Quem tem medo dos blogues, Mr. Albee?
Amanhã começo uma série de textos sobre blogues. Queria convidá-los a escrever o que pensam nos comentários e assim vou escolhendo os mais relevantes para publicar aqui.
A idéia é fazer um exercício de reflexão sobre as mudanças provocadas, as virtudes, os vícios e tentar debater o blogue, essa entidade, sob uma perspectiva não contaminada. Tentar estabelecer uma análise com um olhar novo, jovial e aberto, deixando de lado o cada dia mais inócuo e irrelevante debate comparativo com as mídias tradicionais. É importante que o blogue passe a ter uma análise própria e deixe de ser questão acessória para se tornar a principal.
Além de meus maravilhosos, encantadores, sofisticados e perfumados textos, quero entrevistar pessoas que fazem a blogosfera e aquelas que estão de fora, mas têm o que dizer, contrapondo, assim, impressões, posições, conceito e preconceitos. Talvez desse caldo saia um mocotó.
E aí, aceitam o desafio?
10 Comments so far
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Excelente oportunidade para começar a comentar por aqui, eu que há tanto tempo apenas leio.
Pô, of course!, adoro mocotó!
Já lhe adianto que a possibilidade de haver blogues foi uma das melhores coisas da Internet. Eu acredito que eles sejam uma boa metáfora do que é ser livre.
Sucesso, meu caro!
Carríssimo Bruno:
Mesmo sem saber o que é um mocotó, disponho-me, humildemente, a contribuir para tão profícuo caldo.
No caso da blogosfera portuga (aquela que conheço melhor), sempre me pareceu existir ali um caso de adolescência crónica: julga que com os seus 2000 ou 3000 leitores irá fazer a revolução cultural e, entre 4 posts e um jantar de amigos, remodelar o arco partidério. E se é certo que a inocência e a candura revolucionária lhe dão um discurso próprio e desempoeirado, muitas vezes parece-me que a soberba lhe sobe ao nariz. Tenho dito.
Abraço
Olá, Bruno:
Sou meio cética em relação a eses debates, mas ceticismo não significa nem pessimismo nem ‘nihilismo’, não é?
Depois, sabemos você, eu e mais a tia Petúnia;-) que não há debate sem parti pris, logo é de uma forma ou de outra contaminada.
Mas acho a proposição ótima.
E mais ainda, eu fiquei boba ao assitir o Manhattan Conection e - se não estou delirando - havia uma pergunta assim, o Lucas mendes disse para o economista do programa, se vc tivesse x ólares você investiria em que?
Depois de tergiversar, el finalmente disse: Aplicaria em blogs.
Que são isso:D?
É que há blogs e blogs e outros blogs, outríssios blogs.
É o caso dos blogs corporativos? É o casao da Huffington?
Fiquei tão deprimida, porque me sinto contente de poder escrever, mal, embora - mas assim mesmo escrever o que quero e me editar e me distribuir - se é que me faço entender, que até agora, minha cabeça está fervendo.
Blog tem grau de investimento…:D?
Oh por quem sois. E eu que só quero cuidar do barroco, dos meus poetas, das minhas tentativas de quiz:-)
Um abraço.
M.
Interessante idéia!
O blog é uma abertura imensa para o diálogo. Diálogo pertinente, impertinente, culto, inculto, sobre coisas sérias ou nem tanto. Mas diálogo. Ainda se cultiva muito a ofensa pessoal, a irreflexão, o elogio puro e simples e imerecido, a vingança na forma de um texto de resposta ou comentário. Porém, acredito tudo isso é um grande e inovador exercício que se aprenderá praticando, lendo e ouvindo o que o outro tem a dizer. Tentar responder com argumentos, moderados pela possibilidade latente de bloqueio puro e simples, é uma questão relevante cujo mecanismo incentiva esse exercício. Aquela resposta como desabafo, como uma reação veterinária e passional ainda continuará, mas acabará perdendo a força. Em suma é inútil. E o argumento tentará convencer até o limite de sua tolerância, que pouco a pouco será expandida. Não que eu espere que ela tenha a dimensão da nebulosa da Águia na constelação da Serpente, mas a simples dimensão humana paulatina ainda que errática já será divina.
É evidente que a possibilidade de se colocar no ar, a um custo acessível qualquer texto, também ajudará a aumentar a confusão de fontes, de dados, e de pseudos. Mas não precisamos dar importância ao que é irrelevante. Uma pesquisa consistente elimina todas as impurezas. Ler e desconfiar são atos siameses.
De outro lado não espero nenhuma modificação no fator humano, não é isso que estou tentando argumentar ou prever. É apenas uma nova possibilidade diante da qual teremos que tomar uma decisão. E é inteiramente nova.
No começo da literatura, chamando de literatura tudo que se relaciona com a palavra; sabíamos da história de um ou outro príncipe, nobre ou assemelhado, contada por algum maluco para que servisse de lição, de paradigma. Hoje temos a possibilidade de saber a história de tudo e de todos, contada por uma série imensamente maior de pessoas, que por sua vez a abordará dos mais diversificados, inesperados e obsessivos ângulos. E esse aspecto é determinante.
Se a imensa maioria das histórias e pontos de vista são repetitivas ou tediosas; - pena, assim é que nós somos vistos da janela de um foguete. Mas quem garimpar e tiver paciência para se aproximar do planeta e escolher, não será frustrado. Terá uma ótima oportunidade de alargar o seu horizonte.
Escrevi sobre tolerância e paciência e não sei se isso adiantará, pois os modernos têm pressa. Mas essa é uma janela, grande, imensa, com mais de cento e vinte duas vidraças emolduradas por chumbo – como existe no Observatório de Greenwich – janela, que ajudará a diminuir a imensa zona de sombra que nos avassala.
[…] […]
Em boa hora esse debate, caro Bruno. Aliás sua antiga moradia acaba de ruir, um dos pilares da blogosfera tupiniquim. http://soaressilva.wunderblogs.com
“É importante que o blogue passe a ter uma análise própria e deixe de ser questão acessória para se tornar a principal”. Perfeito. E a falta dessa ‘lente’ ao olhar para o tema tem embaçado o debate…
Opa! ‘Bora lá.