É preciso ser um gênio literário? Precisamos de gênios literários?
A cada lançamento de livro de autor celebrado, surge a dúvida: é possível, nessa altura do campeonato, fazer algo novo na literatura? Algo que, valendo-se da tradição, seja representativo? Vou além: é possível esperar esse algo novo de escritores medianos que ocupam as capas das publicações literárias? O decurso do tempo não tem sido generoso com essa turma. E sempre lamento os hectares de árvores cortadas para imprimir tanta coisa deplorável ou que, de tão insossa, também não vale um caule de eucalipto.
Qualquer pessoa que já tenha conversado com um eloqüente escritor mediano sabe que o único sentimento que suplanta nele a vaidade é o desejo inflamante de escrever uma obra-prima, e este é uma das causas de sua miséria. O gozado é que não consegue, sequer, forjar um livro mediano. A maioria dos escritores acalenta o sonho, mesmo que escondido no banheiro, de entrar para o panteão literário. Nada de mau, certo? Errado. Esse desejo vira uma obsessão paralisante e improdutiva.
Fica sempre a dúvida, a mais cruel das dúvidas. Por que diabos o sujeito não espera o necessário tempo de maturação interior para só depois lançar palavras no papel ou no HD do computador? Por qual razão não lapida o que escreve, não guarda os textos na gaveta para voltar a eles tempos depois e, assim, analisá-los de novo, reescrevê-lo se preciso, jogar no lixo, se necessário? Por que essa sanha de querer ser publicado?
Se houve um tempo no qual escritores transformavam suas doenças do corpo, mentais e psíquicas em boa literatura, vemos hoje escritores adoecendo a literatura para conseguir celebração, coquetéis, viagens, resenhas nos jornais, quem sabe até uma foto na revista Caras. Se herdar é humano, como diria Millôr, só quero minha parte no bom quinhão, asséptico e são.
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No Brasil todos querem ser Guimarães Rosa, não um Graham Greene, autor de qualidade que não aspira atingir a genialidade. Seria ótimo para as nossas letras que esses autores assumissem suas limitações e produzissem seu melhor dentro delas.
Quanto a publicar jovem, mantenho minha posição de que os novos autores não querem SER escritores, mas ESTAR escritores. Parecem enxergar glamour em aparecer na Flip, no Paralelos e companhia. Ou de beber na tal Mercearia São Pedro.. daí a pressa de jogar alguma coisa na estante e poder assinar “Fulano, escritor”. Embora muitos façam isso até antes de publicar..
[…] 1 2008 por Alessandro Martins · Sem comentários Recomendo a leitura do artigo É Preciso Ser um Gênio Literário?, no blog de Bruno Garschagen. Se houve um tempo no qual escritores transformavam suas doenças do corpo, mentais e psíquicas em […]
Bruno, não abro mão de querer ser gênio, mas sei que ainda estou bem longe disso. Por isso leio muito, reescrevo muito e publico bem pouco. Mas entendo o que você quer dizer: que sem esforço não é possível chegar lá, então ou se esforce ou desista… e concordo plenamente.
Fico imaginando quantas feridas seriam curadas se a literatura fosse também curada. Acontece que, o conteúdo muitas vezes não alcança o talento e outros partem antes de virarem estrelas. É como a cadente que nunca foi vista, só naquele momento e infelizmente poucos perceberam riscar os espaço. As críticas envelhecem as letras quando o sentido delas são, descontaminem meus olhos que são raros para o que se vê por ai.
Infelizmente!