localizá-lo), decidiu lançar uma campanha pela libertação, antes dos jogos olímpicos, de todos os jornalistas chineses encarcerados.
Só mesmo o carácter simbólico, com a devida pressão moral intrínseca, explica um prémio pela liberdade de expressão dado a um jornalista que denunciou um surto de dengue. O senhor Aedes Aegypti devia ser igualmente condecorado.
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