Blogues em debate 2 - Uma pergunta pertinente
Recebi alguns comentários interessantes que pretendo comentar ao longo da próxima semana. Estou com sérios problemas de acesso à internet.
Gostaria, no entanto, de deixar uma pergunta, de várias, para ser refletida e discutida, nesse processo de conversa que pretendo aqui estabelecer:
1) Será que blogueiros só mantêm e escrevem nos blogues por um desejo monumental de um dia serem contratados pela mídia impressa?
Meu esboço de resposta (a ser lapidada):
Acho que essa vontade, que era localizada em alguns blogueiros, passou. E falo dos melhores blogueiros. Eles construíram um estilo de texto específico para o blogue. É um fato extraordinário: a criaçao de um novo tipo de texto para um formato novo. E esse novo tipo de texto, com uso de hiperlinks, vídeos, áudio e imagens, também inaugurou um novo tipo de leitura e, claro, de leitores. Quantos de vocês já se pegaram lendo um texto numa revista que cita algo impossível de ser consultado, naquele exato momento, na velocidade de um click? Do mesmo modo é impossível evitar a frustraçao ao ler um texto num blogue cujo autor deixa de aproveitar os recursos da internet.
É isso, meus caros. Reflitam e me escrevam. Esta conversa pretende um exercício de reflexao aberta, criativa e estimulante.
Bom fim de semana.
PS: Além dos problemas de conexao estou sem a tecla to til.
7 Comments so far
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Podem até não esperar a mídia impressa necessariamente, mas esperam sempre uma forma de compensação financeira - e falo dos melhores e de muitos dos piores.
Não acho que seja frustrante um texto de blog que se exima de toda a parafernália (hyperlinks, youtubes, etc). Gosto da sensação de “reprodução da mídia impressa”, como se ligando meu PC às 5 da matina estivesse lendo o jornal do dia.
Uma discussão que acho interessante é a do estilo. Comparar textos de jornal como os de Carpeaux e Candido com blogs bem-escritos de literatura, por exemplo, seria um exercício interessante.
Você tem toda a razão, Bruno. Hoje, a chamada convergência de mídias já se encontra num estado avançado. E os leitores sentem, cada vez mais, falta disso quando acedem a um blog ou até algum site corporativo que seja.
E, além disso, não é mais convidativo poder descarregar toda a criatividade deitados numa cama, de pijama, e tomando um drink a qualquer hora do dia?heheh
Cada vez mais encontramos renovação e criatividade dentro da esfera dos blogues e isso tem atraido mais interessados para este novo tipo de comunicação: muito mais dinâmico, nada institucional e, até em certo ponto, mais transparente….(refiro-e principalmente às idéias). As pessoas têm os seus blogues preferidos na barra de favoritos e já sabem, de antemão, o que vão poder encontrar quando os acessam. Isso, no meu ver, também faz grande diderença.
Acho que o boom dos blogues irá acontecer quando os publicitários olharem este meio como algo fiável e, principalmente, rentável. Acredito que não falta muito. Só não pode acontecer coisas vergonhas como gente igual a José Dirceu, Paulo Henrique Amorim e muitos outros, ganharem bagatelas para escreveram aquelas coisas.
Mas vamos lá…o debate tem que continuar.
abraços.
Não há como negar que um blog, para quem vive de escrever, é um mecanismo interessante de divulgação. Com a estratégia correta e uma boa marca bem trabalhada é possível num curto período ter seu nome associado à qualidade e, como se diz por aí, entrar no mercado.
A criação de um Portal tem inúmeras vantagens nessa estratégia, pois acaba sendo algo que sai bom para todas as partes envolvidas: os bons blogueiros podem dividir as despesas de manutenção do portal enquanto os não-tão-bons associam seus nomes a algo que sugere qualidade.
Mais ou menos como acontece fora dos blogs, uma seqüência de elogios mútuos, alguns merecidos outros nem tanto, acaba gerando o senso comum de que todos que escrevem no Portal Xpto são feras.
A prova de que a coisa de fato funciona é que você, mesmo afirmando que “só conheçe e visita alguns poucos blogues do A Postos” mesmo assim, no seu texto de abertura, afirmou que “Hoje o portal mais representativo pela qualidade é o A Postos.” Assim se forma um senso comum (não discuto a pertinência).
Uma vez que uma coisa se torne sinônimo de qualidade, todos brigarão, como brigaram para entrar no Wunderblogs, para fazer parte dela.
Reitero que não acho inválido num mercado fechado que as pessoas cavem seu caminho para fora do anonimato usando estratégias deste tipo. No final das contas a Internet possibilitou que pessoas talentosas, ou com algo diferente a dizer, tivessem seu espaço.
Claro que a fortuna nao e a unica recompensa. Tem gente que faz blogue para comer gente.
Eu não sei Bruno. Quando começa-se a debater sobre blogues, devemos lembrar que a maioria esmagadora é obra de adolescentes.
Há também um sem-número de falsos blogues, na verdade páginas de artistas que são alimentadas na maioria das vezes por assessores.
Se formos falar dos blogues cujos proprietários são razoavelmente alfabetizados, então o universo já fica muito restrito. E desses caímos nos grandes subgrupos:
- De esportes;
- De cultura;
- De política.
Talvez os que têm blogues culturais ou esportivos até possam sonhar com trabalhar na mídia impressa. Porém, para quem escreve sobre política, ainda mais no clima de guerra permanente existente nos blogues políticos, isto seria impossível.
Por seus posts, é muito claro que você está se referindo a gente de categoria como o pessoal do Wunder e do Apostos. Estes eu até acho que poderiam ter espaço na mídia impressa tradicional, mas lá provavelmente não “funcionariam” com a mesma eficácia. Há um exemplo prático: O que é melhor, o Tutty Vasques da Vejinha, o Tutty Vasques do Estadão ou o Tutty Vasques em seu blogue? Outro exemplo: O Kibeloco, blogue mais acessado do país, não teria a menor graça em uma publicação semanal. E não funcionariam ( ou não funcionam ) por esta nova linguagem que somente tem abrigo na Internet, motivo que você já apontou.
Eu acho engraçado, eu que sou totalmente sectário em meu blogue ( embora já tenha tentado dar novos ares e falhado grotescamente ) e, como tantos outros, trato de política, sou uma exceção entre os que considero amigos de rede: Todos eles crêem que a mídia impressa já era, que os jornais são coisa do passado e que os blogues são o futuro e o presente da cobertura política. Só que eles fazem isto e, ao mesmo tempo, dedicam 90% de seus posts a repercutir o que sai na mídia impressa tradicional.
Voltando à sua pergunta: Só uma minoria ínfima dos blogueiros sonha em trabalhar em jornais e revistas.
http://www.danieldrezner.com/archives/003814.html
eis algo que talvez interesse, lateralmente.
Saldozo.
Fiz blogs para comer gente. Deu certo.
Da mídia impressa digo que estou me limpando. Melhor do que usar a cortina? Não sei.
O desejo de monumento de muita gente espelha o nosso estado eqüestre galopante. Nem imagino como digitam.
É verdade que escreve-se melhor na rede do que nos jornais. As regências são estupradas, as palavras vão desgastando, garotos inventam um novo português nas redações. Pelo menos paga-se mal.
Mais do que reconhecimento eu queria escândalos, motins, loirinhas de 12 anos em cada colo. E piromania, muita piromania.
Vou pensar nos portais. Responderei imenso.