Archive for Março, 2008

Conversações: João Pereira Coutinho

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Promessa é dívida. Está cumprida. Eis aí o papo que tive com João Pereira Coutinho na sexta-feira. Vocês vão ver que o homem é tão bom falando quanto escrevendo. Conversamos sobre frivolidades, política, literatura, maturidade, velhice. Ouçam aí. Espero que gostem. E depois me contem o que acharam, ok? Bom domingo!

PS: A foto foi tirada por mim, mas num outro dia. No dia da conversa Coutinho não me permitiu tirar qualquer foto. Logo no início do papo vocês vão entender o por quê.

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Conversações: domingo tem João Pereira Coutinho

Se eu conseguir resolver problemas técnicos do blogue publico hoje aqui uma conversa com João Pereira Coutinho, colunista da Folha de S. Paulo e do jornal Expresso. O post que estava aqui foi apagado por um ataque de spam ou algo assim. Não faço idéia. O Grande Arquiteto do Universo, um amigo que resolve os problemas, está vendo isso, Volto assim que as coisas estiverem resolvidas. Voltem mais tarde, ok?

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Garschagen fora do ar

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Caros, fico alguns dias fora do ar. Para quem gosta deste espaço perdoe-me a interrupção. Espero voltar em breve.

Enquanto isso fique com um dos meus poemas preferidos de um dos meus poetas favoritos:

In Memory of W. B. Yeats

by W. H. Auden

I

He disappeared in the dead of winter:
The brooks were frozen, the airports almost deserted,
And snow disfigured the public statues;
The mercury sank in the mouth of the dying day.
What instruments we have agree
The day of his death was a dark cold day.

Far from his illness
The wolves ran on through the evergreen forests,
The peasant river was untempted by the fashionable quays;
By mourning tongues
The death of the poet was kept from his poems.

But for him it was his last afternoon as himself,
An afternoon of nurses and rumours;
The provinces of his body revolted,
The squares of his mind were empty,
Silence invaded the suburbs,
The current of his feeling failed; he became his admirers.

Now he is scattered among a hundred cities
And wholly given over to unfamiliar affections,
To find his happiness in another kind of wood
And be punished under a foreign code of conscience.
The words of a dead man
Are modified in the guts of the living.

But in the importance and noise of to-morrow
When the brokers are roaring like beasts on the floor of the Bourse,
And the poor have the sufferings to which they are fairly accustomed,
And each in the cell of himself is almost convinced of his freedom,
A few thousand will think of this day
As one thinks of a day when one did something slightly unusual.

What instruments we have agree
The day of his death was a dark cold day.

II

You were silly like us; your gift survived it all:
The parish of rich women, physical decay,
Yourself. Mad Ireland hurt you into poetry.
Now Ireland has her madness and her weather still,
For poetry makes nothing happen: it survives
In the valley of its making where executives
Would never want to tamper, flows on south
From ranches of isolation and the busy griefs,
Raw towns that we believe and die in; it survives,
A way of happening, a mouth.

III

Earth, receive an honoured guest:
William Yeats is laid to rest.
Let the Irish vessel lie
Emptied of its poetry.

In the nightmare of the dark
All the dogs of Europe bark,
And the living nations wait,
Each sequestered in its hate;

Intellectual disgrace
Stares from every human face,
And the seas of pity lie
Locked and frozen in each eye.

Follow, poet, follow right
To the bottom of the night,
With your unconstraining voice
Still persuade us to rejoice;

With the farming of a verse
Make a vineyard of the curse,
Sing of human unsuccess
In a rapture of distress;

In the deserts of the heart
Let the healing fountain start,
In the prison of his days
Teach the free man how to praise.

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Comunicado importante!

O blogue Nota Latina, cuja leitura já era importante, agora é obrigatória.

Olá, Amigos,

Não deixem de ler a edição do Notalatina de hoje, pois há muitos dados surpreendentes acerca deste episódio das FARC, com alguns vídeos inéditos.

O Notalatina vai continuar alerta durante toda a semana porque o governo da Colômbia se comprometeu a manter sigilo sobre as descobertas do material dos computadores de Raúl Reyes, mas sempre escapa alguma coisa que os informantes repassam. E, se calhar, neste meio pode ter alguma coisa de interesse do Brasil.

Se julgarem oportuno divulguem, mas não esqueçam de dar os créditos ao Notalatina.

Fiquem com Deus e até a próxima!

G. Salgueiro

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No way tonight!

Garschagen completamente esbodegado neste domingo. Força apenas para ver os filmes Michael Clayton e Sweeney Todd (comento aqui depois) e ler algumas páginas de A República, de Platão. Amanhã começam as atividades de um grupo de estudo do qual participo sobre o livro. Volto amanhã. Abraços, meus caros.

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Um grande clássico da MPB

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=QPmr6BhkmWQ]

Quem tiver entre 25 e 35 anos vai se emocionar com essa obra-prima do cancioneiro popular brasileiro. Esse vídeo reúne os maiores clássicos da MPB. Nem adianta torcer o nariz. Sei que você está batendo o pezinho e lembrando quantas vezes quis ser a vocalista ou o vocalista daquele grupo musical extraordinário.

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Garschagen volta à noite

Estarei fora o dia inteiro. Aulas no mestrado. Espero poder postar hoje à noite. Não me abandonem, ok?

Enquanto isso, fiquem com um poema de Mario Benedetti:

Certificado de existencia

Ah ¿quién me salvara de existir?
Fernando Pessoa

Dijo el fulano presuntuoso /
hoy en el consulado
obtuve el habitual
certificado de existencia

consta aquí que estoy vivo
de manera que basta de calumnias

este papel soberbio / irrefutable
atestigua que existo

si me enfrento al espejo
y mi rostro no está
aguantaré sereno
despejado

¿no llevo acaso en la cartera
mi recién adquirido
mi flamante
certificado de existencia?

vivir / después de todo
no es tan fundamental
lo importante es que alguien
debidamente autorizado
certifique que uno
probadamente existe

cuando abro el diario y leo
mi propia necrológica
me apena que no sepan
qu estoy en condiciones
de mostrar dondequiera
y a quien sea
un vigente prolijo y minucioso
certificado de existencia

existo
luego pienso

¿cuántos zutanos andan por la calle
creyendo que están vivos
cuando en rigor carecen del genuino
irremplazable
soberano
certificado de existencia?

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Vir para Lisboa pela Espanha? Cai fora que é roubada!

Matéria do Jornal Nacional diz que dois estudantes brasileiros de mestrado que seguiam para Lisboa foram detidos na Espanha, onde fizeram escala. Não dá para saber pela matéria qual foi o caso. A opinião dos pais e do representante da universidade onde ambos estão matriculados falam em preconceito. Pode ser, claro. Certeza mesmo, ninguém ter. A não ser que os responsáveis pela detenção, acometidos de uma profunda dor moral, comecem a gritar como um personagem de Nelson Rodrigues: “Sou um preconceituoso! Um grande pecador! Um grande pecador, ouviram bem?” Mas isso, claro, não vai acontecer.

Funcionários de governo que trabalham em embaixadas, setores de imigração ou quaisquer departamentos correlatos são gente, digamos, especiais. Agem ao sabor do humor do dia. Ou da hora. Ou do café que esfriou. São previsíveis em suas imprevisibilidades.

Conheço vários estudantes brasileiros que fizeram escala na Espanha antes de chegar aqui em Lisboa. Tudo certo, tudo normal. O máximo que um deles sofreu de abuso foi aturar o vizinho de cadeira cantarolando uma música do Julio Iglesias, o que me lembra a resposta do Francis quando perguntado se havia sido torturado durante a ditadura militar: “sim, o carcereiro ouvia Wanderléa o dia inteiro”.

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Que venham outras marchas internacionais contra os TERRORRISTAS das Farc!

No dia 4 de fevereiro foi realizada em vários países uma manifestação contra as Farc. Me junto à competente e abnegada Graça Salgueiro e ao povo colombiano na divulgação tardia do evento na esperança de que os novos acontecimentos estimulem outras manifestações contra os terroristas financiados pelo tráfico de drogas:

Mobilização Mundial contra as FARC

Uma grande marcha internacional está sendo organizada na Colômbia e no mundo inteiro no dia 4 de fevereiro deste ano. O povo colombiano e todos os que o apóiam vão conscientizar a opinião pública mundial sobre o horror que vive diariamente o povo colombiano por causa de um bando terrorista: as FARC. O objetivo é um só: que simples cidadãos manifestem ante o mundo inteiro a dor da Colômbia e dizer simplesmente:

NÃO MAIS FARC!
NÃO MAIS ataques às populações mais vulneráveis!
NÃO MAIS seqüestros!
NÃO MAIS massacres e assassinatos!
NÃO MAIS ações terroristas!

Haverá manifestações, marchas, encontros no próximo dia 4 de fevereiro na Colômbia e no mundo inteiro: Paris, Nova York, Londres, Madri, Buenos Aires, Miami, Sidney, Barcelona, Munique, Toronto, Filadélfia, Boston, Quito e ainda muito mais cidades.

COLÔMBIA: UM PAÍS QUE SOFRE HÁ MAIS DE 50 ANOS

O seqüestro é um dos atentados mais horrorosos que pode ser cometido. A Anistia Internacional, em seu comunicado de imprensa em 10 de janeiro de 2008, declarou que “O seqüestro representa uma violação flagrante do direito internacional humanitário e pode costituir um crime de guerra”. Clara Rojas em suas primeiras declarações depois de sua libertação, disse sobre as FARC: “eles mantêm pessoas seqüestradas”, o que constitui “um delito de lesa-humanidade”.
As cifras das FARC:
774 reféns seqüestrados atualmente na selva colombiana (números oficiais)
400 pessoas seqüestradas só em 2007
6.772 pessoas seqüestradas nesta última década

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EXTRA! EXTRA! Novo romance de Paulo Francis!

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Quando li pela primeira vez os romances de Paulo Francis fiquei angustiado. Angústia provocada pelo turbilhão de salitre e breu (copyright William Blake) que jorrava do Cabeça de papel e Cabeça de negro. Os dois volumes foram todos rabiscados. Muitas vezes tinha que voltar páginas para entender personagens que entravam e saíam sem qualquer explicação, aceno, bye, bye, so long, farewell.

Deixei os livros dormindo alguns anos na estante. Ainda ficava incomodado por não ter conseguido entrar nos romances. E só se insiste dessa forma, antes de considerar o escritor uma besta sem talento, se se pensar que há algo de valor escondido pela linguagem alucinada e inside joke de uma época que não a sua. O que fiz? Abria os livros em qualquer página e lia o parágrafo no qual a vista primeiro focalizava. O parágrafo levava a outro e lá ia Garschagen atravessando mais páginas do que deveria. “Do que deveria” porque a idéia era ler os romances de forma fragmentada, como extratos do Diário da Corte. Deu certo, comigo.

Leio hoje na Folha (assinante) sobre o lançamento do romance que Francis deixou escrito. Se for como os outros, lerei o livro inteiro para depois aproveitá-lo em doses homeopáticas. Ter Francis, o precursor dos blogues de qualidade, em evidência é sempre bom, sempre civiliza.

O livro-confusão de Francis

Chega às livrarias “Carne Viva”, romance inédito de Paulo Francis que teve sua publicação adiada por mais de dez anos e sofreu modificações

Paulo Francis na redação da Folha, em 1982; livro inédito “Carne Viva’ chega às livrarias no próximo dia 15, com mudanças feitas nos originais deixados pelo autor

MARCOS STRECKER
DA REPORTAGEM LOCAL

Waaal… Demorou dez anos, mas finalmente ficou pronto. Chega às livrarias no próximo dia 15 o aguardado romance inédito de Paulo Francis (1930-1997), prometido há mais de uma década e que fecharia o ciclo iniciado com “Cabeça de Papel” e “Cabeça de Negro”. Antes mesmo da sua publicação, “Carne Viva” já tem uma longa história. A começar pelo título, que originalmente seria “Jogando Cantos Felizes”.

Aos fatos. O livro, que agora será lançado pela Landscape (editora que comprou o catálogo da editora Francis, fundada em 2002), seria publicado em 1998 pela Companhia das Letras. Antes de morrer (em 1997), Francis mostrou os originais para o editor Luiz Schwarcz, que sugeriu modificações. Segundo a jornalista Sonia Nolasco, viúva de Francis, ele não concordou com todas as mudanças.

“Concordou com a maioria, que fez à mão. A editora Francis tem cópias, e também o Luiz. Como editora do livro, eu respeitei tudo”, afirma Nolasco. A versão que chega agora às livrarias, portanto, tem alterações que teriam sido decididas de comum acordo entre Francis e Schwarcz, executadas por Sonia Nolasco.

Luiz Schwarcz confirma e diz que “seria difícil avaliar se o resultado está próximo do sugerido”, pois afirma que não guarda mais o original. Há um ano, Roberto Nolasco, irmão de Sonia e então responsável pela editora Francis, já planejava a publicação do livro. Disse na época que cogitava chamar amigos do jornalista para que fizessem três finais para a obra. Sonia nega enfaticamente que o livro estivesse inacabado. “Carne Viva” foi completado, totalmente, muito antes da morte do autor”, afirmou à Folha.

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