De como Jane Austen me faz sentir muito melhor
Sei que isso não é de todo interessante, mas, aos 32 anos, e confesso isso um tanto quanto compungido, cozinhei pela primeira vez. Tenho horror a blogues que servem como confessionários estéreis, mas calhou de ser o momento de falar minimamente sobre minha vida em Lisboa. O que cozinhei? Não esperem muito. Uma massa simples, que ficou bastante saborosa. É claro que o vinho estava muito melhor do que a comida, mas a adega que fez o vinho, leio aqui no rótulo, tem muito mais experiência do que eu - algo, que, aliás, louvo com todas as papilas gustativas disponíveis.
Mas, para não chateá-los com dotes culinários que não tenho, o elemento essencial da preparação do prato, ou dos momentos em que eu não precisava efetivamente cuidar do prato, foi o que dediquei à leitura de alguns trechos de Pride and prejudice, de Jane Austen. Acho que nunca falei aqui neste blogue sobre minha paixão por Jane Austen. Estou relendo, vagarosamente pela internet e agora na língua original, um livro que me trouxe imenso prazer: estético, intelectual, politico, sentimental.
Chapter XIII
“I hope, my dear,” said Mr. Bennet to his wife, as they were at breakfast the next morning, “that you have ordered a good dinner to-day, because I have reason to expect an addition to our family party.”
“Who do you mean, my dear? I know of nobody that is coming, I am sure, unless Charlotte Lucas should happen to call in–and I hope MY dinners are good enough for her. I do not believe she often sees such at home.”
“The person of whom I speak is a gentleman, and a stranger.”
Mrs. Bennet’s eyes sparkled. “A gentleman and a stranger! It is Mr. Bingley, I am sure! Well, I am sure I shall be extremely glad to see Mr. Bingley. But–good Lord! how unlucky! There is not a bit of fish to be got to-day. Lydia, my love, ring the bell–I must speak to Hill this moment.”
“It is NOT Mr. Bingley,” said her husband; “it is a person whom I never saw in the whole course of my life.”
This roused a general astonishment; and he had the pleasure of being eagerly questioned by his wife and his five daughters at once.
After amusing himself some time with their curiosity, he thus explained:
“About a month ago I received this letter; and about a fortnight ago I answered it, for I thought it a case of some delicacy, and requiring early attention. It is from my cousin, Mr. Collins, who, when I am dead, may turn you all out of this house as soon as he pleases.”
“Oh! my dear,” cried his wife, “I cannot bear to hear that mentioned. Pray do not talk of that odious man. I do think it is the hardest thing in the world, that your estate should be entailed away from your own children; and I am sure, if I had been you, I should have tried long ago to do something or other about it.”
Os diálogos são uma delícia - e não consigo pensar numa expressão mais original e menos óbvia dado o adiantado da hora e o vinho que, como disse um amigo, “não cessa de terminar”. Prazer semelhante tenho ao ler os diálogos escritos por Oscar Wilde - e lembro que devo uma resposta a um grande amigo que me cobra acertadamente minha fascinação pela Inglaterra. A resposta vai depois.
3 Comments so far
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Mr. Collins e sua sabujice infindável, meu quase preferido… mas há Mr. Bennet e sua ironia… tudo bem eu confesso minha queda pela franqueza e a bela propriedade de Mr. Darcy!
Bruno, você viu a última versão para o cinema de Pride? Tom Hollander estava um Mr. Collins impagável!
um abraço, raquel
Jane Austen. O primeiro livro que li em inglês foi Razão e Sensibilidade. Gosto muito. Que boa lembrança, Bruno.
Se puder me passar o link da versão online do livro, ficaria muito grato =]