Archive for Janeiro, 2008

2008 começou. Vamos trabalhar, né?

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O primeiro dia do ano é marcado por uma tristeza profunda nos olhos e no corpo de quem passa. Até o dia fica triste. Você pode pensar que é ressaca, mas não. É a manifestação pública das oscilações da felicidade, que surge como uma explosão e acaba, invariavelmente, com certo lamento (escrevi isso no texto sobre o Ano Novo).

O fim do ano passou e é hora de juntar os cacos para enfrentar a semana e o trabalho árduo no novo ano que começa. Eu podia estar dormindo, descansando, ouvindo música, enfim, tentando matar o tempo, mas o tempo só nos enterra se ficarmos parado. No primeiro dia do ano o trabalho rendeu. É prenúncio do que está por vir? Sei lá eu. Mas queria menos trabalho e mais dinheiro. Enquanto o mais dinheiro não vem só resta o trabalho. E vamos trabalhar, né?

PS: Nos dois posts abaixo reproduzo trechos de dois textos que escrevi para o site Americas Reporter.

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O trio que enterrou o império

Por Bruno Garschagen, de Lisboa

Quem matou o império soviético? À pergunta, feita de maneira rápida, a maioria das pessoas tende a responder que o responsável pelo fim da Rússia soviética foi o senhor Mikhail Sergeyevich Gorbachev. A participação dele na história é conhecida. Mas suas ações, por si só, levariam a URSS à ruína? Não é o que diz a vasta literatura sobre o período e, agora, narrando os bastidores políticos, John O’Sullivan, tarimbado comentarista e jornalista britânico, que também foi conselheiro especial da primeira-ministra inglesa Margareth Thatcher.

O’Sullivan acaba de lançar em Portugal “O presidente, o Papa e a primeira-ministra” (Alêtheia Editores, Lisboa), livro que mostra pela primeira vez como a ação concomitante de três personalidades políticas em suas esferas de influência foram capitais para a derrubada do regime soviético. O presidente dos EUA Ronald Reagan, o Papa João Paulo II e a primeira-ministra Margareth Thatcher, segundo o livro, nunca fizeram uma conspiração para implodir o comunismo, mas talvez não teriam sido tão eficazes na missão se atuassem de forma combinada.

O livro, lançado nos Estados Unidos no fim do ano passado, mostra como os três, especialmente Thatcher e Reagan, mantiveram contatos diretos com o objetivo de minar o poder soviético. E como cada um deles atuou de forma marcante e vigorosa na defesa das liberdades individuais, democráticas e religiosas. A junção das forças históricas não poderiam ser mais eficazes.

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Os europeus redescobrem a África

Por Bruno Garschagen, de Lisboa

Nem só de discursos e otimismos exagerados, polêmica, protestos e altas expectativas foi feita a II Cimeira UE/África, realizada em Lisboa no início do mês (a primeira foi em 2000, no Cairo). Talvez o ponto mais importante do encontro entre líderes da Comunidade Européia e dos países africanos tenha sido o aprofundamento do diálogo entre os dois continentes, condição fundamental para que os projetos de parceria política e econômica sejam, de fato, desenvolvidos.

Um dos mais lúcidos líderes de governo era o primeiro-ministro de Cabo Verde, José Maria das Neves. Mesmo provocado por um jornalista da TV pública RTP a respeito dos reflexos do colonialismo na África, o primeiro-ministro manteve-se ponderado: declarou que não era produtivo para qualquer dos lados ficar buscando justificativas para os erros do passado de forma a evitar que essas questões, que nem faziam parte dos temas da Cimeira, atrapalhassem os projetos de presente e futuro nas relações entre África e Europa.

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