Copa de Literatura Brasileira: quem ganhou?

Minha resenha na Copa de Literatura Brasileira foi publicada hoje. Quer saber quem ganhou? Se não for nenhum incômodo, por favor, dê uma passada lá. Reproduzo, aqui, apenas um trecho:
Oitavas de final - jogo 8
Os vendilhões do Templo, de Moacyr Scliar x Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves
Jurado: Bruno Garschagen
Definir literatura como uma variedade da arte, a arte literária, acepção usada por José Veríssimo, esclarece o tom da crítica. Se literatura é arte o padrão de julgamento é o mais alto; a cobrança, portanto, é muito maior. Mas a literatura não pode ser encerrada simplesmente no julgamento frio comparativo com os cânones. A emoção está para a literatura como a melodia para a música. E na relação da emoção com a palavra que a diz, estou com o escritor e ensaísta português Vergílio Ferreira (1916-1997), para quem o seu movimento é inverso ao que acontece com a música ou a pintura. “A emoção de um quadro resolve-se numa palavra terminal. Mas a literatura parte dessa palavra para se chegar à emoção. Assim, pois, a ‘idéia’ é o seu elemento nuclear, ainda que uma associação imprevisível de palavras a disfarce.”
Toda essa peroração para falar de dois livros: Os vendilhões do Templo, de Moacyr Scliar, e Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves. Ambos têm background histórico e não são bem sucedidos ao tratar a passagem do tempo. Scliar faz uma aproximação malsucedida com o presente ao tentar estabelecer uma crítica ao capitalismo na figura caricatural do vendilhão do Templo, o personagem principal de seu romance, que, não sem propósito, não tem nome. No caso de Ana Maria, há um problema técnico grave: sua personagem-narradora, Kehinde, se mostra a mesma tanto criança quando velha. A passagem do tempo só é percebida pelas datas, não pela maturidade do pensamento.
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