O que há na Guiné?

Para não falhar um dia sequer, vai outro texto meu para o Americas Reporter:
Por Bruno Garschagen, de Lisboa
Parecia uma nova turbulência política na Guiné-Bissau , depois de um breve período de paz, mas a conciliação foi restabelecida logo depois. Nos bastidores, porém, a briga se revelou mais intensa.
O vencedor da disputa de poder foi o primeiro-ministro Martinho N’Dafa Cabi, que no último 29 de fevereiro esteve ameaçado de perder o cargo depois que o presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Carlos Gomes Júnior, decidiu retirar a confiança política no governo alegando “atitudes de falta de respeito e indisciplina”. A história mudaria em breve.
O Comitê Central do PAIGC, o principal partido do país, fez uma reunião extraordinária no dia 9 de março para resolver a situação e evitar problemas maiores. Pressionado, o presidente do partido foi obrigado a recuar.
Carlos Gomes aceitou manter o apoio do PAIGC ao primeiro-ministro, que também é um dos vice-presidentes da legenda e antes de assumir o cargo era seu braço-direito. A relação entre os dois foi para o vinagre quando o governo de Carlos Gomes, então primeiro-ministro, foi dissolvido em outubro de 2005 pelo presidente Nino Vieira, eleito três meses antes, com apoio do atual primeiro-ministro.
A situação piorou em janeiro do ano passado quando o presidente do PAIGC teve que se refugiar no escritório da ONU no país após acusar Vieira de ser o responsável pela morte do comodoro Lamine Sanhá, antigo Chefe do Estado Maior da Armada guineense. Carlos Gomes ficou 19 dias no local para não ser detido. Ele disse na época que o assassinato teria sido motivado por um ajuste de contas entre Vieira e a Junta Militar, que o havia deposto em maio de 1999 durante a guerra civil provocada pelo confronto entre forças leais a ele e ao chefe dos militares Ansumane Mane, afastado do cargo por Vieira em junho de 1998.
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