Adultos, envelheçam os jovens!

No Estadão:
Pesquisa de fôlego sobre ser jovem na metrópole
Obra da editora Terceiro Nome terá lançamento hoje na Ação Educativa
A reunião de ‘Japas e Manos’ na estação Conceição do metrô, a dieta vegetariana e sem álcool dos Straight Edges, a balada dedicada ao Senhor. Jovens na Metrópole - Etnografias de Circuitos de Lazer, Encontro e Sociabilidade, que será lançado hoje, contempla e analisa expressões, atitudes e opções de vida escolhidas pela juventude que atualmente vive na grande São Paulo. A obra é fruto do mais recente trabalho do Núcleo de Antropologia Urbana (NAU) da Universidade de São Paulo e foi organizado pelo professor José Guilherme Cantor Magnani e Bruna Mantese de Souza, autora da pesquisa sobre os Straight Edges.
‘Percebemos que a maioria das pesquisas atuais que vínhamos desenvolvendo envolviam a temática da juventude e pensamos em que reuni-las em um livro’, conta Bruna. O NAU existe desde 1988 e é dedicado ao aprofundamento de questões relacionadas à antropologia urbana. ‘Nosso próximo trabalho falará da relação dos deficientes auditivos na metrópole’, conta Magnani.
Durante o processo de pesquisa, os alunos do núcleo procuram seguir orientações básicas como, por exemplo, a forma com que essas tribos se organizam e se relacionam com a metrópole. ‘Assim todos os textos foram fundamentados sobre uma mesma metodologia’, diz o professor, que sempre convida um aluno para ajudar na organização da obra. ‘É um olhar de jovens sobre outros jovens.’
Quando leio sobre pesquisa desse tipo penso para quê servem pesquisas desse tipo. Por qual razão estudar tanto essa horda bárbara juvenil se a fase adulta e a velhice são mais duradouras e importantes? Há sentido? É impossível chegar para um jovem e sugerir-lhe a receita de Nelson Rodrigues para que envelheçam logo. Eles não entenderiam. O ideal seria pedir que os adultos envelhecessem logo os jovens, como uísque em barril de carvalho. Tenho dito.
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