Archive for Maio, 2008
Eliminação por engano
Volto mais tarde. Antes, putz!, fiz uma bobagem aqui na hora de apagar os spams e acabei mandando para o espaço sidero-virtual alguns comentários já aprovados. Peço as devidas desculpas aos que tiveram seus textos eliminados.
No commentsBlogues em debate 4 - blogueiro e leitor
Numa conversa ontem sobre blogues com meu grande amigo e colega de mestrado Maurício Casarin disse-me ele, que não é do mundo blogueiro, algo interessantíssimo de tão óbvio: o blogue atrai leitores por causa dessa relação de intimidade que inexiste com os meios de comunicação tradicionais.
Sabem o que é curioso? Os meios de comunicação têm, em tese, a confiabilidade na transmissão da informação, mas, ao mesmo tempo, essa informação, mesmo que a matéria seja assinada, é impessoal ou, paradoxo dos paradoxos, o jornal ou revista são acusados de estarem a serviço de algum grupo político ou econômico - por conseqüência, tal e qual colunista ou jornalista também estariam operando nesse sentido (o Caso Nassif é um exemplo desse tipo de acusação que começa a vingar de forma perniciosa no mundo dos blogues, mas este assunto merece uma análise e desdobramento específico).
No caso dos blogues individuais (sim, há ótimos blogues coletivos) não há isso. E mesmo que, a priori, não haja confiança na informação (digo da opinião geral não, obviamente, dos leitores de um determinado blogue) o blogue não pode ser acusado de ser impessoal. A confiança, então, se dá pela via da identificação e, depois, nesse peculiar desenvolvimento da sensação de intimidade que se estabelece entre o leitor e o blogueiro, mesmo que nunca sequer tenham trocado e-mails.
O blogue para o leitor, disse-me Maurício, é uma espécie de amigo íntimo. Isso talvez explique porque os leitores entram em qualquer briga para ajudar seu blogueiro predileto e ficam indignados se o blogueiro não age da forma como eles esperam. É possível ver isso no dia a dia dos blogues. Quem é blogueiro sabe exatamente como é isso.
Para dar um exemplo extremo, lembram daquela briga entre Reinaldo Azevedo e Gerald Thomas? As pessoas brigam, se exaltam, dizem bobagens e, eventualmente, uma delas percebe que fez bobagem, que errou, blábláblá, volta atrás, pede desculpas, daí se estabelece ou não a conciliação e, quem sabe, uma amizade que nasce das feridas. Pois foi o que aconteceu e a grita foi quase geral. Teve gente que, não riam, disse que nunca mais leria o blogue. Reinaldo, claro, teve que se explicar. E aquilo foi um Deus nos acuda durante dias.
Como analisar esse comportamento senão como exemplo extremo do que chamei de sensação de intimidade? Mas é claro que leitores desse tipo acreditam com a certeza inabalável dos despudorados que são praticamente membros da família do blogueiro a quem cabem não só um julgamento moral mas uma condenação pública, se calhar virando as costas virtuais ou cuspindo milhares de mega bits por segundo.
A sensação de intimidade entre leitor e blogueiro não é, regra geral, algo ruim ou passível de lamentação. Pelo contrário. O leitor de blogue é, realmente, um elemento importante, que vai influir em maior ou menor grau na feitura, na continuação e no desenvolvimento do blogue.
Ainda há algo poderoso que é a objetiva aproximação e, em muitos casos, o estabelecimento de uma relação de amizade intensa e prazerosa com indivíduos de gostos, preferências, idiossincrasias, preconceitos etc., compartilhados.
A relação entre blogueiro e leitor é outro tema que podemos explorar nesta série Blogues em debate.
2 commentsO teste da Veja (quinta sinfonia rolando ao fundo….)
Alertada pela jornalista Janaína Leite, do Arrastão (ô Janaína, assume logo que é extremamente liberal!), fui fazer o divertido teste da Veja. E não é que a coisa funciona mesmo? A imagem aí de cima não deixa dúvidas.
Bom sábado para vocês.
Portem-se bem, hein?
No commentsTocqueville nunca foi ao Equador (nem à Venezuela)

São 16h03 em Lisboa. Cheguei há pouco de uma aula sobre Alexis de Tocqueville. Hoje mais tarde ou amanhã divido com vocês algumas dúvidas e informações.
Por ora, deixo você com a atenta e corajosa Graça Salgueiro, que escreveu na quinta e na sexta sobre a divulgação dos resultados da investigação feita nos computadores do terrorista Raúl Reyes, das Farc, pela Interpol:
Thursday, May 15, 2008
e
No commentsFriday, May 16, 2008
Não sei, nem fui informada se houve algum correspondente brasileiro presente a esta coletiva de imprensa mas tomei conhecimento de um fato patético, embora de certo modo esperado, ocorrido com o meu amigo venezuelano Alejandro Peña Esclusa, que estava presente a esta coletiva como correspondente da Venezuela e da Colômbia pelo diário argentino “La Nueva Provincia”.
Garschagen no Valor Econômico de hoje
Saiu na edição de hoje do caderno Eu & Fim de Semana, do jornal Valor Econômico, texto meu: Liberdade para o desenvolvimento (assinante). O jornal está nas bancas.
2 commentsMurilo Mendes, o acidente da Gol, crime e castigo
Caros, lembram-se, claro, do acidente do vôo 1907 da Gol em 2006, não é?
Naquele acidente, havia 14 pessoas do Espírito Santo. Treze delas voltavam de uma excursão de pesca no rio Madeirinha (a cem milhas de Manaus) - a décima quarta vítima era a auditora ambiental Ethelvina Bortolozzo, que viajava a trabalho. Dos trezes amigos pescadores, eu conhecia a maior parte, que era de Cachoeiro de Itapemirim, minha cidade. Um deles, o empresário Ricardo Leandro era meu amigo. Trabalhamos juntos num jornal da cidade quando eu iniciava a vida no jornalismo e nos esbarrávamos sempre quando eu visitava a cidade.
A viúva do Ricardo, a amiga Andreia, que também trabalhou conosco no mesmo jornal (ambos eram da área comercial), me avisa que há uma petição on line (já assinei), que reproduzo abaixo (link aqui):
Excelentíssimo Senhor Juiz
Murilo Mendes
Sinop - MT
A Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Vôo Gol 1907, vem respeitosamente apresentar à V.Exa. um abaixo-assinado feito pelos familiares, amigos das vítimas e a população brasileira para que sejam adotadas, pela Justiça brasileira, todas as medidas legais e demais procedimentos pertinentes à efetiva PUNIÇÃO DOS CULPADOS pelo acidente ocorrido no dia 29 de setembro de 2006, cuja tragédia causou a morte de 154 pessoas.
Rogamos a Vossa Excelência, o resultado de um julgamento isento e preciso na apuração das responsabilidade pelo maior acidente aéreo ocorrido em nosso país.
Clamamos por JUSTIÇA em respeito ao luto e a dor de todos aqueles que sofrem hoje, e sofrerão sempre, a perda brutal de seus entes queridos.
A JUSTIÇA que ansiamos principia na rigorosa apuração dos fatos, prossegue em JURI JUSTO e SEVERO e culmina com os culpados amplamente PUNIDOS.
Senhor Juiz: em Vossa Excelência e na Justiça brasileira, depositamos todas as nossas esperanças de JUSTIÇA MAIOR, em memória dos 154 brasileiros, cujas vidas foram ceifadas de forma tão lancinante como irresponsável.
Respeitosamente,
Familiares das Vítimas do Vôo Gol 1907
Reparem que o texto do abaixo-assinado pede apenas que a Justiça brasileira julgue e puna os responsáveis pela tragédia. Porque, até agora nesse caso só temos as vítimas, 154 para ser exato.
Divulguem, por favor, essa informação e assinem. A associação das vítimas quer reunir o máximo de assinaturas até o dia 25 deste mês para entregar ao juiz Murilo Mendes, cujo nome já me provoca admiração por causa do nosso poeta mineiro homônimo., autor de versos como esse:
No commentsO filho do século
Nunca mais andarei de bicicleta
Nem conversarei no portão
Com meninas de cabelos cacheados
Adeus valsa “Danúbio Azul”
Adeus tardes preguiçosas
Adeus cheiros do mundo sambas
Adeus puro amor
Atirei ao fogo a medalhinha da Virgem
Não tenho forças para gritar um grande grito
Cairei no chão do século vinte
Aguardem-me lá fora
As multidões famintas justiceiras
Sujeitos com gases venenosos
É a hora das barricadas
É a hora da fuzilamento, da raiva maior
Os vivos pedem vingança
Os mortos minerais vegetais pedem vingança
É a hora do protesto geral
É a hora dos vôos destruidores
É a hora das barricadas, dos fuzilamentos
Fomes desejos ânsias sonhos perdidos,
Misérias de todos os países uni-vos
Fogem a galope os anjos-aviões
Carregando o cálice da esperança
Tempo espaço firmes porque me abandonastes.
Blogues em debate 3 - O caos que se ordena
As idéias para a discussão sobre blogues estão desorganizadas, claro, e acho que o mais interessante é ir ordenando as reflexões de acordo com o avançar da conversa e depois consolidar as melhores em textos mais elaborados. Inicialmente, o caos da conversação pode dar a impressão de que o debate está superficial ou que está mais lento do que deveria. E é claro que será repetido aqui informações que vocês estão carecas de saber.
Realçar alguns aspectos, mesmo aqueles mais simples e óbvios, permite analisar as camadas básicas de significados e, assim, empreender uma investigação mais profunda sobre os fenômenos que se sobrepõem na atividade dos blogues.
Essa idéia responde um pouco a um post do Cláudio Shikida:
O Bruno está com uma interessante série de textos em seu blog sobre….os blog(ue)s! Interessante para quem não é veterano da área.
A série, segundo a frase, só seria interessante para os neófitos. E a intenção não é essa porque, acredito, os visitantes deste blogue não são marinheiros de primeira viagem e nem gostariam de ler aqui superficialidades para iniciantes.
Avanço, então, primeiro, num posto do Ângelo da CIA. Ele toca num ponto que me passou despercebido. Ao propor uma conversação sobre blogues não estabeleci os limites do tema. O próprio Ângelo ressaltou que eu queria a tipos específicos de blogues, numa escolha idiossincrática e nada democrática. São os blogues que gosto de ler, divididos por assunto. Acho que listar os blogues mais representativos por assunto seria uma boa forma de estabelecer certas referências que podem dar contornos mais concretos às categorias (farei um novo post tratando só desse aspecto).
Sobre a pergunta que propus (Será que blogueiros só mantêm e escrevem nos blogues por um desejo monumental de um dia serem contratados pela mídia impressa?), Ângelo esboça uma boa resposta:
Talvez os que têm blogues culturais ou esportivos até possam sonhar com trabalhar na mídia impressa. Porém, para quem escreve sobre política, ainda mais no clima de guerra permanente existente nos blogues políticos, isto seria impossível.
Por seus posts, é muito claro que você está se referindo a gente de categoria como o pessoal do Wunder e do Apostos. Estes eu até acho que poderiam ter espaço na mídia impressa tradicional, mas lá provavelmente não “funcionariam” com a mesma eficácia. Há um exemplo prático: O que é melhor, o Tutty Vasques da Vejinha, o Tutty Vasques do Estadão ou o Tutty Vasques em seu blogue? Outro exemplo: O Kibeloco, blogue mais acessado do país, não teria a menor graça em uma publicação semanal. E não funcionariam ( ou não funcionam ) por esta nova linguagem que somente tem abrigo na Internet, motivo que você já apontou.
Eu acho engraçado, eu que sou totalmente sectário em meu blogue ( embora já tenha tentado dar novos ares e falhado grotescamente ) e, como tantos outros, trato de política, sou uma exceção entre os que considero amigos de rede: Todos eles crêem que a mídia impressa já era, que os jornais são coisa do passado e que os blogues são o futuro e o presente da cobertura política. Só que eles fazem isto e, ao mesmo tempo, dedicam 90% de seus posts a repercutir o que sai na mídia impressa tradicional.Voltando à sua pergunta: Só uma minoria ínfima dos blogueiros sonha em trabalhar em jornais e revistas.
Eu também tenho essa impressão de que não só o formato impresso mataria o brilho de alguns dos melhores talentos do universo blogueiro, porque teriam que adaptar seus textos a outro formato, como a maioria deles sonha mesmo em serem contratados para fazer o que fazem de melhor.
Então podemos avançar num outro ponto da conversação: para uma grande parcela dos blogueiros de talento, que poderiam, pela qualidade, ter colunas nos principais jornais e revistas, não interessa ter as colunas no formato tradicional, mas ter seus blogues nos portais dessas empresas de comunicação.
O que dizemos, nós, blogueiros?:
afonso Maio 7th, 2008 4:15 am Editar
Caríssimo Bruno:
Mesmo sem saber o que é um mocotó, disponho-me, humildemente, a contribuir para tão profícuo caldo.
No caso da blogosfera portuga (aquela que conheço melhor), sempre me pareceu existir ali um caso de adolescência crónica: julga que com os seus 2000 ou 3000 leitores irá fazer a revolução cultural e, entre 4 posts e um jantar de amigos, remodelar o arco partidério. E se é certo que a inocência e a candura revolucionária lhe dão um discurso próprio e desempoeirado, muitas vezes parece-me que a soberba lhe sobe ao nariz. Tenho dito.
NOTA DO GARSCHAGEN: Mocotó é um prato típico da culinária brasileira feito com patas de animais bovinos temperados e cozidos. Recomendado para o day after a uma libação alcoólica.
Meg Maio 7th, 2008 7:50 am Editar
Olá, Bruno:
Sou meio cética em relação a eses debates, mas ceticismo não significa nem pessimismo nem ‘nihilismo’, não é?
Depois, sabemos você, eu e mais a tia Petúnia;-) que não há debate sem parti pris, logo é de uma forma ou de outra contaminada.
Mas acho a proposição ótima.E mais ainda, eu fiquei boba ao assitir o Manhattan Conection e - se não estou delirando - havia uma pergunta assim, o Lucas mendes disse para o economista do programa, se vc tivesse x ólares você investiria em que?
Depois de tergiversar, el finalmente disse: Aplicaria em blogs.
Que são isso:D?
É que há blogs e blogs e outros blogs, outríssios blogs.
É o caso dos blogs corporativos? É o caso da Huffington?
Fiquei tão deprimida, porque me sinto contente de poder escrever, mal, embora - mas assim mesmo escrever o que quero e me editar e me distribuir - se é que me faço entender, que até agora, minha cabeça está fervendo.
Blog tem grau de investimento…:D?
Oh por quem sois. E eu que só quero cuidar do barroco, dos meus poetas, das minhas tentativas de quiz:-)
Um abraço.
M.
Djabal Maio 7th, 2008 11:17 am Editar
O blog é uma abertura imensa para o diálogo. Diálogo pertinente, impertinente, culto, inculto, sobre coisas sérias ou nem tanto. Mas diálogo. Ainda se cultiva muito a ofensa pessoal, a irreflexão, o elogio puro e simples e imerecido, a vingança na forma de um texto de resposta ou comentário. Porém, acredito tudo isso é um grande e inovador exercício que se aprenderá praticando, lendo e ouvindo o que o outro tem a dizer. Tentar responder com argumentos, moderados pela possibilidade latente de bloqueio puro e simples, é uma questão relevante cujo mecanismo incentiva esse exercício. Aquela resposta como desabafo, como uma reação veterinária e passional ainda continuará, mas acabará perdendo a força. Em suma é inútil. E o argumento tentará convencer até o limite de sua tolerância, que pouco a pouco será expandida. Não que eu espere que ela tenha a dimensão da nebulosa da Águia na constelação da Serpente, mas a simples dimensão humana paulatina ainda que errática já será divina.
É evidente que a possibilidade de se colocar no ar, a um custo acessível qualquer texto, também ajudará a aumentar a confusão de fontes, de dados, e de pseudos. Mas não precisamos dar importância ao que é irrelevante. Uma pesquisa consistente elimina todas as impurezas. Ler e desconfiar são atos siameses.
De outro lado não espero nenhuma modificação no fator humano, não é isso que estou tentando argumentar ou prever. É apenas uma nova possibilidade diante da qual teremos que tomar uma decisão. E é inteiramente nova.
No começo da literatura, chamando de literatura tudo que se relaciona com a palavra; sabíamos da história de um ou outro príncipe, nobre ou assemelhado, contada por algum maluco para que servisse de lição, de paradigma. Hoje temos a possibilidade de saber a história de tudo e de todos, contada por uma série imensamente maior de pessoas, que por sua vez a abordará dos mais diversificados, inesperados e obsessivos ângulos. E esse aspecto é determinante.
Se a imensa maioria das histórias e pontos de vista são repetitivas ou tediosas; - pena, assim é que nós somos vistos da janela de um foguete. Mas quem garimpar e tiver paciência para se aproximar do planeta e escolher, não será frustrado. Terá uma ótima oportunidade de alargar o seu horizonte.
Escrevi sobre tolerância e paciência e não sei se isso adiantará, pois os modernos têm pressa. Mas essa é uma janela, grande, imensa, com mais de cento e vinte duas vidraças emolduradas por chumbo – como existe no Observatório de Greenwich – janela, que ajudará a diminuir a imensa zona de sombra que nos avassala.
Vinícius Maio 10th, 2008 10:43 pm Editar
Podem até não esperar a mídia impressa necessariamente, mas esperam sempre uma forma de compensação financeira - e falo dos melhores e de muitos dos piores.
Não acho que seja frustrante um texto de blog que se exima de toda a parafernália (hyperlinks, youtubes, etc). Gosto da sensação de “reprodução da mídia impressa”, como se ligando meu PC às 5 da matina estivesse lendo o jornal do dia.
Uma discussão que acho interessante é a do estilo. Comparar textos de jornal como os de Carpeaux e Candido com blogs bem-escritos de literatura, por exemplo, seria um exercício interessante.
Eduardo Passos Maio 11th, 2008 3:25 am Editar
Você tem toda a razão, Bruno. Hoje, a chamada convergência de mídias já se encontra num estado avançado. E os leitores sentem, cada vez mais, falta disso quando acedem a um blog ou até algum site corporativo que seja.
E, além disso, não é mais convidativo poder descarregar toda a criatividade deitados numa cama, de pijama, e tomando um drink a qualquer hora do dia?hehehCada vez mais encontramos renovação e criatividade dentro da esfera dos blogues e isso tem atraido mais interessados para este novo tipo de comunicação: muito mais dinâmico, nada institucional e, até em certo ponto, mais transparente….(refiro-e principalmente às idéias). As pessoas têm os seus blogues preferidos na barra de favoritos e já sabem, de antemão, o que vão poder encontrar quando os acessam. Isso, no meu ver, também faz grande diderença.
Acho que o boom dos blogues irá acontecer quando os publicitários olharem este meio como algo fiável e, principalmente, rentável. Acredito que não falta muito. Só não pode acontecer coisas vergonhas como gente igual a José Dirceu, Paulo Henrique Amorim e muitos outros, ganharem bagatelas para escreveram aquelas coisas.
Mas vamos lá…o debate tem que continuar.
abraços.
Claudio Maio 11th, 2008 1:15 pm Editar
Não há como negar que um blog, para quem vive de escrever, é um mecanismo interessante de divulgação. Com a estratégia correta e uma boa marca bem trabalhada é possível num curto período ter seu nome associado à qualidade e, como se diz por aí, entrar no mercado.
A criação de um Portal tem inúmeras vantagens nessa estratégia, pois acaba sendo algo que sai bom para todas as partes envolvidas: os bons blogueiros podem dividir as despesas de manutenção do portal enquanto os não-tão-bons associam seus nomes a algo que sugere qualidade.
Mais ou menos como acontece fora dos blogs, uma seqüência de elogios mútuos, alguns merecidos outros nem tanto, acaba gerando o senso comum de que todos que escrevem no Portal Xpto são feras.
A prova de que a coisa de fato funciona é que você, mesmo afirmando que “só conheçe e visita alguns poucos blogues do A Postos” mesmo assim, no seu texto de abertura, afirmou que “Hoje o portal mais representativo pela qualidade é o A Postos.” Assim se forma um senso comum (não discuto a pertinência).
Uma vez que uma coisa se torne sinônimo de qualidade, todos brigarão, como brigaram para entrar no Wunderblogs, para fazer parte dela.
Reitero que não acho inválido num mercado fechado que as pessoas cavem seu caminho para fora do anonimato usando estratégias deste tipo. No final das contas a Internet possibilitou que pessoas talentosas, ou com algo diferente a dizer, tivessem seu espaço.
Rafael Lima Maio 12th, 2008 4:08 am Editar
Claro que a fortuna nao é a unica recompensa. Tem gente que faz blogue para comer gente.
dgr Maio 15th, 2008 11:16 pm Editar
Saldozo.
Fiz blogs para comer gente. Deu certo.
Da mídia impressa digo que estou me limpando. Melhor do que usar a cortina? Não sei.
O desejo de monumento de muita gente espelha o nosso estado eqüestre galopante. Nem imagino como digitam.
É verdade que escreve-se melhor na rede do que nos jornais. As regências são estupradas, as palavras vão desgastando, garotos inventam um novo português nas redações. Pelo menos paga-se mal.
Mais do que reconhecimento eu queria escândalos, motins, loirinhas de 12 anos em cada colo. E piromania, muita piromania.
Vou pensar nos portais. Responderei imenso.
claudio Maio 16th, 2008 12:10 am Editar
Eu me lembrei do que gostaria de escrever: eu comecei meu blog porque tinha vontade de minimizar um pouco os erros que se falam sobre economia por aí. Também queria aumentar o interesse das pessoas por uma ciência que pensam que conhecem (todo mundo é técnico de futebol, economista, etc) e, acho que na verdade, eu queria ser bem compreendido.
Hoje eu não sei se abro mão da linguagem nem sempre trivial. Quando abro alguns comentários, vejo o nível bovino que alguns muito mal educados (no sentido amplo do termo, do berço à escola) e desanimo de tentar me fazer entender.
Mídia impressa? Sempre pensei na blogosfera como um complemento, no curto e no longo prazo.
De forma um pouco bagunçada, é isto.
A discussão pode se desenvolver.
2 commentsThe Economist: mais uma invasão bárbara

A The Economist desta semana já está on line e nas bancas. As matérias principais são:
Banks
Barbarians at the vault
Lebanon
Keep it together
Georgia and Russia
Gather round the gorge
Disasters in China and Myanmar
No time to sit back
Zimbabwe’s election
A huge risk that has to be taken
Travel and tourism
Asia, beware Benidorm
Americas Reporter: A obsessão antiamericana
Por Bruno Garschagen, @mericas em Lisboa
Seja John McCain, seja Hillary Clinton, seja Barack Obama, o próximo presidente eleito dos Estados Unidos deve conseguir inicialmente minimizar o antiamericanismo ao redor do mundo. Mesmo que o eleito seja McCain, colega de George W. Bush no partido Republicano, a tendência é que a simples saída do atual presidente já tenha impacto sobre os sentimentos antiamericanos, incluindo naqueles cultivados nos próprios Estados Unidos.
Excesso de otimismo? Talvez, mas é preciso levar a sério a opinião do sociólogo americano de origem húngara Paul Hollander, especialista no assunto e professor das Universidades de Massachusetts e Harvard: “Provavelmente, teremos uma diminuição do antiamericanismo com a mudança de presidente. Qual deles seria mais eficaz, eu não saberia dizer. E, é claro, quando os Estados Unidos saírem do Iraque, isso também fará toda a diferença”.
Autor dos excelentes Understanding Anti-americanism: its origins and impact at home and abroad; Anti-americanism: Critiques at home and abroad, 1965-1990 e Anti-americanism: irrational and rational, Hollander esteve em Lisboa no início de abril para uma série de palestras sobre o tema.
No commentsSérie sobre blogues volta à noite
Estive fora de Lisboa por alguns dias. Por isso o recesso na série sobre blogues. Só devo dizer que a série não será diária, mas não terá um fim. Será uma conversação ao longo dos tempos. À noite postarei novo texto sobre o assunto baseado nos comentários e e-mails que recebi. Enquando isso, fiquem com o texto aí de cima feito para o site Americas Reporter.
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