Ainda a teoria das elites: na roda, Ortega y Gasset e Raymond Aron
Além de Vilredo Pareto que cito no post anterior, a teoria das elites tem entre seus formuladores consagrados o também italiano Gaetano Mosca e o alemão Robert Michels. Outros europeus fundamentais no desenvolvimento do estudo e análise da teoria das elites foram os excelentes Ortega y Gasset e Raymond Aron, além de Giovani Sartori, Ralf Dahrendorf, Karl Manheim e Maurice Duverger.
Gasset, em A rebelião das massas, você sabe, chamava de nobre o indivíduo que se destacava da massa anônima. Pelo talento, estaria ele inserido na minoria excelente, cuja capacidade individualizada não se transmitia pela hereditariedade. O espanhol via como degenerada a atribuição da nobreza à hereditariedade, ao sangue etcetera.
Aron desenvolveu uma crítica liberal à teoria das elites, que competiriam, numa sociedade democrática, pela preferência dos eleitores. Segundo ele, a sociedade nos moldes da União Soviética tinha uma elite unificada enquanto a ocidental tinha uma elite dividida, residindo aí a diferença fundamental, diferença essa que, no caso dos soviéticos, impediria a circulação das elites, mantendo no poder os piores.
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Acho a tese do Ortega y Gasset fantástica porque ele foi beber em fonte antiga, no Bhagavad-Gita, ele parte de um conceito chamado “varna”, que são as classes que mais tarde viriam a se tornar castas justamente por levarem em conta a hereditariedade.
No Bhagavad-Gita (4.13) diz assim:
“catur varnyam maya sristam / guna karma vibhagasah”
“as quatro classes (de uma sociedade) surgem conforme a qualidade e a atividade (do sujeito).”