Os papos no Café

Lembra que prometi reproduzir hoje trechos do livro Conversas no café - uma seleção de entrevistas do Café Colombo, do pessoal de Pernambuco? Pois é. Selecionei aqui respostas das entrevistas de que mais gostei. Dá uma olhada:

Entrevista com Reinaldo Azevedo
À medida que o pensamento politicamente correto foi importante para o Brasil, à medida que o PT foi se criando, foi se formando e foi se infiltrando nas redações, então a isenção virou o biombo atrás do qual se esconde a manipulação política e a adesão descarada de boa parte dos jornalistas ao PT.
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Durante um certo tempo e ainda hoje, o Concretismo impõe uma leitura da poesia brasileira, fez algumas reputações absolutamente lamentáveis do ponto de vista do trabalho e do objetivo que tinham, ganhou a crítica dos jornais. E poetas que não pensavam segundo aquela cartilha eram banidos.
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Bruno Tolentino é um dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos, talvez o nosso maior poeta vivo e, no entanto… Aí são duas patrulhas que se somam, no caso dele. Tem a patrulha ideológica, porque o Bruno Tolentino não é um cara de esquerda e nunca foi; e tem a patrulha feita pelo Concretismo, porque o Bruno Tolentino se colocou na frente, na vanguarda do combate ao Concretismo já quando ele existia. Eu acho que ele é o grande continuador da obra de Mário Faustino no Brasil.
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Quando eu digo que (Guimarães Rosa) é de uma metafísica rasteira é porque eu não reconheço nenhum dos grandes conflitos que me interessam na literatura; seja o conflito do homem com a sua consciência; seja o conflito do homem com Deus; seja o conflito do homem com o seu destino, no sentido de que ele está vivendo um período histórico importante, que muitas vezes ele não se dá conta. São sempre essas circunstâncias que dão os grandes romances. Eu acho que o que Guimarães faz não me satisfaz nesse sentido. Eu acho tudo muito pouco e eu acho que ele acabou se impondo mais pelo texto “rocambolesco”, mais por uma escolha vocabular que causa espécie e que fez com que os exegetas e os intérpretes corressem atrás pra tentar entender o que diavos, afinal de contas, era aquilo do que propriamente uma filosofia.

Entrevista com Olavo de Carvalho
Eu acho uma coisa infame que qualquer sujeito que tire um diploma de bacharel em filosofia no Brasil se denomine filósofo. Quer dizer, você se torna filósofo pelo exercício da filosofia, por uma obra filosófica. O fato de você estudar, ter uma cultura filosófica, mesmo supondo que tenha, o que não é o caso na maioria das vezes, isso não os torna filósofos de maneira alguma.
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O Brasil chegou a um ponto em que o sujeito para ser filósofo no país tem que ser especialista em algum outro filósofo. Filósofo especialista? Isso só existe no Brasil. (…) Quer dizer, estão confundindo o que é o exercício da filosofia e o que é a simples cultura filosófica, a informação filosófica.
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A juventude, como conjunto, é sempre considerada a pior parcela de qualquer sociedade. Onde os movimentos mais assassinos do século recrutaram a maior parte da sua militância? Dos jovens. Porque velhinhos não saem por aí fazendo quebra-quebra, criancinha também não, então tem que ser adolescente, é o que sobra. (…) Quer dizer, o indivíduo, por falta de identidade pessoal, se junta a um partido, a uma patota, um grupo, uma gangue para se sentir igual aos outros, se sentir aprovado. É um pessoa muito inseguro, na verdade, e como compensação desta insegurança, tem que entrar nesses movimentos coletivos. Daí, torna-se cúmplice de toda espécie de crime.
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Eu não acredito que um moleque tenha condições de decidir o que é certo e o que é errado. A nossa sociedade é muito baseada na idéia de um mito de que a juventude tem uma sabedoria especial, que a geração anterior não tem. Quer dizer, o sujeito que nasceu depois parece ser mais inteligente. Eu não entendo o por quê. Se isso fosse certo, então o século 20 não teria sido essa desgraça que foi. O excesso de participação política da juventude, o excesso de atenção dada à juventude é uma das raízes do genocídio. Quem você acha que saía nas ruas de Berlim matando judeus? Os velhinhos?
PS: Há uma explicação do Olavo sobre o estudo que ele está desenvolvendo sobre paralaxe, algo interessantíssimo, que eu prefiro abordar separadamente. E ainda tentarei entrevistá-lo sobre o assunto. Aguarde que dou notícias.
PS2: Eu ia inserir trechos da entrevista de Eduardo Bueno, mas, ao reler, vi duas coisas que me desagradaram profundamente: elogios a Kenneth Maxwell e a Bob Dylan. Intolerável. Razão pela qual ficou de fora.
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