Blogues em debate 7

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Estou saindo agora para o lançamento do livro O paradigma do pudor, da tradutora e crítica italiana Maria Bochicchio (convite aí em cima).

Quando eu retornar quero tratar, um por um, dos seguintes textos para a série Blogues em debate:

Dante:

Penso que o blog é um meio que permite reunir praticamente todos os sentidos da palavra crônica. Do historiador que reporta ao rei quantos galos comeram um bebê em setembro ao diário da minha avó adolescente. (Mas, até aí, também penso que o Socially Incorrect estava ao lado de Rubem Braga, no sentido mais votado da crônica.) Penso ainda que o post partilha do poema ou dos Lieder (e mesmo do bubblegum), daquilo que nos faz ouvir e cantar mais uma vez.

A vantagem de ter um portal de blogs é a chance de conhecer mais do que prometia a força humana. Quando havia aqueles 100 blogs que se conheciam, a barra de links dava conta do que o portal hoje pode fazer.

O Wunderblogs era um blend sobre brand. Mais importante que a wunderbrand era que funcionava como uma prateleira (em que o wundermestre acomodou os blogs que ia achando interessante) e havia a chance de experimentar cada um deles e misturar conforme o gosto. A barra de links de alguém permite a mesma coisa, mas o portal amplia as misturas.

O portal permite que as estradas, a rede de conexões, perdure mais.

A vantagem de estar integrado a um portal é poder acomodar melhor as tralhas quando há um servidor na parada. (Há a competição ou fome para postar, para quem se anima nisso.)

Desvantagens? Uma única, e pequena, que a convivência determina regras mínimas. Sangue mínimo. Pode chamar de assanhamento, mas me comprometi a manter a decência até onde conseguia. (E por isso o deuscanino só passou a ter imagens ao final de 2003. E por isso não resenhei alguns filmes no WMDB. No tempo do blogspot era falta de recursos e analfabetismo mesmo.)

Se tiver de comparar com outros portais, os wundi foram unidos por gosto, mais do que por afinidades ou amizades. Inicialmente, pelo menos. E isso, em comparação, me diz porque era tão característico e tão diferente. (Outros podem ter outra impressão, eu só posso dizer que lia os blogs que estavam ali e os que não estavam.)

Gosto do peso do capricho num portal.

Estar no Wunderblogs trouxe a vantagem de ser xingado em bloco e de ser repudiado por coisas que não fiz, não disse nem pensei. A vantagem maior, real, eram as piadas internas. Vantagem bem pessoal. A sensação de entrar na universidade e atravessá-la para ir ver as meninas da outra faculdade.

Roger, do Cafeínado:

Vou falar de obviedades: há quem critique os blogueiros em geral por serem estes meros palpiteiros, e os acusam de comentarem até sobre a translucidez das águas-vivas albinas e caolhas sem o menor conhecimento de causa. (…) O conteúdo opinativo foi uma evolução e, até onde sei, blogueiros tradicionais não têm pretensões de formar opinião. A tal blogosfera seria, assim, uma espécie de pracinha de cidade do interior, aonde vão aqueles que querem bater um papo e eventualmente encontrar gente nova. (…) Se eu achasse que poderia escrever o livro definitivo sobre a translucidez das águas-vivas albinas e caolhas, não faria isso usando um blog. Gente que forma opinião e que escreve em blog sabe que o blog é um meio, não um fim. Usa-o como ferramenta de propagação e retorno. (…) A blogosfera é um ambiente, uma grande praça. Tem gente que faz xixi no matinho, tem gente que sobe no coreto e toca oboé.

William, do Esboços, rascinhos e ensaios:

Posts atrás, na tentativa de contribuir para o debate sobre blogues (e a partir de agora pretendo assumir de vez a grafia assim, com -gue!) proposto pelo Bruno Garschagen, mencionei o lingüista francês Dominique Maingueneau apenas de memória; não me estendi sobre o assunto para não falar bobagens. (…) Não sei se na continuação de seus estudos Maigueneau chega a tratar especificamente sobre os blogues (consegui grafar! mas com esforço!), mas me parece o próximo passo de sua narrativa. Duas coisas importantes: os blogues são um novo suporte para os discursos, isto é, um novo mídium, e por conta de todos os recursos que este mídium possibilita, temos um novo gênero de discurso. Pensar em gênero do discurso é diferente de pensar em gêneros literários. Enquanto Olavo de Carvalho, em seu livro Os gêneros literários e seus fundamentos metafísicos, trata do fenômeno especificamente literário, Maingueneau pretende propor uma classificação que abarque todo e qualquer tipo de texto, ou melhor, de discurso, chegando ao extremo de considerar até mesmo uma conversa de elevador um gênero.

1 Comment so far

  1. dgr Maio 27th, 2008 10:42 pm

    Ah, minhas concordâncias dissidentes e os por quês que se juntam e se separam indevidamente. E elegeram outro presidente.

    Amigo meu, fã de metáforas idiotas de futebol, espalha a idéia de que blogs de interesse encostam em três grandes tipos. Calendaristas, gente de agenda aberta, vão de Oscar a Olimpíada. Autores, que postam tudo o que têm a dizer, mesmo que levem cinco anos, e daí é só repeteco. E filósofos, os que não precisam de tema nem inspiração. Eu acrescentaria o pequeno tipo dos jazzistas. Jazzistas atravessam os três grupos.

    E outro amigo, que soprava idéias aos blogs, sugere que o blog, como meio, é um amplificador gigante onde você pode ligar a sua sanfona de plástico. Os portais seriam um ensemble. Quartetos, bandas municipais, fanfarras de todo tipo.

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