A bênção que é termos Reinaldo Azevedo escrevendo

Já escrevi uma vez: é uma bênção termos hoje como colunistas da grande imprensa Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi e Olavo de Carvalho. Na época, esqueci de citar um, que não é regular, mas é preciso quando escreve: Ali Kamel. Chego tarde à historia da contaminação esquerdiota dos livros didáticos, que Ali Kamel expôs em dois artigos para o Globo e Reinaldo vem dissecando em seu blogue.

O assunto já está sendo bem tratado, portanto, o foco deste post é outro. Pastamos durante anos sem opções de leituras de colunistas em jornais e revistas. O politicamente correto era uma constante. A chatice e idiotice, idem. Depois, sem Francis, falecido em 1997, a coisa piorou. Neste momento, temos os quatro que nos trazem informação nova e análise. É de matar ler no dia seguinte o jornal que já foi “cantado” na noite anterior pelo Jornal Nacional.

Reinaldo é o jornalista que soube trabalhar mais do que qualquer outro no Brasil a potencialidade do blogue. Não fez como os demais que se arriscaram a trabalhar com a ferramenta e simplesmente levaram seus textos e modus operandi do jornalismo impresso para a internet. Reinaldo forjou um texto específico para o blogue, que oscila entre o mais solto e debochado ao mais sério, quando o assunto pede. Ele conseguiu detectar e adaptar a forma à temperatura do assunto. E não deixa o assunto morrer. Vai pesquisando, destrinchando, analisando, explicando e passando como um trator sobre os engodos que tentam ser vendidos como informação. O caso dos números de homicídios em SP divulgados pela ONU é exemplar.

E é com entusiasmo que vejo sua empolgação ao tratar e divulgar as passeatas de brasileiros sem ligação com partidos políticos contra o governo Lula e o PT; sua indignação com a burrice e idiotia travestida de temas pretensamente sérios, como a farsa racialista.

Eu poderia dizer que Reinaldo é um dos jornalistas mais cultos e bem humorados que já conheci, mas essa frase já foi usada para elogiar tantas bestas quadradas que, o que deveria ser elogio, vira ofensa. Mas a verdade é que ele é. Reinaldo não precisa de afagos, mas não elogiá-lo é, antes de tudo, deixar de premiar quem realmente merece. Tenho, pelo menos, quatro grandes dívidas com ele: o convite para ser colaborador de Primeira Leitura, as aulas de jornalismo nos apontamentos feitos sobre textos que enviei, a criação do blogue (fundamental na criação deste) e a amizade.

Minha fortuna, digo sempre, são os amigos que tenho.

PS: Ainda vou escrever sobre Diogo, Olavo e Kamel.

2 Comments so far

  1. Leonardo Outubro 4th, 2007 5:50 am

    De fato essa “rapaziada” aí citada é um alívio para os bons leitores e amantes da notícia séria posta de forma agradável e às vezes até engraçada! Acho que o público em geral não entende esse, digamos, humor deles, com o Diogo principalmente. Fico esperando o texto sobre os demais…

    Ah, bom que voltaste a escrever…

    Abraço.

  2. Nemerson Lavoura Outubro 4th, 2007 8:15 am

    Eu acrescentaria ainda os nomes de Carlos Alberto Sardenberg e Demétrio Magnoli à lista dos bons colunistas. Denis Rosenfield também é bom. É, acho que ao menos no que se refere aos colunistas da grande imprensa, estamos melhorando sensivelmente.
    Abraços.

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