As idéias e opiniões de Mademoiselle Tourvel

Um texto que eu gostaria muito de ter escrito se tivesse talento:
Reinaldo Azevedo e Gerald Thomas constatam que séquiço por telefone é chato (E resolvem se encontrar pessoalmente).
Claro que os dois ficaram constrangidos por lerem neste blogue com quase três leitores a minha opinião abalizada acerca de séquiço por telefone, que pode ser engraçadinho, mas cansa e fica maçante; então resolveram se encontrar. Os leitores do Reinaldão estão em polvorosa, não podem acreditar que o cueca verde possa ter convencido o Reinaldo a assistir suas peças “conceituais”. Calma, comentaristas reinaldianos. Os dois só deram provas de que são civilizados. Só deram provas de que, mesmo com muita divergência, pode ter um monte de convergência. Um querido amigo disse-me que acharia até divertido bater um papo com Thomas. Eu nem discordo disso, desde que antes me dêem mais de três taças com vinho (do bom, tá?, não me venham com Chapinha, senão o dia seguinte é uma droga). Não acredito que Thomas me acrescentaria algo, mas posso estar enganada. Eu confesso já ter assistido a uma peça de Thomas. E caretona, viu? Minha cotação? Prefiro 5 marteladas em minha cabeça quando estou com aquela enxaqueca dos diabos. Tem comentarista no Reinaldo que diz que se Lula ligasse pra ele, mudaria suas posições. Quanta bobagem. Como disse um outro amigo querido, também existem idiotas entre os que compartilham nossas ideologias.
Reinaldo também escreveu sobre célula-tronco. É um assunto delicado pra mim. Papai fez uma cirurgia com célula-tronco para consertar seu coração cansado. Operou numa terça, morreu num sábado, dia de jogo do Brasil em Copa do Mundo -o Brasil perdeu pra França, lembram-se de primeiro de julho de 2006?, acham que boto a culpa na coitada da tronco? Não, claro que não. O que quero dizer mesmo é sobre o aspecto religioso deste assunto, assim como Reinaldo.
Sou atéia. Não-militante. Não sou destas que tentam provar a inexistência de Deus. Sou porque não consigo acreditar. Já tentei. Mas a maioria de meus amigos é crente (não no sentido de neoevangélico, por favor). Eu os admiro. Eu acredito também no que Reinaldo diz. Fala de princípios. Sim, eu, por exemplo, tenho meus princípios. Sigo um amontoado de coisas que a igreja católica propõe, não porque ela propõe, mas por, coincidentemente, achar correto para minha vida. Alguns ficarão pasmos com minha revelação, mas vou dizer assim mesmo: nem todo ateu é desprovido de ética. Demorou muito para que eu assumisse minha condição de atéia. Preocupava-me com que os outros pensariam. E o Dawkins e companhia bela, por mais brilhantes que possam parecer, quando escrevem sobre este assunto são boçais que falam de forma raivosa da inexistência de Deus como um bando de fundamentalistas ateus. Bobagem. E dizer que só porque alguém é ateu, é de esquerda, outra bobagem das grossas. Conheço um monte de gente que odeia a esquerdização idiota de nosso país e simplesmente não acredita em Deus. Diogo Mainardi taí para provar. Diogo, definitivamente, não é ateu militante. Quando esta condição torna-se tranqüila no indivíduo, não há a menor necessidade de escancará-la e nem de tentar convencer aos outros. É a individualidade, só isso. E viva a diferença. Ignorância é não respeitar as diferenças. Soou como uma frase esquerdista? Que nada. Os esquerdopatas querem todos iguais, querem todos um bando de salsichinhas para o grande irmão comandar. A mim, ninguém comanda. Só pro meu pai, pra minha mãe, e um beijo pra você, Xuxa.
Surrupiado do blogue da inteligente e espirituosa mademoiselle Tourvel, que virou minha mais recente amiga de infância.
7 Comments so far
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O que dizer? Você falar em talento, Bruno? Quequeéisso? O talento aqui, todos sabem, é você. Ainda nos lembraremos de quando não brincamos de esconde-esconde e nem de passa-anel, meu mais novo amigo de infância. Obrigada pela homenagem. Você sim, como digo em meu blogue, é do balacobaco.
[…] estou inaugurando uma série. Surrupio logo a frase do Garschagen para usar como título e ainda controlcêcontrolvê na dica dele, porque realmente vale (e muito) a pena: mademoiselle Tourvel é um blog de primeira, inteligente e […]
Depois de milênios, hein Garschagen?
Passei pra deixar um abraço e ler algumas coisas aqui.
Shh… não me interrompa.
Belo texto! Também quero uma amiga de infância assim, você divide comigo? abraços.
Realmente muito espirituosa sua amiga de infância, Bruno, que sorte!:-)
Muito bons os textos de Marie Tourvel; uma pena que aquele fundo preto me canse (me irrita, sei lá) por demais as vistas…
Eu também querooooo!!! Amiga de infância é melhor que bala, chiclete ou chocolate…Hehehe! Parabéns pra moça…Beijinhos aos dois
Mi Mucelini 
Senhor Garschagen
Pela iade que tenho somente posso requerer o direito de ser seu “avô de infância” acho que não existe, não pode,não ser não é?tudo muito bonito, lindo, com uma fina ironia, caracteristica dos grandes escritores, não opino mais porque sou muito pouco para isso.Boa sorte e desculpas pelas brincadeiras. Seus amigos também são ótimos, gosto da conversa de vocês
Fernando