Educação? Para sair do caminho da servidão que se dê uísque para as crianças
Thomas Huxley tinha razão? Em sua época, afirmava que a política educacional estava assentada em duas enormes falácias. Primeira delas: o intelecto, sendo uma caixa de ideias autónomas, podia ser “aberto” e nele introduzido novas idéias. Segunda falácia: por serem semelhantes, todas as mentes podiam ser beneficiadas como o mesmo sistema de ensino. “Sendo as mentes organismos vivos e não caixotes do lixo, irremediavelmente dissimilares e não uniformes, os sistemas oficiais de educação não são como seria de esperar, particularmente afortunados”, torpedeou Huxley no livro Sobre a democracia e outros estudos.
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E por qual razão, Garschagen, tratas disso? Respondo, ligeiro: mal cheguei a Lisboa, há um mês, e fui atropelado pelo debate sobre as novas diretrizes centrais sobre a educação em Portugal. Pelo que li, discute-se a sério uma tolerância extraordinária com alunos faltosos e a retirada de escritores canônicos do currículo escolar. No Brasil, o debate sobre educação é infindável e igualmente improdutivo. Demora-se séculos para escolher ou manter, sempre, a pior idéia.
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Em abril do finado ano de 2007, o município do Rio de Janeiro publicou uma resolução que aboliu os conceitos de avaliação Ótimo e Insuficiente, autorizou a aprovação automática e abriu as pernas para os alunos faltarem quanto quisessem às aulas. Houve uma grita geral dos educadores e dos sindicatos dos professores. O que propunham? Se a Inês ainda não é morta, que deixe tudo como está. E lá vão os brasileirinhos a seguir o caminho da servidão involuntária.
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E a quantas anda a educação no Brasil, você me pergunta? Eu respiro fundo, sorvo uma dose imperial de J&B 15 anos e respondo: quando se acha que algo não pode piorar, touché, é aí que piora mesmo. O desempenho do país no Pisa, teste internacional de qualidade da educação aplicado a cada três anos pela OCDE, mostrou que a vaca já foi pro brejo e mandou lembranças. O desempenho geral do país foi desolador. E se o mundo, segundo T. S. Eliot, acaba, não com uma explosão, mas com um lamento, o Brasil podia mudar a inscrição na bandeira. Em vez de “Ordem e Progresso”, o verso do poeta: “E tomba a sombra”.
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Numa lista que analisava 40 países, o Brasil foi o 37º colocado na área de leitura. Nas contas, somos piores ainda: último lugar em matemática. E nas ciências? Penúltimo. E se havia uma esperança no país de que as escolas privadas estivessem a salvo dessa tragédia, outra revelação aterradora: os estudantes que fazem parte da elite nacional amargaram um desempenho inferior à média dos mais pobres dos paises desenvolvidos da OCDE. No Brasil, onde a elite é a culpada de sempre de todos os males nacionais, no campo da educação, é tão vítima quanto o resto da turma. Valha-me Deus…
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Cenário desolador, porém previsível. Dá uma preguiiiiça… Só considero que Eliot não mereça menção em nossa bandeira. Ele é muito bom para acabar nisso.
Que bom vê-lo de volta, Bruno.
Bruno , como vai ? você não me conhece e cheguei a você através de uma busca google ao nome do meu antigo companheiro de trabalho e de viagens Marco Antonio de Carvalho. Quinta passada na livraria do aeroporto de Congonhas , estupefato, me deparei com uma caudalosa biografia do Rubem Braga escrita por ele . E mais estupefato ainda, chocado até, fiquei quando li na orelha do livro que ele se foi em 25 de junho do ano passado . Em homenagem ao colega que viajou comigo nos idos de 82 pelo Chile , Argentina e Peru e que foi muito próximo nos idos dos anos 80 quando ele morava em São Paulo e era casado com a bailarina Sonia Motta eu comprei o livro e estou nele mergulhado em ávida leitura aqui no meu quarto de hotel no Novo Mundo. Passo o primeiro semestre desse ano quase todo no Rio de Janeiro trabalhando . Se não fosse doloroso pra vc gostaria que me desse maiores detalhes da morte súbita do Marco que ao que parece pelo seu relato se deu aqui no Rio. Fiquei muito triste sobretudo por ele não poder desfrutar do reconhecimento que merecia por conta dessa bela biografia e por não ter podido exercer a curadoria para a qual foi contratado em Cachoeiro. Vc é conterrâneo dele ? se conheciam há muito tempo ? Bem, se puder e quiser adoraria que me contasse como foram os últimos anos da vida do Marco pois perdi completamente o contato com ele e sempre me perguntava onde ele andaria… ainda em novembro eu e duas amigas dele de Sp especulávamos sobre seu paradeiro. Queria informações a respeito sobretudo porque além de manter um blog devo retomar em breve gravações de um programa de literatura que há muitos anos conduzo em tvs educativas. Um grande abraço, perdoe a invasão
Ricardo Soares
J&B 15 anos, para quem já bebeu Grant´s de 12 pounds em Cambridge, até que Portugal está rendendo. No entanto, aposto alguns tostões que o gosto do Grant´s de Cambridge era melhor, libertador, uma resposta à situação de perrengue. Ha!ha!ha!
A nossa contribuição para o debate está no nosso blog.