Archive for Setembro, 2007

Bernard Shaw: breve perfil (II)

Outro breve perfil, desta vez reproduzido do UOL:

George Bernard Shaw
Escritor, jornalista e dramaturgo irlandês
26/07/1856, Dublin, Irlanda
02/11/1950, Ayot St. Lawrence, Inglaterra

Filho de uma família protestante, Bernard Shaw teve uma instrução irregular, recebendo aulas particulares de um tio.

Aos 16 anos seus pais se separaram e sua mãe e sua irmã foram morar em Londres. Ele ficou com o pai em Dublin e passou a trabalhar em um escritório. Com o desejo de se tornar escritor, também mudou-se para Londres em 1876.

Bernard Shaw escreveu cinco romances (o primeiro deles intitulado “Immaturity”), sem publicá-los. Acabou se envolvendo com a política e, ao fazer comícios, desenvolveu um discurso enérgico, percebido em seus textos.

Com Beatrice e Sidney Webb fundou a Fabian Society, uma organização que visava transformar a Grã-Bretanha num estado socialista por meio de uma legislação progressista, com base na educação das massas.

Shaw dava palestras e escrevia panfletos. Paralelamente Shaw trabalhou como crítico de arte e crítico musical e, posteriormente, como crítico teatral para a “Saturday Review”.

Em 1891, escreveu sua primeira peça, “The Widower’s Houses”. Ao longo dos anos seguintes, produziu mais de uma dúzia de peças, embora poucos teatros de Londres quisessem produzi-las. São dessa época “Arms and The Man” e “Mrs.Warren’s Profession”.

Em 1898, após uma enfermidade, Shaw se aposentou como crítico teatral e se casou com Charlotte Payne-Townsend, uma irlandesa de posses. O casamento durou até a morte de Charlotte, em 1943.

Em 1912, Shaw escreveu “Pigmaleão”, que se transformaria no musical “My Fair Lady”.

O escritor permaneceu atuante na Fabian Society, no governo da cidade e nos comitês encarregados de eliminar o rigor da censura na dramaturgia e de fundar um teatro nacional subsidiado.

O início da guerra, em 1914, representava, para Shaw, a queda do sistema capitalista e um trágico desperdício de jovens. O escritor passou a expressar suas opiniões em uma coluna jornalística, intitulada Consenso sobre a guerra. Esses artigos se transformaram em um desastre para a imagem de Shaw, que passou a ser tratado como um despatriado e até um traidor.

Shaw só conseguiu escrever uma única grande peça durante os tempos da guerra, “Heartbrake House”, na qual projetava sua amargura e desesperança em relação à política e à sociedade britânicas.

Após a guerra, Shaw produziu uma série de cinco peças, entre elas “Back to Methuselah” e “Saint Joan”. Em 1925, ganhou o prêmio Nobel de Literatura.

Em 1950, Shaw caiu de uma escada, quando enfeitava uma árvore em sua propriedade, na cidade de Hertfordshire, arredores de Londres. Faleceu poucos dias depois devido a complicações do acidente, aos 94 anos de idade.

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Bernard Shaw: breve perfil (I)

Pequeno perfil reproduzido daqui:

George Bernard Shaw (Escritor irlandês)

Shaw é autor de mais de 70 obras teatrais e de numerosas críticas sobre arte e críticas sociais. Recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1925 e é considerado o fundador do teatro moderno inglês. Muitas de suas obras são qualificadas de “peças-idéias”, pois tanto a ação como a linguagem e as personagens giram em torno de um leitmotiv, uma idéia ou uma concepção do mundo particular. Influenciado por Hendrik Ibsen, desenvolveu a ação teatral como uma forma de discussão. Shaw expunha seus princípios críticos por meio de diálogos tensos, dotados de grande criatividade. Nas primeiras obras, retrata a sociedade vitoriana acomodada, cuja hipocrisia moral desmascara em Mrs. Warren’s Profession (1894). Em Candida (1894), surge o moralismo ilustrado de Shaw, que coloca em evidência a estreiteza de horizontes do sexo masculino por meio de suas personagens femininas, inteligentes e plenas de senso comum. Recriou igualmente temas históricos, como César e Cleópatra (1901). Em dramas posteriores, como Man and Superman (1903), manifestam-se a evolução de seu pensamento e suas crenças na força da filosofia vitalista. Também escreveu Pigmalião (1913), que adquiriu fama mundial graças à sua versão musical, chamada My Fair Lady (1956). Shaw, cuja infância como filho de um alcoólatra não foi particularmente feliz, exerceu as profissões de agente imobiliário e de jornalista. Antes de alcançar o sucesso na literatura e no teatro, adquiriu renome como crítico teatral, artístico e musical. Dotado de uma criatividade indiscutível e de uma linguagem corrosiva, reivindicou uma série de reformas sociais e culturais. Em 1884, ingressou na Fabian Society, uma instituição que impulsionava as reformas sociais. Recebeu o Prêmio Nobel de Literatura “pela obra poética, marcada pelo idealismo e pelo humanismo, e especialmente pela poderosa sátira, na qual flui uma beleza poética muito pessoal”.

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Pequeno breviário Shawiano

Não há amor mais sincero que o da comida.

Cabe à mulher casar-se o mais cedo possível e ao homem ficar solteiro o mais tempo que pode.

A minha especialidade é ter razão quando os outros não a têm.

Quando um tolo pratica um ato de que se envergonha, declara sempre que fez o seu dever.

Quem nunca esperou não pode desesperar nunca.

Uma vida inteira de felicidade? Ninguém agüentaria: seria o inferno na terra.

O pior crime para com os nossos semelhantes não é odiá-los, mas demonstrar-lhes indiferença: é a essência da desumanidade.

Há duas tragédias na vida: uma, a de não alcançarmos o que o nosso coração deseja; a outra, de alcançá-lo.

Os ingleses nunca hão de ser escravos: eles são livres de fazer tudo o que o Governo e a opinião pública lhes permitem fazer.

(Jogo de xadrez) É um expediente tolo para fazer com que pessoas preguiçosas acreditem que estão fazendo algo muito inteligente, quando estão apenas perdendo tempo.

O lar é a prisão da moça e o hospício da mulher.

O martírio… é a única maneira de ganhar fama sem ter competência.

Quem deseja uma vida feliz com uma mulher bonita assemelha-se a quem quisesse saborear o gosto do vinho tendo a boca sempre cheia dele.

Não faças aos outros o que queres que te façam; os gostos deles podem ser diferentes dos teus.

Neste mundo sempre há perigo para aqueles que o temem.

Há apenas uma única religião, embora dela exista uma centena de versões.

Nunca espero nada de um soldado que pensa.

Sou abstêmio apenas de cerveja, não de champanha.

Não gosto de sentir-me em casa quando estou no estrangeiro.

Extraídos do livro Socialismo para milionários (Ediouro)

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Com vocês, o senhor Bernard Shaw!

Leio e releio um texto ou trecho da obra de Bernard Shaw (1856-1950) toda semana. É vício. Shaw era um elitista cultural, autor de uma obra fabulosa. Escrevia soltando fogo pelos dedos e pelas ventas. Seu texto é violento e wit, farto, vasto, com uma galeria de personagens burlescos, picarescos, vulgares e altamente sofisticados. Qual homem civilizado nunca se imaginou no papel do professor Higgins, de Pigmaleão?

Leitores e estudiosos da obra de Shaw, um vegetariano que só perdeu a virgindade aos 29 anos, concordam que sua prosa rivaliza em qualidade com sua dramaturgia. Enquanto as peças se mantêm pela força das personagens e vigor intelectual, os ensaios, críticas e prefácios continuam histriônicos e explosivos. Suas criações ficcionais eram uma corruptela de si mesmo.

Nunca entendi como um elitista e sátiro genial como ele pudesse ser um socialista, mesmo que na versão fabiana. Em 1884, Shaw, aos 26 anos, um contestador das bases do marxismo, participou da fundação da Sociedade dos Fabianos (1884), que defendia um socialismo reformista e sem violência revolucionária. Seria isso possível? E, se possível, conseguiriam os incautos manter um governo socialista sem a violência e toda a sorte de horrores que se seguem à implantação do dito?

A relação de Shaw com o socialismo começou por volta de 1882, o ano trágico em que leu Karl Marx (1818-1883). Para vencer a timidez e se aprofundar nas discussões, começou a participar dos debates que agitavam as noites de Londres. O talento como orador conquistou admiradores. Espirituosidade, persuasão e sedução eram a santíssima trindade de seu desempenho intelectual, público (debates) e privado (textos). Essa equação levou os ingleses, tempos depois, a transformar seu sobrenome num adjetivo. Shavian passou a designar quem falasse pelos cotovelos de forma espirituosa.

A lógica da argumentação de Shaw dificilmente se encaixa numa posição política específica. Há ecos diversos e contradições com sua história de vida. Edmund Wilson (1895-1972) dizia que o pensamento do escritor irlandês apresentava três níveis: o do dia-a-dia, o da política e o da metafísica, e nenhum dos três estavam integrados, ehehehe! Shaw costumava agir ou reagir no calor da hora, era tido como radical perigoso e via nos panfletos uma forma legítima de ação/contestação.

Num ensaio antológico (do livro O dramaturgo como pensador), o crítico Eric Bentley, de forma exagerada, puxou a orelha de Wilson por aprovar Shaw como artista, mas não como filósofo, que, de fato, não era. Wilson dizia que o autor de Homem e super-homem era confuso em suas posições políticas, científicas e religiosas. Para se defender das mesmas acusações Paulo Francis (1930-1997), que achava o escritor o maior jornalista de todos os tempos, costumava dizer que todo sujeito inteligente era contraditório, justificativa que vale para tudo.

Durante a Primeira Guerra, ele lançou um escrito satírico e violento (Common sense about the war) argumentando que Inglaterra e Alemanha agiam com objetivo de expandir seus territórios, dominando alguns outros, política e economicamente. Mesmo assim, estava do lado da Inglaterra e não abria. Ele adorava provocar, causar escândalo, principalmente se a ele coubesse o papel principal.

Foi naqueles debates em Londres que Shaw conheceu os círculos intelectuais que fervilhavam na cidade. Os grupos eram formados por gente como Florence Farr, Sydney e Beatrice Webb e William Archer, este um crítico teatral que o levou a iniciar no jornalismo, primeiro na crítica literária (The Pall Mall Gasette), depois na de arte (The World), em seguida na de música (The Star e The World) e, finalmente, na de teatro (The Saturday Review).

Quando chegou a crítico teatral do The Saturday Review, em 1895, Shaw havia escrito e apresentado as peças Casas de viúvos (1892), O homem e as armas (1894) e Cândida (1895). Nessa época, Shaw dizia-se discípulo do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen (1828-1906), que lhe foi apresentado por Archer e sobre quem dedicou o ensaio The quintessence of ibsenism (1891). Graças à Shaw, que o tinha na conta de pensador da civilização moderna, Ibsen foi reavaliado.

Crítico de teatro polêmico, tratou Shakespeare com irreverência e atacou a dramaturgia inglesa da época, representada por Henry. A. Jones (1851-1929) e Arthur W. Pinero (1855-1934). Relutou em aceitar o Prêmio Nobel de Literatura em 1925. Aos setenta anos, ainda mais avesso à badalação, concordou em recebê-lo desde que o dinheiro que lhe cabia constituísse um fundo para promover a literatura sueca na Grã Bretanha. Nem todas as atuações, porém, receberam elogios, como quando, por exemplo, disse que Stálin (1879-1953), Hitler (1889-1945) e Mussolini (1883-1945) eram revolucionários modernizadores do liberalismo europeu, podre e falso que só ele. Era uma blague idiota que foi um golpe duríssimo na reputação.

Na crítica de música, Shaw atraía leitores e era assunto tanto da boca miúda quanto da boca larga pelo conhecimento do métier e de julgamentos como esse:

Também já assinalei que no caso das óperas comuns muitas vezes há razões para suspeitar-se de que o diretor de palco ou não conhece a história da ópera que está dirigindo ou está cinicamente convencido de que as óperas são obras tão sem sentido que um ou dois absurdos a mais não fazem diferença. (…) A partir do momento que se cobram os ingressos, seja qual for o preço, a ópera tem que ser apresentada como coisa séria, quaisquer que sejam as convicções filosóficas pessoais do produtor.

Conjugava análise com uma escrita moderna numa época (século 19) em que os textos rebuscadíssimos monopolizavam as publicações de Londres.

O trabalho na imprensa fez a sigla G.B.S. ser conhecida e respeitada entre os intelectuais e artistas. Foi com os novos amigos que ajudou a fundar a Sociedade dos Fabianos. Era um grêmio de teóricos do socialismo que curiosamente batizou o grupo com a derivação do nome do general romano Fábio Máximo, que entrou na história por vencer os inimigos se valendo de técnicas protelatórias (a informação está no prefácio de Paulo Rónai para o panfleto Socialismo para milionários). Alguns advogados, aliás, deviam ter o general na conta de santo padroeiro.

Um ano antes da criação da Sociedade, Shaw havia escrito cinco romances, quatro dos quais inéditos. O único publicado era Imaturidade, de 1879. Os demais (O problema irracional, Amor entre artistas, A profissão de Cashel Byron, Um socialista anti-social), apesar de lançados depois que o autor tornou-se conhecido, não tiveram qualquer repercussão. Nem os títulos eram tão bons quanto os das peças.

Shaw publicava as próprias peças — ao todo, mais de 70. Nos longos, saborosos e fundamentais prefácios, explicou que costumava imprimir os livros antes das estréias porque alguns diretores não julgavam a peça representável ou porque a censura se opunha à exibição. O primeiro sucesso no teatro foi O discípulo do diabo, apresentada pela primeira vez em Nova Iorque (1897).

A família paterna de Shaw era de origem inglesa, protestante e com pretensões aristocráticas. Todas essas nuances estão em sua obra, mesmo quando há uma recusa explícita dessas pretensões. Rechaçar para purgar. Mas nem sempre a resistência é bem sucedida, como em Pigmaleão. O sofisticado Higgins, ao educar a vendedora de flores Eliza Doolitle, faz com que ela, gradualmente, passe a nutrir pretensões de se sofisticar e entrar para o círculo dos ricos freqüentado pelo tutor.

Seu esprit de corps era admirável e famoso. Há relatos saborosos dessa sua faceta pessoal, como a troca de cartões com uma senhora da sociedade alta inglesa, cujo hobbie era afagar celebridades. Para convidá-lo a uma visita, enviou-lhe um cartão dizendo que estaria em casa na terça-feira das quatro às seis da tarde. O autor de “Santa Joana” devolveu o cartão com uma frase logo abaixo da assinada pela frustrada anfitriã: “Mr. Bernard Shaw também”.

Shaw produziu intensamente até a sua morte, em 2 de novembro de 1950, cinco anos depois do fim da Segunda Guerra. Suas peças continuam sendo encenadas e celebradas em diversos países. Shaw é a síntese do indivíduo contraditório que, por ser gênio, não está infenso às críticas, mas deve ser, como foi, reconhecido como um dos gigantes da dramaturgia, além de um dos críticos e ensaístas mais poderosos que já se teve notícia.

PS: O melhor perfil que já li sobre Bernard Shaw foi escritor por Winston Churchill e pode ser lido no livro Grandes homens de meu tempo.

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Amanhã especial sobre George Bernard Shaw

Garschagen, Garschagen! Exagere amanhã, hein, hein?

Hoje, me despeço. Amanhã, texto e especial sobre G. B. Shaw. Volte, ok?

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Escritor de meia pataca vai pro lixão de sua catchiguria

Sai escritor ruim, deixe esse corpo, agora, em nome do Senhor!

Escritor de meia pataca criticado aqui suplica por atenção. Virou fã do blogue, mas dispenso. Aqui não, violão. Vai pro lixão de sua catchiguria. Nem adianta chorar. Xô, capeta!

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Boteco filosófico, ou onde não beber a caninha Platão

Ô, me dá um gole essa Cachaça Platão aí!

Você viu que a bienal deste ano terá um tal de Botequim Filosófico. Olha só as estrelas da filosofia e os assuntos importantíssimos que serão discutidos:

Data: Quinta - 13/09/2007
Hora: 19:00h
Tema: A dor: o homem está menos preparado para a perda?
Convidados: Lya Luft
Programação: Botequim Filosófico - Pav. Azul

Data: Sexta - 14/09/2007
Hora: 19:00h
Tema: Arte: estamos assintindo à \”morte da arte\”?
Convidados: Affonso Romano de Sant´Anna, Bia Corrêa do Lago e Charles Feitosa
Programação: Botequim Filosófico - Pav. Azul

Data: Sábado - 15/09/2007
Hora: 17:00h
Tema: Meio-ambiente:o mundo está acabando?
Convidados: Carlos Minc, Christiane Torloni e Sérgio Abranches
Programação: Botequim Filosófico - Pav. Azul

Data: Sábado - 15/09/2007
Hora: 19:00h
Tema: O desejo: você deseja o que todo mundo deseja?
Convidados: Marina Colasanti e Xavier Velasco
Programação: Botequim Filosófico - Pav. Azul

Data: Sábado - 15/09/2007
Hora: 20:00h
Tema: Comunicação por Atitude: produção cultural para transformação?
Convidados: André Urani, Lúcia Araújo e Sílvio Tendler
Programação: Botequim Filosófico - Pav. Azul

Data: Domingo - 16/09/2007
Hora: 19:00h
Tema: Ética: é possível falar em valores no mundo de hoje?
Convidados: Eduardo Suplicy, Gilberto Velho e Merval Pereira.
Programação: Botequim Filosófico - Pav. Azul

Data: Segunda - 17/09/2007
Hora: 19:00h
Tema: Narcisismo, individualismo, consumismo: você se reconhece nesse espelho?
Convidados: Amir Haddad e Clarice Niskier.
Programação: Botequim Filosófico - Pav. Azul

Data: Terça - 18/09/2007
Hora: 19:00h
Tema: O Mundo Atual: ainda há lugar para o anseio por um mundo melhor?
Convidados: Luiz Alberto Py e Nilton Bonder.
Programação: Botequim Filosófico - Pav. Azul

Data: Quarta - 19/09/2007
Hora: 19:00h
Tema: Teatro: Ser humano é ser teatro?
Convidados: Augusto Boal e Grupo do Centro do Teatro do Oprimido.
Programação: Botequim Filosófico - Pav. Azul

Data: Quinta - 20/09/2007
Hora: 19:00h
Tema: O Amor: ainda há lugar para o amor?
Convidados: Adriana Lunardi, Márcia Tiburi e Nelson Motta.
Programação: Botequim Filosófico - Pav. Azul

Data: Sexta - 21/09/2007
Hora: 19:00h
Tema: Diversidade cultural: diversidade está em extinção?
Convidados: Pedro Luís e Sérgio Mamberti.
Programação: Botequim Filosófico - Pav. Azul

Data: Sábado - 22/09/2007
Hora: 19:00h
Tema: A violência: por que a violência é tão presente na literatura americana?
Convidados: Daniel Alarcón, Ricardo Lísias, Santiago Roncagliolo e Tailon Ruppenthal.
Programação: Botequim Filosófico - Pav. Azul

Data: Sábado - 22/09/2007
Hora: 20:00h
Tema: A mídia: o mundo atual é uma invenção da mídia?
Convidados: Eugênio Bucci, Paulo Markun e Ricardo Kotscho.
Programação: Botequim Filosófico - Pav. Azul

Data: Domingo - 23/09/2007
Hora: 16:00h
Tema: A mulher: A forma feminina de amar
Convidados: Júlia Lemmertz e Malvine Zacberg.
Programação: Botequim Filosófico - Pav. Azul

Há mais botequim do que filosofia, pois não? O mesmo problema de sempre: em vez de disseminar o gosto e o estudo da filosofia, tais idéias macabras vendem a filosofia como se fosse um bate-papo em mesa de boteco. Pode render uma boa ou má conversa, nunca filosofia. Um evento desse porte, com a divulgação que tem, faz os ignaros pensarem que filosofia não passa de conversa de boteco. Passe os olhos em cada um dos nomes e veja se algum deles, por mais talentosos em suas áreas de atuação, faria você viajar até o fim do mundo (Riocentro) para ouvi-los filosofar botequinescamente. Qual o problema em discutir filosofia a sério? Afinal, a filosofia não é assim tão ruim. E viver sem filosofar, já advertiu Descartes, é o que se chama ter os olhos fechados sem nunca os haver tentado abrir.

Corromper não só a palavra, mas a idéia de filosofia para um projeto que nada tem de filosófico é escarnecer a própria idéia de educação e perverter espíritos que deviam ser civilizados, não filistinizados.

De botecos, o Brasil está cheio. Precisamos de mais?

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Bienal do Rio: eu não vou! Você vai?

No site da XIII Bienal do Livro do Rio há o tal Blog do Guto, que pretende dar um lustro moderninho ao evento. Nota postada ontem atende pelo título de Guia de sobrevivência. Destaco um trecho:

Não interessa se a gente gosta - e quem gosta de verdade sabe disso melhor do que os outros: Bienal é PAULEIRA. É delicioso, mas não pensem que não cansa. E se orientar dá trabalho, pelo próprio tamanho do evento. Por isso, seguem umas dicazinhas de sobrevivência na montanha de livros.

1) Quem não é do Rio não é obrigado a saber, e por isso mesmo fica aqui o aviso: o Riocentro é um mundo. Vista roupas confortáveis e beba muito líquido. Tá parecendo dica pra quem vai fazer trekking na serra? Não é por acaso. Caminha-se adoidado o tempo todo. Não me apareçam de sapato pesado, salto alto, casacão. Seus pés e costas agradecerão o cuidado.

Se o blogue é para falar da bienal é inaceitável um texto que comece “Não interessa se a gente gosta”. Se não interessa se a gente gosta é o caso de colocar a viola na sacola e seguir seu rumo. Cada um tem uma opinião sobre a bienal. Eu detesto. Mas não é sobre isso que eu gostaria de falar. A idéia do blogue é boa. Ter um canal alternativo para atingir um público que corre da roupagem careta que eventos literários geralmente tem. Nem se seria possível ser diferente. Não dá para imaginar uma festa rave dentro de uma biblioteca ou livros espalhados no espaço de uma festa rave. Voltando à vaca fria, o tal do Guto precisa acertar o tom, não da linguagem, mas do conteúdo. Quem não é do Rio precisa saber onde fica o Riocentro e que o Riocentro é longe pra dedéu. É perto do fim do mundo. Sabe-se que está próximo quando o sétimo anjo toca a trombeta. Depois dele, vire à esquerda. Porque, você sabe, o fim do mundo fica sempre à esquerda.

Sugerir que deixe o casacão em casa me deixou intrigado. Será que alguém usa casacão no Rio? E cakinha adoidado e uma ótima imagem para uma bienal. Vê-se na face de cada visitante o olhar embasbacado, tudo o que a literatura e os livros não precisam. Essa idéia de livro como algo sacralizado, monumental afugenta leitores. Vai uma boa parte para olhar, como se a bienal fosse um grande shopping center sem ar condicionado ou um zoológico. Os escritores, aliás, geralmente, se comportam como aqueles que vivem no zoológico.

Detesto bienal. Muita gente, muito bafo, muito escritor, tudo isso junto. Mas tem quem goste e há boas promoções. Mas, honestamente, espero nunca ter que voltar a um evento desse tipo. Pelo menos não mais sóbrio. Mas caso você, leitor amigo, leitora amiga, vá, aconselho, além de um certo torpor etílico, uma paciência de Jó e o sacão de Papai Noel.

PS: Tome três Engov para garantir.

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“Vanguardistas” são forças constantes e imutáveis que resistem à literatura de qualidade

Pelas barbas do profeta! Lord Acton estava certo, certíssimo!

Ainda sobre o tema tradição e vanguarda, há um texto do sempre excelente João Pereira Coutinho na Folha on line, datado do dia 6 de agosto. Eu já comentei esse texto para um outro assunto, mas como vem a calhar, reproduzo e comento lá embaixo:

A arte dos adolescentes

João Pereira Coutinho

Agora recordo: uns anos atrás, nos bancos de faculdade, a turma esperava as indicações bibliográficas para o semestre. “Introdução à História da Arte”, eis o título da disciplina. E o professor, com total seriedade, informando os alunos que só havia um livro verdadeiramente obrigatório: a Bíblia. A turma ouviu o conselho e abriu a boca de espanto. A Bíblia?

Sim, a Bíblia. Sem um conhecimento do Antigo e do Novo Testamentos; mas também sem alguma intimidade com outros textos religiosos –a Vida dos Santos e mesmo os Textos Apócrifos– era inútil tentar entender a história da arte no Ocidente.

Escuso de dizer que o homem estava certo. Olhando para os últimos 17 ou 18 séculos –desde as primeiras expressões de arte paleocristã– é a figura de Cristo e a sua herança que se encontram presentes em cada quadro, escultura ou igreja ocidental. E, se esquecermos a Idade Média e a sua longa meditação artística sobre o sagrado, mesmo o Renascimento, ao procurar “resgatar” a herança greco-latina (o que implicava resgatar a figura humana que os medievais colocavam numa posição de inferioridade hierárquica face ao divino), foi sobretudo para melhor servir a história sacra.

Giotto, por exemplo, um revolucionário que operou essa transição entre a medievalidade e a era moderna ao pintar figuras sagradas como se fossem humanas (um prenúncio da revolução maior, que viria dois séculos depois com Caravaggio), não prescindiu dos textos bíblicos, ou religiosos, como se vê na Basílica de S. João de Latrão, em Roma. E sobre Caravaggio, conhecer o primeiro grande pintor barroco implica conhecer também a vocação e o martírio de S. Mateus (hoje na igreja romana de San Luigi dei Francesi), ou saber as histórias da crucificação de Pedro ou da conversão de Paulo (temas que dominam a Capela Cerasi, na igreja de Santa Maria del Popolo, também na capital italiana). O desconhecimento da religião cristã é, no essencial, o desconhecimento da identidade cultural do Ocidente. E causa maior da ignorância, da estupidez e da mediocridade que define, artisticamente falando, o nosso tempo.

Aliás, não é preciso acreditar no divino para acreditar no papel da religião na construção dessa identidade. Que o diga Camille Paglia, que em texto recente se apresenta como ateia e libertária de esquerda –e, apesar disso, defensora da necessidade de estudos religiosos nos currículos universitários das Humanidades. Uma sociedade totalmente secularizada, que despreza a religião e eleva o materialismo a um novo e único deus, só pode gerar uma arte entediante e adolescente. E, do ponto de vista histórico, falsamente rebelde: a arte “oposicional” começou com os românticos e morreu, algures, na década de 60, com o estertor pop. Bater na mesma tecla é bater em tecla gasta, repetitiva e artisticamente estéril.

Paglia tem razão. Não apenas pelo retrato atual de grande parte da arte contemporânea –um caso extremo, e bem irônico, de “rebelião como convenção”; Paglia acerta também ao atribuir aos românticos o início de uma “arte de ruptura” que terminou meio século atrás, com as paródias e as auto-paródias de Warhol e companhia.

Um ponto, porém, parece ignorado por Paglia: é que mesmo o romantismo, na sua recusa da “tradição” (a começar pela tradição neoclássica), não ignorou o que podia aprender com ela. Na pintura, e apenas na pintura, a ruptura romântica não ignorou o que podia aprender com os pré-românticos de finais do século 18, sobretudo com o (chamado) movimento dos Nazarenos, ligado a autores tão “clássicos”, e tão místicos, como Perugino.

Se a história da arte deixa uma lição aos artistas de hoje é que não existe verdadeira “novidade” sem um entendimento da “tradição”: sem esse sentido histórico que, para usar as palavras de T. S. Eliot, leva alguém a escrever (ou a pintar, ou a esculpir) como se a literatura ocidental estivesse presente no momento presente. Porque só esse entendimento permite uma verdadeira continuidade, ou uma reformulação, ou até uma ruptura com o passado.

A criação no vazio, típica de adolescentes, apenas produz grande parte da arte adolescente que ocupa os nossos museus, ou as nossas estantes privadas.

Uma coisa deve ficar bem clara: não estou aqui pregando uma briga tola e improdutiva entre tradição e vanguarda. Defendo sim, que os que se consideram vanguarda conheçam e aprendam com a tradição. O exemplo de João Pereira Coutinho é perfeito: mesmo o romantismo, ao recusar a “tradição”, aprendeu com ela. O grande problema são os impúberes que se querem vanguarda, não fazem idéia do que já foi forjado na história da literatura e, por isso mesmo, repetem fórmulas já usadas, de forma acertada ou equivocada. A ignorância, na maioria dos casos, é a mãe do escritor (a) de vanguarda.

Por analogia, trago para o debate uma reflexão de Lord Acton. Em seu Lectures on modern history, Acton diz que o historiador sabe que forças constantes e imutáveis irão resistir à verdade e ao propósito superior. Os medianos que se querem “vanguarda” são essas forças constantes e imutáveis que resistem à verdade e ao propósito superior, que é a literatura de qualidade.

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De concurso literário e “objetivandos”

Garschagen, eu odeeeeeeeeeeio concurso literáááááááááário!!!!!

Recebi ontem o seguinte spam:

5º CONCURSO LITERÁRIO GUEMANISSE DE CONTOS E POESIAS / 2007
www.guemanisse.com.br
editora@guemanisse.com.br

Objetivando incentivar a literatura no país, dando ênfase na publicação de textos, a GUEMANISSE EDITORA E EVENTOS LTDA. promove o 5º CONCURSO LITERÁRIO GUEMANISSE DE CONTOS E POESIAS, composto por duas categorias distintas:
a) Contos;
b) Poesias,

Pode um concurso supostamente literário começar a se explicar com esse tenebroso, horripilante e fedorento “objetivando”? Não se engane, palavras fedem, como há aquelas que liberam aromas e sabores. Não confiro qualquer importância a concursos literários. Acho que aqueles que dão uma boa premiação em dinheiro tem sua função porque escritor, no Brasil, é ofício mal pago. Qualquer caraminguá ajuda a pagar o uísque das crianças. No mais, vale para notas celebrativas, louvaminhas etc. Dependendo do júri, sempre digo, perder é ganhar.

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