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Guerra tribal

Por Bruno Garschagen, @mericas em Lisboa

Foi preciso dois meses de violência brutal no final de 2007, que provocou a morte de cerca de 1,5 mil pessoas e a fuga de 600 mil, para forçar um acordo político que encerrasse o conflito no Quênia. Logo depois de o parlamento aprovar (19/3) uma emenda constitucional criando o cargo de primeiro-ministro, o presidente Mwai Kibaki assinou um projeto de lei designando como futuro ocupante do cargo o líder da oposição Raila Odinga. O Acordo de Reconciliação Nacional foi costurado pelo ex-secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan e divulgado no dia 28 de fevereiro em Nairóbi. No início desta semana chegaram a um impasse sobre a partilha de áreas-chave do poder.

A questão é: é possível acreditar um acordo entre dois inimigos étnicos travestidos de adversários políticos? “O acordo só será bem sucedido se os dois cavalheiros saírem do caminho e permitirem que o Quênia tenha uma nova Constituição que limite o poder discricionário na esfera governamental e garanta, simultaneamente, as liberdades dos indivíduos para que eles, criativamente, gerem riqueza para si e para o país”, sugere o economista queniano James Shikwati, diretor do Inter Region Economic Network, instituição que elabora e promove soluções econômicas para combater a pobreza na África.

O fato é que paira uma grande dúvida se Kibaki e Odinga podem trabalhar em conjunto depois dos conflitos entre janeiro a fevereiro, disse a jornalista britânica Michaela Wrong, que trabalhou na África como correspondente da Reuters, BBC e Financial Times: “O perigo é o governo ser conduzido em duas direções distintas e a elaboração de políticas paralisar o Quênia. Também não é saudável um parlamento ter, efetivamente, pouca ou nenhuma oposição”.

CONTINUA

1 Comment so far

  1. Janaína Abril 29th, 2008 3:15 am

    Oi, Bruno.

    Tem havido um movimento forte aqui no Brasil para exportar serviços aos africanos (em especial Angola). Diferentes áreas (biocombustível, construção civil, teles etc.)

    Você acredita que esse comércio é proveitoso? Para quem? E a expertise de corrupção, quem ganha essa parada?

    Um beijo,
    Jana

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