Bruno Tolentino é o nosso maior poeta? Claro que é!

No dia 16, recebi a seguinte mensagem do leitor Roberto Schneider:
Garschagen,
O Bruno Tolentino é realmente um bom poeta, concordo.
Mas o melhor poeta da língua portuguesa? Afirmação muito, muito duvidosa. Penso que o senhor está repetindo o que disse Olavo de Carvalho, sem refletir sobre o assunto.
A lista de autores superiores a Tolentino é imensa, cito aqui só alguns (em uma ordem aleatória): Bandeira, Drummond, Cabral, Murilo Mendes, Jorge de Lima, Mário Faustino, Ferreira Gullar. Defendo até que Paulo Henriques Britto é melhor do que Tolentino, mas a coisa ai fica mais difícil, “dá pressão”, como diriam as crianças.
Contra os outros citados, a briga “não dá pressão” nenhuma, pense bem, não dá.
E olhe que nem considerei a pletora de poetas que tivemos antes do modernismo, só para comparar Tolentino com aqueles de seu tempo.
Sinceramente, acredito que o senhor defende esse status da obra de Tolentino somente por conta dos posicionamentos do poeta sobre política e cultura, que podem ser até muito certos (outra história) mas não o fazem o melhor-dos-nossos-poetas.
Abraço.
Não só acho como tenho certeza de que Tolentino é o maior poeta que tivemos. O maior poeta brasileiro. Gosto de Bandeira, Drummond, Cabral, Murilo Mendes, Mário Faustino, assim como João Cabral, que, com certeza, estão entre os nossos maiores, e uma pequena parte da obra de Ferreira Gullar, que não está entre os grandes. E é por ter lido esses e outros não citados, como o grande Olavo Bilac, que insisto na grandiosidade de Tolentino. É claro que uma escolha pessoal e idiossincrática como a minha não tem qualquer valor que não seja para mim ou para aqueles que, lendo o que escrevi, cotejem as obras e constatem, como eu, a magnitude de Tolentino, que aplicava seu gênio numa poesia que tinha não só ambição, mas uma bem-sucedida construção temática e formal.
Há duas considerações a fazer sobre o comentário do leitor: sempre reflito sobre o que eu escrevo. Se há uma concordância entre o que escrevi e o que pensa Olavo de Carvalho, a honra é minha. E sempre que eu ler e concordar com algo que o Olavo escreva direi aqui, sem problemas, como já fiz várias. Nunca me escondo nas opiniões de quem admiro. Dou o crédito sempre. Quando se trata de pessoas que respeito, a honra de fazê-lo é sempre minha.
Se o leitor acha Paulo Henriques Britto “melhor do que Tolentino”, não é problema de gosto, mas de conseguir identificar entre o grande poeta e o poeta menor, algo que só se consegue com muita leitura e uma percepção nata para tal, como o sujeito que nasce para ser tenor. Não há nada de duvidoso em minha afirmação. Não tenho dúvida do que afirmo. Sendo assim, é melhor mesmo o leitor continuar resistindo à pressão, como diriam as crianças.
No comments yet. Be the first.
Leave a reply