“Hoje em dia não é mais assim”? Vai catar coquinho!
Cansa-me a beleza ler velhotes e juvenis idealizando o passado, que o segundo sequer tem. Por que sempre que se elogia um escritor, intelectual ou o torneiro mecânico a frase vem acompanhada daquele horrendo “hoje em dia não é mais assim”? Por causa de genialidades ou maravilhas pontuais e circunstanciais converte-se um período do passado numa época perfeita.
O maior mito é o de que “antes” todo mundo lia e era mais inteligente do que hoje. Coisa nenhuma! A quantidade de adultos ou velhotes idiotas que já conheci só reforça a tese de que os idiotas têm garantida sua cota de existência na espécie humana. Se hoje há mais idiotas é porque há mais gente no mundo. Percentualmente, repito, acho que seja equivalente ao longo da história. E se o ensino “antes” era, de fato, melhor, os velhotes são piores do que os juvenis que serão velhotes amanhã ou depois de amanhã. Estes ainda podem jogar a culpa da burrice individual no sistema de ensino e vão sempre contar com a simpatia de seus pares, conhecidos ou não.
A partir de hoje passe a reparar em certos textos. Se o sujeito ou a sujeita terminar a frase com “antes isso não acontecia”, “antes é que era melhor”, deixe o texto de lado ou, como diria Dorothy Parker, atire-o para longe com toda a força.
Era o que eu tinha a dizer.
(PS: Gostei dessa frase final)
PS: Murilo me puxou a orelha e coloquei entre o “tinha” e o “dizer” um “a”, que, uau!, deveria estar lá! Obrigado, Murilo.
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As pessoas andam confundindo conservadorismo (a preservação de valores civilizatórios)com a nostalgia que é, na verdade, a saudade de um passado idealizado… Grande Bruno: lúcido como sempre!
Concordo, Bruno. Velhacaria existiu em qualquer época. O passado é sempre “perfeito” a algumas pessoas para que as mesmas o idealizem do jeito que lhe convêm.
PS: Realmente sua frase final foi matadora, mas o que gostei mesmo foi do post inteiro.
Antigamente os posts eram melhores (rs).
Bem… taí uma prova em contrário.
PS_tu: Obrigado pelo link.
Ah, já que ambos gostamos daquela frase final, que tal colocar um “a” entre o “tinha” e o “dizer”. Hehe…
Boa, Bruno, já não suporto aqueles velhos e velhas que se acham os maiores sábios porque com idade para tal. Um porre! Como se o passar dos tempos facultasse a alguém sabedoria.
E, por falar em (falta de) sabedoria, o que está acontecendo com O Insurgente? Foram invadidos por marcianos vermelhos?