Archive for Setembro, 2007

Bruno Tolentino é o nosso maior poeta? Claro que é!

Garschagen, aproveita e serve aí mais um uísque que, daqui, estou me divertindo com essa conversa.

No dia 16, recebi a seguinte mensagem do leitor Roberto Schneider:

Garschagen,

O Bruno Tolentino é realmente um bom poeta, concordo.

Mas o melhor poeta da língua portuguesa? Afirmação muito, muito duvidosa. Penso que o senhor está repetindo o que disse Olavo de Carvalho, sem refletir sobre o assunto.

A lista de autores superiores a Tolentino é imensa, cito aqui só alguns (em uma ordem aleatória): Bandeira, Drummond, Cabral, Murilo Mendes, Jorge de Lima, Mário Faustino, Ferreira Gullar. Defendo até que Paulo Henriques Britto é melhor do que Tolentino, mas a coisa ai fica mais difícil, “dá pressão”, como diriam as crianças.

Contra os outros citados, a briga “não dá pressão” nenhuma, pense bem, não dá.

E olhe que nem considerei a pletora de poetas que tivemos antes do modernismo, só para comparar Tolentino com aqueles de seu tempo.

Sinceramente, acredito que o senhor defende esse status da obra de Tolentino somente por conta dos posicionamentos do poeta sobre política e cultura, que podem ser até muito certos (outra história) mas não o fazem o melhor-dos-nossos-poetas.

Abraço.

Não só acho como tenho certeza de que Tolentino é o maior poeta que tivemos. O maior poeta brasileiro. Gosto de Bandeira, Drummond, Cabral, Murilo Mendes, Mário Faustino, assim como João Cabral, que, com certeza, estão entre os nossos maiores, e uma pequena parte da obra de Ferreira Gullar, que não está entre os grandes. E é por ter lido esses e outros não citados, como o grande Olavo Bilac, que insisto na grandiosidade de Tolentino. É claro que uma escolha pessoal e idiossincrática como a minha não tem qualquer valor que não seja para mim ou para aqueles que, lendo o que escrevi, cotejem as obras e constatem, como eu, a magnitude de Tolentino, que aplicava seu gênio numa poesia que tinha não só ambição, mas uma bem-sucedida construção temática e formal.

Há duas considerações a fazer sobre o comentário do leitor: sempre reflito sobre o que eu escrevo. Se há uma concordância entre o que escrevi e o que pensa Olavo de Carvalho, a honra é minha. E sempre que eu ler e concordar com algo que o Olavo escreva direi aqui, sem problemas, como já fiz várias. Nunca me escondo nas opiniões de quem admiro. Dou o crédito sempre. Quando se trata de pessoas que respeito, a honra de fazê-lo é sempre minha.

Se o leitor acha Paulo Henriques Britto “melhor do que Tolentino”, não é problema de gosto, mas de conseguir identificar entre o grande poeta e o poeta menor, algo que só se consegue com muita leitura e uma percepção nata para tal, como o sujeito que nasce para ser tenor. Não há nada de duvidoso em minha afirmação. Não tenho dúvida do que afirmo. Sendo assim, é melhor mesmo o leitor continuar resistindo à pressão, como diriam as crianças.

No comments

Fernando Bonassi, o ilegível de sempre, leva o Prêmio Ignóbil do mês

Na Folha (assinante):

Os verdadeiros culpados

São os mordomos os primitivos causadores e mantenedores de nossa desigualdade social!

FERNANDO BONASSI

CONSIDERANDO QUE a humildade com que se apresentam não condiz com a intimidade dos luxos que compartilham;
Que organizam recepções únicas para exclusivos, confeitam bolos que não são repartidos, temperam petiscos oferecidos a uns poucos e supervisionam as vacas loucas e os burros de carga para a orgia, higiene e segurança dos churrascos dos carrascos;
Que se dedicam a manter arrumadas as camas e limpas as consciências acabrunhadas dos rentistas brasileiros desde cedo, acobertando as bruxas dos “castelos quatrocentões” com balelas de telenovelas, descrevendo as intenções de princesas boazinhas, governantes de reinos encantados com milhões de súditos otários e que conhecem muito bem os seus lugares lá embaixo;

Que são os melhores exemplos dessas histórias coloniais da carochinha;

E Bonassi segue na sua trajetória de Ilegível de Sempre. Presumo que ele queria, no artigo de hoje, falar do filme do Salles sobre o mordomo de sua família. Não vi o filme, nem verei. O único mordomo que me interessa é Jeeves, que, como sabe quem leu Wodehouse, é muito ciumento.

Voltando à vaca fria, Bonassi, com sua prosa confusa e profusa, lapida um jeito todo especial de ser ilegível. É o vencedor do Prêmio Ignóbil do mês de setembro.

4 comments

Garschagen de volta

Como não tenho mais casa e estou acampado na casa de meus pais nem sempre consigo acessar a internet. E, por conta da mudança para Portugal, fiquei uns dias fora, por isso não voltei a postar por esses dias. Ainda devo resposta a alguns comentários. Tentarei colocar tudo em dia hoje, ok? Obrigado a você que sempre volta.

1 comment

Letra de música NÃO é poesia!

Você duvidou que havia gente defendendo letra de música como poesia, né? Confessa, confessa. Agora, lê isso, que achei no Cronopios:

LETRA DE MÚSICA É POESIA?

Por Antonio Miranda

Li por aí alguém afirmando que Chico Buarque não é poeta, é letrista. Em sentido contrário, Paulo Henriques Britto (em Azougue 10 anos, 2004, p. 263, em entrevista a Sergio Cohn), afirma: “As letras de Caetano Veloso, Chico Buarque, Torquato Neto e tantos outros empolgavam-me por ser poesia e falar das coisas e do tempo em que vivia, no tom exato, com as palavras do meu dia-a-dia, tal como os modernistas haviam falado do mundo deles com um vocabulário e uma sintaxe que antes não eram considerados apropriados à poesia. Estes artistas populares significam a minha fala e as minhas vivências .” É bom frisar que Paulo Henriques, além de poeta, é lingüista por formação acadêmica.

Os letristas seriam poetas “menores”, as letras constituiriam uma sub-literatura, mal comparando a arte com o artesanato?

Sei não. Ouvindo rádio e assistindo televisão, escutando tantas banalidades… Raps e pagodões maçantes, sertanejos acaramelados, axé baiano e reggae maranhense insossos, rock caseiro e hip-hops repetitivos, dá para entender o preconceito em relação às letras de músicas como poesias. Mas, por exceção, deve haver axé, reggae, pagode e sertanejo de qualidade.

Noel Rosa foi ou não foi o poeta da Vila? E que dizer do Cartola? Podemos considerar poeta um Catulo da Paixão Cearense (que era maranhense)? Eram sim, foram, são poetas e pronto. Caetano é um poeta!

Caberia, no entanto, em contrapartida, também afirmar que nem todas as letras de Caetano e de Chico podem ser consideradas poesia, mas apenas “letras” de música?

Alguém saiu com essa e eu não tinha uma resposta pronta, e deixo aos leitores o direito de resposta, como ao amigo o direito da dúvida. Na mesma linha de raciocínio, também seria possível afirmar que nem todos os poemas de Drummond ou de Bandeira são, em verdade, poesia. Seria admissível afirmar que alguns poemas de Fernando Pessoa seriam “menores”? Também vou escapar pela tangente…

Só queria discutir um ponto: a relação entre poesia e música no ato criativo. Há músico que faz a melodia e depois o poeta “coloca” a letra. Vinicius de Moraes teria feito isso com Tom Jobim, com Baden Powell e até com compositores clássicos. Pode ou não pode?

Em sentido contrário, o músico “musicaliza” o poema como fez Joan Manuel Serrat com os versos esplêndidos de Antonio Machado e o nosso Fagner fez com um texto de Cecília Meireles.

Tem muito a ver com o tipo de composição. Alguns músicos pautam melodias em quadraturas fixas, bitoladas, como o bolero ou o samba, levando-os á intervenção nas letras para ajustá-las, seja podando-as ou ampliando os versos. Também alguns poetas se enquadram nos compassos e ritmos assinalados. Mas alguns compositores, como Arrigo Barnabé e Tom Zé, criam livremente, sem conformar-se a ritmos da moda.

Aonde quero chegar? A lugar algum, a nenhum lugar…

Estamos falando de desafios. Vence quem tem talento, banaliza quem imita e não tem o que dizer. O que devemos julgar – se cabe algum juízo sobre a questão – é a coisa em si, o poema mesmo. Letra de música pode ser e não ser poesia.

“Luar do Sertão” é poesia com ou sem música. Tive a certeza disso, de forma empírica, quando uma amiga estrangeira, especialista em literatura, ficou impressionada com o poema, apesar de singelo. Hoje estudamos os textos de Catulo da Paixão Cearense e de Noel Rosa na academia como autênticos poemas, sem preconceitos, em dissertações e teses doutorais. Melhor ainda quando o estudioso busca a relação entre a música e o poema pois, sem dúvida, deve haver uma complementaridade (ou ampliação de sentido) entre ambos no ato da criação. A poesia, desde suas origens, sempre esteve ligada ao teatro, à música e a outras manifestações culturais.

O que dizer da inteligibilidade e da legibilidade da música e da poesia? O “intérprete” da música (pensemos em Maria Bethânia) costuma esforçar-se para que o ouvinte entenda o sentido (ou o “sentimento”) da letra da música. Pode até cantar à capela, só com a música das palavras no embalo da melodia, sem qualquer acompanhamento instrumental. O cantautor costuma valorizar sobremaneira a mensagem de suas composições tanto quanto o declamador ou o performer em um sarau ou poemashow. No entanto, muitos cantores (medíocres) não atinam para o significado das palavras que cantam e parece que o público ouve e não entende nada… e até gosta! Música sem mensagem explícita, sem significado apreensível, apesar da letra.

Em certa ocasião participei de uma gravação e o cantor não valorizava o texto da canção. Discuti com ele o sentido das palavras e ele incorporou na intenção do canto e a regravação ficou bem melhor. Mas já há poetas que também não perseguem a legibilidade dos textos e menos ainda para a sua inteligibilidade.Os textos são intencionalmente herméticos, intranscendentes, incomunicáveis. Nada em contra, tudo bem, ok, se a intenção é essa… Pior é quando o autor deseja comunicar algo e o que se ouve é sem sentido… Tem de tudo, vamos ficar por aqui.

Por último, antes que eu me esqueça, o que é mesmo poesia? Existem muitos tratados sobre o tema, é assunto para outra ocasião.

Para Antonio Miranda, se Paulo Henriques Britto, que “além de poeta, é lingüista por formação acadêmica” falou que letra de música é poesia, então letra de música é poesia. Se eu fosse seguir esse argumento de mesa de biriba poderia dizer: o poeta Bruno Tolentino disse que letra de música não é poesia, então, não é poesia. E minha referência é melhor do que a de Miranda, pois Tolentino é o maior poeta que tivemos enquanto Britto é um excelente tradutor, mas um poeta menor.

Volto a insistir: algumas letras de música são poéticas, mas não são poemas. O grande exemplo da diferença entre poesia e letra de música é a obra de Vinicius de Moraes. Coteje sua obra poética com as letras que compôs. Você vê nas letras as marcas do poeta, mas aquilo não é poesia. Então, Bruno Tolentino estava certo:

Educar um filho ao lado de Olavo Bilac, última flor do Lácio inculta e bela, que aconteceu e sobreviveu, ao lado de um violeiro qualquer que ela (nota: a mãe do filho de Tolentino) nem sabe quem é, este Velosô (nota: Cateano Veloso), causou-lhe espanto. A escola que ela procurou para fazer a matrícula tem uma Cartilha Comentada com nomes como Camões, Fernando Pessoa, Drummond, Manuel Bandeira e Caetano. O menino seria levado a acreditar que é tudo a mesma coisa.

Estamos conversados?

13 comments

Camões é poeta, Chico Buarque não. Tolentino é poeta, Noel Rosa não

Para demonstrar o que é e o que não é poesia é facílimo. Olha só:

Camões é poeta:

Os Lusíadas - Canto VIII

“Se César, se Alexandre Rei, tiveram
Tão pequeno poder, tão pouca gente,
Contra tantos inimigos quantos eram
Os que desbaratava este excelente,
Não creias que seus nomes se estenderam
Com glórias imortais tão largamente;
Mas deixa os feitos seus inexplicáveis,
Vê que os de seus vassalos são notáveis.

13

“Este que vês olhar com gesto irado
Para o rompido aluno mal sofrido,
Dizendo-lhe que o exército espalhado
Recolha, e torne ao campo defendido;
Torna o moço do velho acompanhado,
Que vencedor o torna de vencido:
Egas Moniz se chama o forte velho,
Para leais vassalos claro espelho.

Noel Rosa não é poeta:

Filosofia

O mundo me condena, e ninguém tem pena
Falando sempre mal do meu nome
Deixando de saber se eu vou morrer de sede
Ou se vou morrer de fome
Mas a filosofia hoje me auxilia
A viver indiferente assim
Nesta prontidão sem fim
Vou fingindo que sou rico
Pra ninguém zombar de mim

Bruno Tolentino é poeta:

O mundo como idéia

1

Canto, filho da luz da zona ardente,
coisas que vi a luz, sempre estrangeira,
tecer no ar e inevitavelmente
ir baixando com modos de redeira
ao tear deste mundo. A vida inteira
vi me escapar a luz do sol cadente,
e é essa rosa de sangue na fogueira
que agora arranco às dúvidas da mente.
Mente o intelecto que se esquece dela.
Se a pura luz de leste se desdiz,
a cada ocaso há no final feliz
dos números da mente a bagatela
de uma luz de mentira. Contra ela
fui tecendo este canto de aprendiz.

Chico Buarque não é poeta:

Carolina

Carolina
Nos seus olhos fundos
Guarda tanta dor
A dor de todo esse mundo
Eu já lhe expliquei que não vai dar
Seu pranto não vai nada mudar
Eu já convidei para dançar
É hora, já sei, de aproveitar
Lá fora, amor
Uma rosa nasceu
Todo mundo sambou
Uma estrela caiu
Eu bem que mostrei sorrindo
Pela janela, ói que lindo
Mas Carolina não viu

A pessoa pode detestar Camões e adorar Chico Buarque; não enxergar a beleza dos poemas de Tolentino e achar Noel Rosa genial. Mas a preferência não transforma Chico e Noel em poetas.

2 comments

Letra de música não é poesia; letrista não é poeta. Poeta é Camões, ok?

No Estadão:

Poesia une Noel Rosa e Chico Buarque no palco

Chico Rosa chega à cidade após 5 anos em Belo Horizonte

Beth Néspoli

Só mesmo uma licença poética para unir no mesmo palco Noel Rosa (1910-1937) e Chico Buarque. Mas bem que poderia ter acontecido. O autor de Feitiço da Vila, boêmio incorrigível, morreu de tuberculose muito jovem, aos 27 anos. Chico nasceu sete anos depois, mas garoto ainda já era admirador ardoroso da obra do sambista de Vila Isabel. Claro que alguns anos depois eles poderiam cantar juntos, como realmente aconteceria mais tarde, por exemplo, com Chico e Cartola.

Não encontrei na reportagem qualquer migalha de poesia que justifique o título. Ou, para a repórter, Noel Rosa e Chico Buarque são poetas? Ah, bom, mas se até professores universitários reconhecem Caetano Veloso, Cazuza e Renato Russo como poetas, por que não seriam também Noel Rosa e Chico Buarque? Mas são poetas? Claro que não. E contra isso é preciso lutar. Poeta é Camões, Pessoa, Bruno Tolentino, Dummond, Bandeira, para ficar nos de língua portuguesa. Letra de música pode, num momento ou outro, ser poética, mas nao é poesia e seus autores não são poetas. Se alguém disse o contrário, debata. A parada já está ganha, além de ser sempre prazeroso vencer o debate tendo razão.

1 comment

Adultos, envelheçam os jovens!

No Estadão:

Pesquisa de fôlego sobre ser jovem na metrópole

Obra da editora Terceiro Nome terá lançamento hoje na Ação Educativa

A reunião de ‘Japas e Manos’ na estação Conceição do metrô, a dieta vegetariana e sem álcool dos Straight Edges, a balada dedicada ao Senhor. Jovens na Metrópole - Etnografias de Circuitos de Lazer, Encontro e Sociabilidade, que será lançado hoje, contempla e analisa expressões, atitudes e opções de vida escolhidas pela juventude que atualmente vive na grande São Paulo. A obra é fruto do mais recente trabalho do Núcleo de Antropologia Urbana (NAU) da Universidade de São Paulo e foi organizado pelo professor José Guilherme Cantor Magnani e Bruna Mantese de Souza, autora da pesquisa sobre os Straight Edges.

‘Percebemos que a maioria das pesquisas atuais que vínhamos desenvolvendo envolviam a temática da juventude e pensamos em que reuni-las em um livro’, conta Bruna. O NAU existe desde 1988 e é dedicado ao aprofundamento de questões relacionadas à antropologia urbana. ‘Nosso próximo trabalho falará da relação dos deficientes auditivos na metrópole’, conta Magnani.

Durante o processo de pesquisa, os alunos do núcleo procuram seguir orientações básicas como, por exemplo, a forma com que essas tribos se organizam e se relacionam com a metrópole. ‘Assim todos os textos foram fundamentados sobre uma mesma metodologia’, diz o professor, que sempre convida um aluno para ajudar na organização da obra. ‘É um olhar de jovens sobre outros jovens.’

Quando leio sobre pesquisa desse tipo penso para quê servem pesquisas desse tipo. Por qual razão estudar tanto essa horda bárbara juvenil se a fase adulta e a velhice são mais duradouras e importantes? Há sentido? É impossível chegar para um jovem e sugerir-lhe a receita de Nelson Rodrigues para que envelheçam logo. Eles não entenderiam. O ideal seria pedir que os adultos envelhecessem logo os jovens, como uísque em barril de carvalho. Tenho dito.

No comments

Quando a versão é tornada maior do que o fato

Comigo é assim, se a versão é ruim, vira janta.

A versão, para o governo Lula e todos que fizeram ou fazem parte dele, é maior do que o fato. Se o fato não interessa, jogue-o aos jacarés. Há muitas historinhas no livro Golpe ao Planalto, de Ricardo Kotscho, petista de carteirinha que foi assessor de Lula, que me cheiram muito mal. Uma delas dava conta de uma visita do Língua-presa à Folha. Era, soube agora, uma versão. Quer saber o fato? Olha só um trecho da entrevista do editor Otávio Frias Filho na revista Imprensa:

No livro do “Golpe ao Planalto”, o jornalista Ricardo Kotscho conta um episódio que foi muito comentado nos bastidores: o almoço do candidato Lula com a cúpula da Folha, nas eleições de 2002. Naquela ocasião, Lula levantou-se abruptamente no meio do almoço e foi embora, irritado com algumas perguntas feitas por você. Especula-se que isso teria abalado a relação do Lula com a Folha, especialmente no primeiro mandato. Qual a sua versão para essa história?
Essa pergunta me dá a oportunidade para retificar a versão que o Kotscho apresenta no livro. Minha versão é bastante diversa. Nunca interpelei o então candidato Lula a respeito da falta de formação escolar ou universitária. Pelo contrário. O preâmbulo da pergunta foi dizer que, na minha opinião, não faz a menor diferença que uma pessoa chegue a presidência sem ter antes feito uma faculdade. O ponto que levantei foi outro. Eu queria saber do Lula que tipo de preparação ele vinha fazendo nos últimos 20 anos, tempo em que ele teve condições materiais para estudar. Foi a natureza dessa pergunta que o deixou alterado, a ponto de ter abandonado o encontro. Interessava ao PT e ao Lula apresentar esse episódio como se a minha pergunta se referisse a falta de formação universitária. Foi justamente o contrário disso. Eu queria saber a que estudos e preparação ele vinha se dedicando nesse período mais recente, quando ele teve tempo se sobra e dinheiro para fazer um curso de economia, até para estudar no exterior se quisesse. Citei até o exemplo do Vicentinho, que tinha entrado na faculdade de direito. A reação foi muito emocional da parte dele. E respondi também com muita veemência. Meu pai ainda teve a cortesia de acompanhá-lo até a porta do jornal, como fazia com qualquer visitante.

A versão que interessava era de que Otávio havia feito troça do fato de Lula não ter curso universitário. Mas o fato é que o editor da Folha queria saber se Lula havia se preparado para ser presidente. Uma pergunta só ofende se o interpelado não tiver resposta ou faltar-lhe humildade para reconhecer as próprias deficiências. Lula será um eterno ofendido.

1 comment

Quem está descontrolado Garschagen? Lê aí:

E nessa conversa sobre elite, eis que preciso descer o nível da discussão para revelar um caráter. Prometo: é a última vez que trato do moço. Parafraseando Tati Quebra Barraco, “ele está descontrolado”. E quem é ele? Dedé Sant’Anna, não o humorista, um dos Trapalhões. O Dedé Sant’Anna de que falo é o escritor (sic) sobre quem escrevi no dia 28 de julho no post André Sant’Anna é o Paulo César Pereio da literatura brasileira recente.

Esse moço ficou obsessivo. Fica vasculhando este blogue na tentativa de fazer comentários que me desqualifiquem. Como só permito aqui quem eu quero, passei a apagar os comentários do rapaz, que se descontrolou. Duvida? Olha só os comentários que ficaram retidos na malha fina:

André Sant’Anna | santannaandre@ibest.com.br | IP: 200.162.17.226
Gente covarde é assim: ofende as pessoas no blogue e, quando recebe uma resposta, fecha as portas. Não seria pouco ética tal atitude? Está com medo de quê? De encarar a realidade? Nunca realizou nada e ataca quem realiza. Pode apagar meu comentário, Bruno. Mas eu e você sabemos muito bem o quanto você é covarde.

12:35, 6/9

#

André Sant’Anna | santannaandre@ibest.com.br | IP: 200.162.17.226

Paulo, infelizmente, o covarde do Bruno não permite que eu responda a essas ofensas vindas de quem nnao me conhece. Mas ele sabe que é covarde. Claro, os leitores do blog são sábios, mas o dono é um covarde. Todo mundo adora um escudo como este blog sem ética, para ofender os outros. Na boa.

12:42, 6/9

#

André Sant’Anna | andresantanna@zipmail.com.br | IP: 200.162.17.226
Pois é. O nosso padino da tradição é covarde. Ofende as pessoas no blogue, mas fecha o canal para elas. Está com medo de quê? Só sabe bater pelas costas. Nunca realizou nada e ataca quem realiza.

Não é Spam — Set 6, 12:32 PM — [ Ver artigo ]

#

André Sant’Anna | andresantanna@zipmail.com.br | IP: 200.162.17.226
Esqueceu de apagar o meu último comentário, covarde.

Não é Spam — Set 5, 2:12 PM — [ Ver artigo ]

#

André Sant’Anna | andresantanna@zipmail.com.br | IP: 200.162.17.226
Por favor, pelo amor de Deus, deixe eu aparecer no seu blog, eu imploro. Sem aparecer no0 seu blog, eu jamais conseguirei uma editora para publicar meus livros. Covarde.

Não é Spam — Set 5, 2:10 PM — [ Ver artigo ]

#

André Sant’Anna | andresantanna@zipmail.com.br | IP: 200.162.17.226
Sujeito de fibra esse Bruno. Sai atacando todo mundo, mas não aguenta alguém que o encare. Bundão, você não tem a menor dignidade. Já tentou trabalhar como censor. É uma profissão perfeita para alguém tão covarde como você. Bundão, covarde, medroso, recalcado, ninguém… Você não vale nada. Vocie nunca fez nada e fica tirando onda com a cara dos outros. Covarde, covarde, covarde, covarde…

Não é Spam — Set 5, 2:09 PM — [ Ver artigo ]

#
André Sant’Anna | andresantanna@zipmail.com.br | IP: 200.162.17.226
Rá rá rá rá rá rá… Covarde. Pros seus leitores, você disfarça. Mas continuo dizendo, você e eu sabemos quem é de meia pataca aqui. não faço a menor questão de aparecer no seu blogue. mas que você é covarde, é. Só bate quando o adversário está amarrado. Você é muito bundão, mesmo.

Não é Spam — Set 5, 2:05 PM — [ Ver artigo ]

#

André Sant’Anna | andresantanna@zipmail.com.br | IP: 200.162.17.226
Nós dois sabemos, mané…

Não é Spam — Set 5, 1:59 PM — [ Ver artigo ]

#

André Sant’Anna | andresantanna@zipmail.com.br | IP: 200.162.17.226
Que engraçado. Ninguém comentou este post tão polêmico. Ou será que o paladino da tradição está apagando os comentários que recebe para não ter que enfrentar gente mais inteligente do que ele?

Não é Spam — Set 5, 1:58 PM — [ Ver artigo ]

#

André Sant’Anna | andresantanna@zipmail.com.br | IP: 200.162.17.226
rá rá rá rá rá rá rá rá etc..

Não é Spam — Set 5, 1:54 PM — [ Ver artigo ]

#
André Sant’Anna | andresantanna@zipmail.com.br | IP: 200.162.17.226
Cara, que falta de dignidade. Você é um verme, um vermezinho, um vermezinhozinho… Não tens vergonha na cara, não? Desse jeito, nem na Veja você arruma uma boquinha. Está com medo de mim? Covardão.

Não é Spam — Set 5, 1:52 PM — [ Ver artigo ]

#
André Sant’Anna | andresantanna@zipmail.com.br | IP: 200.162.17.226
Você é mesmo muito mais importante do que todos os convidados para a Bienal. Aliás, você é o troço mais importante da crítica literária brasileira. Pena que não tenha idéias próprias, nem talento, nem inteligência. Que asco!

Não é Spam — Set 5, 1:47 PM — [ Ver artigo ]

Dedé Sant’Anna diz que não sou importante, mas me confere uma importância tremenda. Não quero ser importante para Dedé Sant’Anna e para gente igual a Dedé Sant’Anna. Se Dedé Sant’Anna dedicasse o tempo que me dedica para tentar melhorar sua literatura talvez, e muito talvez, seria menos pior do que efetivamente é como escritor.

10 comments

Ainda a teoria das elites: na roda, Ortega y Gasset e Raymond Aron

Garschagen, meu nobre, nada de sangue, o negócio é a meritocracia, ok?

Além de Vilredo Pareto que cito no post anterior, a teoria das elites tem entre seus formuladores consagrados o também italiano Gaetano Mosca e o alemão Robert Michels. Outros europeus fundamentais no desenvolvimento do estudo e análise da teoria das elites foram os excelentes Ortega y Gasset e Raymond Aron, além de Giovani Sartori, Ralf Dahrendorf, Karl Manheim e Maurice Duverger.

Gasset, em A rebelião das massas, você sabe, chamava de nobre o indivíduo que se destacava da massa anônima. Pelo talento, estaria ele inserido na minoria excelente, cuja capacidade individualizada não se transmitia pela hereditariedade. O espanhol via como degenerada a atribuição da nobreza à hereditariedade, ao sangue etcetera.

Aron desenvolveu uma crítica liberal à teoria das elites, que competiriam, numa sociedade democrática, pela preferência dos eleitores. Segundo ele, a sociedade nos moldes da União Soviética tinha uma elite unificada enquanto a ocidental tinha uma elite dividida, residindo aí a diferença fundamental, diferença essa que, no caso dos soviéticos, impediria a circulação das elites, mantendo no poder os piores.

1 comment

« Página AnteriorPróxima Página »