Archive for Dezembro, 2007
A transição está em curso. Combater é preciso

Estamos numa importante fase de transição no Brasil. Mais e mais pessoas, jovens e adultos, estão se educando, de forma autodidata ou não, sem o peso da esquerdopatia (© Reinaldo Azevedo) reinante no sistema educacional e na cultura média do Brasil.
A internet permitiu e tem permitido o acesso e a troca de informações, um contato entre pessoas com interesses comuns, que facilita mostrar a um público cada vez maior como o país estava (e está) mergulhado num sistema de imposição de valores e costumes únicos. A ditadura militar, em tudo o que se pode avaliar de trágico promovido na parte social, política e econômica, nos legou essa herança maldita de dominação esquerdista.
Num texto sobre Carpeaux, eu escrevi que ele foi “ganho” pelas esquerdas, como muita gente boa foi. Acharam, por ingenuidade ou ignorância, que se aliar ou ser cooptado era a única forma de combater o regime militar. Claro que não era. Mas isso era certo e sabido? Não pela maioria. Naquele momento histórico já imperava o pensamento único e mortalmente moral de que a única saída era pela esquerda. Claro, se a ditadura militar era a direita, pensavam os inocentes úteis, só restava a esquerda. Veja que me limito aqui a destacar a participação também fundamental dos inocentes úteis nesse legado nefasto e, com isso, atribuir a enorme responsabilidade dos ideólogos, políticos, homicidas, bandidos e tarados da esquerda que fez do Brasil um grande e fedorento mictório de Duchamp.
Mas eu dizia que estamos numa importante fase de transição. A face pública e notória dessa mudança é termos como colunistas de peso da imprensa nacional Diogo Marnardi, Reinaldo Azevedo e Olavo de Carvalho. E alguns outros não menos importantes, mas menos celebrados, como os excelentes Ali Kamel (O Globo), Demétrio Magnoli (Estadão), Carlos Alberto Sardenberg (O Globo, Jornal da Globo e CBN).
E o que tem de blogue brasileiro combatendo a ditadura do pensamento único e do sistema de lavagem cerebral em nossa educação e cultura é um negócio extraordinário.
Tenho conhecido mais e mais jornalistas brasileiros, jovens ou não, que conseguiram por conta própria, ou ajudado por alguma boa alma, quebrar os grilhões, crudelíssimos porque invisíveis à maioria (e você sabe muito bem como boa parte das redações pátrias são formadas por gente da esquerda groselha). E não são só profissionais ligados à área de humanas; são engenheiros, matemáticos, biólogos, químicos, que não se deixam levar pela conversa mole dos vermelhinhos banguelos. E esse pessoal é bastante ativo na blogosfera.
Na literatura brasileira, o único e notável exemplo que me ocorre é o do escritor Antonio Fernando Borges, cujo livro Bras, Quincas & Cia é uma preciosidade de estilo, de estética e de filosofia. A defesa que faz do indivíduo é algo não só raro como desconhecido entre nossos escritores contemporâneos.
É preciso não só atentar para esse movimento em curso, mas agir para que esse movimento se consolide e permita que cada indivíduo tenha liberdade para escolher seu modo de vida sem estar condicionado pela garra invisível da esquerda. Enquanto a mão invisível de Adam Smith deixa o mercado trabalhar, a garra invisível da esquerda crava na jugular de cada brasileiro: ou segue a cartilha ou perde a vida.
O movimento está em curso. Continuemos a combater no bom combate. A ajudar quem combate. Nossos filhos e netos vão nos agradecer por isso.
5 commentsPrecisamos de educação liberal

Você, por certo, sabe o que é educação clássica, pois não? Não? Não faz mal. É o seguinte:
Terminologia: educação clássica e educação liberal
É preciso fazer alguns esclarecimentos quanto a terminologia utilizada em nosso site. O que estamos aqui chamando de “educação clássica” é idêntico ao que os anglo-saxões chamam de “liberal education” que costuma ser traduzido por “educação liberal”.Ao invés de seguir a tradução corrente, optamos por propor um novo termo para evitar ambiguidades. Temos observado que, quando falamos em educação liberal, as pessoas costumam associá-la ao liberalismo econômico - o que é um grande equívoco.
Uma liberal education necessariamente se coloca acima de qualquer partidarismo ideológico - seja de esquerda ou de direita. Seu objetivo final é ensinar o aluno como pensar e não de dizer o quê ele deve pensar. Por isso, é totalmente despropositado identificar qualquer filiação política a esta filosofia educacional.
A origem da palavra liberal neste termo vem de liberdade, que é o que o aluno deverá alcançar depois de conhecer em primeira mão as fontes originais do pensamento ocidental.
Acreditamos que o termo educação clássica é preferível tanto por transmitir de maneira direta esta noção - absolutamente central - da importância da tradição cultural como por evitar as associações ideológicas externas ao tema em questão.
Trato do assunto porque Lucas Mafaldo está desenvolvendo um trabalho importantíssimo nessa área de educação, o Aristoi. A idéia merece não só nosso parabéns, mas nosso apoio efetivo. Eu já estou dentro. Os planos do Aristoi é:
1 commentO que iremos fazer
Nosso objetivo é traduzir e publicar dezenas de livros sobre educação liberal e conservadorismo; um material que há décadas circula pelo primeiro mundo e, do qual, apenas fração chegou ao público brasileiro.
O que precisa ser feito
Nosso projeto tem quatro etapas principais: aquisição dos direitos autorais, tradução, diagramação, impressão e distribuição. A aquisição dos direitos autorais precisa ser negociada diretamente com os detentores. A tradução precisa ser feita por pessoas competentes o suficiente para produzir um trabalho de qualidade. A impressão e a distribuição podem ser terceirizadas, mas correspondem às partes mais onerosas do projeto.
Como será feito
Nós cuidaremos da negociação dos direitos autorais. A tradução será feita com uma combinação de trabalhadores voluntários e profissionais contratados. Como é importante garantir a qualidade da tradução, nenhum texto ficará exclusivamente sob a responsabilidade de um amador. Tradutores voluntários podem traduzir artigos mais curtos e simples, mas serão supervisionados por alguém com mais experiência.
Quando o conteúdo do livro estiver pronto, faremos uma pesquisa para encontrar a maneira mais barata de imprimir o livro. A distribuição pode ser feita pelo próprio site do Aristoi, mas estudaremos outras alternativas.
Como será levantado o dinheiro para o projeto
Nosso plano inicial era criar um site por assinatura para financiar este projeto. Isto ainda está em nossos planos, mas depois de analisar a idéia com cuidado, vimos que isso não seria viável a curto prazo. Por isso, a idéia foi adiada, mas não abandonada.
Por enquanto, vamos recorrer a doações na fase inicial do projeto e, depois, a parcerias e incentivos fiscais na etapa final. Nós utilizaremos as doações para adquirir os direitos autorais e pagar os revisores das traduções. Quando estivermos com esta etapa adiantada, nós daremos entrada nos órgãos de incentivo a cultura e procuraremos empresários para investir no projeto.
O motivo desta divisão é que na etapa inicial é muito difícil conseguir financiamento por estes órgãos e ela é relativamente pouco onerosa. A etapa mais cara é a da impressão, mas, por outro lado, com o conteúdo pronto ficará mais fácil encontrar empresários que queiram nos ajudar.
O que você pode fazer para nos ajudar
Caso você também perceba a importância do nosso projeto, considere a possibilidade de fazer uma doação para o colocarmos em prática. Somos um grupo de pessoas dedicadas e bem-intencionadas, mas de recursos limitados. Esperemos poder contar com sua ajuda.
A ajuda mais imediata que você pode nos dar é realizar uma doação através dos botões ao lado. Esse dinheiro será diretamente utilizado para adquirir os direitos autorais dos livros que iremos traduzir. Antes de termos fechado o contrato pelos direitos, fica arriscado começarmos a tradução, pois se não conseguirmos negociá-los posteriormente, teremos perdido muito tempo caminhando na direção errada.
Ao lado, você tem a possibilidade de utilizar o PagSeguro e o PayPal; respectivamente, os serviços nacional e estrangeiro mais respeitados do mercado.
Qualquer contribuição nos ajudará a avançar a causa da educação liberal e do conservadorismo em nosso país.
Outras maneiras de ajudar
Além das contribuições financeiras, há muitas maneiras importantes de ajudar o nosso projeto. A mais importante certamente é divulgar este site entre seus amigos e conhecidos. Para difundirmos a educação liberal, precisamos levar estas idéias a outras pessoas - e precisamos de sua ajuda para fazer essa divulgação.
Encaminhe nosso link para seus conhecidos. Inscreva-se e incentive os outros a se inscreverem em nossa newsletter. Em apenas um clique e um segundo, você receberá um boletim mensal com as principais novidades do nosso site e do nosso projeto.
Os livros que serão traduzidos
Aqui está apenas uma pequena seleção dos primeiros livros que pretendemos publicar. Esta lista não está fechada, assim como estamos abertos a sugestões. Ela servirá apenas como um guia inicial.
Russell Kirk - A mente conservadora: de Burke à Eliot
Thomas Woods - Como a Igreja Católica construiu o Ocidente
Richard Weaver - As idéias têm conseqüências
Ludwig von Mises - Teoria e História
Mortimer J. Adler - vários títulos
Pr. James V. Schall - vários títulos
Jacques Barzun - vários títulosNotas finais
Caso queira discutir este projeto conosco, entre em contato através do formulário dessa página: http://www.projetoaristoi.com/contato.asp
Para manter-se atualizado do que estamos fazendo, assine nosso boletim no menu à direita.
Para nos ajudar, faça uma doação através dos botões que se encontram igualmente no menu à direita.
Dry Martin e Whisky Armstrong, ou something else
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=4NlfWa-KEk0&rel=1]
O domingo pede Dean Martin e Louis Armstrong. Foi logo depois de beber meu dry martini de café da manhã (aqui em Portugal chamado de pequeno almoço) que pensei, puxa, hoje o dia pede Dean Martin e Louis Armstrong. Daí achei o vídeo acima. E estou aqui há horas estalando os dedos e tomando dry martini. Mas é preciso trabalhar, estudar, sei bem, e aqui ao meu lado a Fundamentação da metafísica dos costumes me olha como pedinte à espera de moedinha. Pedi para Kant esperar. Vou escrever mais um post hoje e depois mergulho nos estudos. Uau, como está bom esse dry martini.
PS: E aí você me pergunta: Garschagen, por que dry martini e não uísque? Simples, meu caro. O uísque precisa durar pela tarde e noite afora.
No commentsOnde está Garschagen? Aqui, ué!
Pois é, não voltei. Chega de desculpas, né, ô Garschagen? Ou escreve ou fecha o blogue, pombas! Com mil bacalhaus! Aqui já é domingo, uma da manhã. O Brasil ainda demora duas horas para chegar lá. Tudo bem. Logo mais tarde, então, volto aqui. Tenho um texto já rascunhado. É só lapidar. Comportem-se, hein, leitores! Não me demoro.
No commentsJantar hoje, volto amanhã
Caros, vou a um jantar especialíssimo hoje. Amanhã terei o que postar aqui. Um leitor amigo pediu uma entrevista com o João Pereira Coutinho. Vou tratar disso hoje. Dou retorno. Abraços e comportem-se neste sexta, ok?
PS: Foto tirada no Baixo-Chiado, centro de Lisboa.
2 commentsRevistas, leituras, negligência

Ainda estou tentando adequar meu tempo para dar conta dos estudos, frilas e o blogue, que, claro está, continua negligenciado. Mas logo logo as coisas entram no eixo. Algo que vai me ajudar bastante é o fato de o Instituto de Estudos Políticos onde faço o mestrado ter assinaturas de boas revistas inglesas e americanas (o problema é que sempre está disponível o número de uma semana antes. Nada é perfeito…).
Vi hoje as edições do Times Literary Supplement e do New York Review of Books (da semana passada, portanto). Matéria de capa eram as escolhas dos melhores livros do ano. E há dois textos que me interessam e tentarei comentar aqui. Um sobre Sarkozy. No TSL desta semana, um bom artigo sobre Ronald Dworkin.
Também passei os olhos pelo New York Review of Books e me detive num texto bastante sedutor falando de como o cristianismo e o sentimento religioso foram fundamentais para o poeta W. H. Auden compor sua obra. Quem tiver acesso à revista, recomendo vivamente o texto.
Pelo menos as edições de The Economist, The Spectator, National Interest, New Criterion, chegam no tempo certo. Estou me esfalfando para voltar a conduzir este barco com o mesmo vigor. Vamos nós!
No commentsVenezuela salva? Leia Notalatina
Atenção, meus caros leitores. A Venezuela só resiste pelo seu povo, cuja maioria rechaça Chávez. Clique na nota abaixo para ler o texto integral do notável site Notalatina sobre a derrota do feioso no referendo:
PS: Parabéns pelo trabalho, G. Salgueiro!
No commentsLisboa 11 graus
Foi impossível postar qualquer texto ontem. Hoje idem. Para não passar em branco, insiro uma foto que tirei aqui hoje de manhã em Lisboa, da janela do meu apartamento. 11 graus. Cheers!
No commentsRevista portuguesa Atlântico publica entrevista com Reinaldo Azevedo

A revista portuguesa Atlântico deste mês publica entrevista que fiz com o jornalista Reinaldo Azevedo. Quem quiser adquirir a revista basta entrar em contato com revista.atlantico@gmail.com.
Uma prévia? Pois não! Olha só:
4 commentsPorque é que a esquerda, ainda hoje, seduz jovens e continua a ser o cárcere de muitos adultos e velhos?
A resposta mais ampla que consigo dar é esta: porque ela substitui a religião – às vezes, elas casam-se. Toda a religião é finalista e tem um horizonte escatológico. O comunismo também. Mais: o pensamento deixou-se capturar por uma farsa que é inteiramente da lavra de Marx: a marcha da história que conduziria a humanidade fatalmente ao socialismo, uma etapa da evolução, até a chegada, então, do fim da história, com o comunismo. Mas ele não se conformou em ser apenas um fatalista idiota. Era também um militante comunista.
E, portanto, tinha os seus inimigos: tudo aquilo que retardasse ou impedisse a marcha revolucionária deveria ser combatido da mesma forma como os grandes monoteísmos combatem as tentações. E, claro, há a justiça social. Nesse caso, trata-se mesmo de uma tragédia para o pensamento. E é antiga. O marxismo é só uma versão mais ampla – e com mais alcance teórico – do jacobinismo. Passou a ser uma verdade inquestionável a suposição de que o principal objectivo da esquerda é fazer justiça social e de que a igualdade é o seu bom norte moral. Como se capitalismo fosse sinónimo de injustiça.
Enfim, a final da Copa de Literatura Brasileira

Música perdida, de que está longe de ser um livro sequer recomendável, venceu o Copa de Literatura Brasileira. Votei nele. Seu concorrente, Um defeito de cor, trazia, digamos assim, muito mais do que um defeito de cor. Vá no site para ler todas as justificativas dos jurados. A minha vai logo abaixo:
Bruno Garschagen: Parece um metrônomo. Música perdida, de Luiz Antonio de Assis Brasil, parece seguir a marcação de um metrônomo. As frases duram o tempo preciso do andamento. Na maior parte do romance, com pêndulo acelerado. Faça o teste. Ligue um metrônomo e leia. Varie a velocidade do pêndulo entre 40 a 250 batidas por minuto e terá a medida dos parágrafos. Assis Brasil soube dosar a marcação com palavras curtas, que cabem na história e na música sem harmonia que compõe o livro.
Não há uma boa sonoridade no texto de Música perdida. A orquestra é desarmônica. Assis Brasil sabe escrever, mas não fez uma obra marcante. Tudo é marcado demais, direto, cru. O personagem principal é a música perdida ou o autor da obra? Cada leitor pode fazer sua escolha e mesmo assim não terá um personagem que prenda, que emocione, que fique reverberando após a leitura.
Sobre Um defeito de cor, já apontei aqui os muitos vícios, as poucas virtudes. Ana Maria Gonçalves não expõe em nenhum momento uma centelha que seja de talento literário, ao contrário de Assis Brasil, que mostrou, pelo menos, ser um escritor.
Apontei como qualidade no livro de Ana Maria o ambicioso projeto, mas que continha um problema técnico grave. Repito o que escrevi: sua personagem-narradora, Kehinde, se mostra a mesma tanto criança quando velha. A passagem do tempo só é percebida pelas datas, não pela maturidade do pensamento. O livro, além disso, vence o leitor pelo excesso, que se converte em chatice. Um defeito de cor, pelos defeitos conjugados com a extensão, se torna chato e penoso como a viagem de navio da África para o Brasil.
Não é, infelizmente, uma grande final — e ainda me pergunto por que diabos Memorial de Buenos Aires, de Antonio Fernando Borges, não está nesta final. Mas, pela centelha literária, Música perdida vence por 1 a 0.
PS: Obrigado, Lucas, pelo convite e idéia.
No comments