Chega de vanguarda! A originalidade é antitética à novidade

Escritores brasileiros contemporâneos, ao terem suas obras criticadas, reagem de três formas:
1) Atacam o crítico (os mais agressivos cobram que o crítico tenha livro lançado);
2) Justificam a má literatura pela incompreensão do crítico;
3) Dizem que a literatura que fazem é de vanguarda, novinha em folha.
Vou me ater à terceira desculpa. Há uma tara de novos escritores em querer fazer o novo. Repetem, sem saber, a ladainha dos concretistas, que fizeram, sim, algo novo, mas que não valia uma rosca frita. Os concretistas, aliás, corromperam a frase de Confúcio, celebrada por Ezra Pound, a “make it new”, conceituando-a por “fazer o novo”, não por renovar (a explicação me foi dada pelo amigo Pedro).
É possível, nessa altura do campeonato, fazer algo novo na literatura? Algo que rompa a tradição? Digo mais: é possível esperar esse algo novo de escritores medianos? Há uma prepcupação quase insana por tentar escrever obras-primas. Tem gente que se acha disso no primeiro livro. A maioria dos escritores acalenta o sonho, mesmo que escondido no banheiro, de entrar para o panteão literário. Nada de mau quando isso não vira obsessão improdutiva.
Por que não tentar escrever bem, lapidar o que escreve, esperar o tempo de maturação, guardar textos na gaveta, voltar a eles tempos depois, analisá-lo de novo, lapidá-lo, reescrevê-lo de se for preciso. Por que essa sanha de querer ser publicado? De querer ser o mais jovem escritor da literatura pátria. Se houve um tempo no qual escritores transformavam suas doenças do corpo, mentais e psíquicas em boa literatura, vemos hoje escritores adoecendo a literatura para conseguir celebração, coquetéis, viagens, resenhas nos jornais, quem sabe até uma foto em Caras.
A literatura, a rigor, não precisa ser nova, precisa ser renovada, revigorada, ser original. Não está certo George Steiner?
Arte, música e literatura significativas não são novas, como são, como se esforçam por ser, as notícias dadas pelo jornalismo. A originalidade é antitética à novidade. A etimologia da palavra alerta-nos. Fala de “início” e de “instauração” de um regresso, em substância e em forma, ao início. Diretamente relacionadas com a sua originalidade e com a sua força de inovação espiritual-formal, as invenções estéticas são “arcaicas”. Trazem em si o pulsar de uma fonte distante.
Dá vontade de colocar esses maus escritores ajoelhados no milho e mandá-los, em seguida, escrever mil vezes esse trecho no quadro negro.
10 Comments so far
Leave a reply
[…] leia este post do […]
Já dizia Valéry que originalidade e intensidade não são os melhores critérios para a Arte.
Bruno, ao ler seu texto me veio à cabeça uma observação do Milton Hatoum quando questionado sobre o grande espaço de tempo entre os lançamentos de seus livros. Ele respondeu que “já há livros demais por aí” e que não valia a pena lançar mais um sem ter absoluta convicção da qualidade da obra. É óbvio que no caso dele essa convicção vem acompanhada de uma auto-crítica séria, pois todos os seus livros são excelentes. O que não é o caso da maioria esmagadora dos escritores “muderninhos”.
Mas Bruno, o contrário também não é verdade? Por que esperar sempre uma obra-prima lapidada? Ao invés disso por que não seguir a lógica de Beckett: “No matter. Try Again. Fail again. Fail better”? Falhar, mas dizer. E melhorar. Claro que há uma obsessão em ganhar o Nobel ao escrever a primeira frase de um conto, mas há também os que estão tentando, falhando e tentando novamente.
Aprecio muito o George Steiner, esta citação é do livro Gramáticas da Criação? E sobre o assunto, pois bem, as pessoas deveriam saber que um processo intelectual-artístico começa pela ‘mimese’.
Excelente post!
Errou de novo, Bruno. Eu escrvi livros, você me atacou pessoalmente em seu site. Me mandou vender laranjas, me mandou voltar atrás, mas não fez uma crítica sequer ao meu trabalho. Você colocou na internet textos meus e disse: Olhe como é ruim. Quero ver se você é capaz de fazer uma crítica ao meu trabalho. Segundo: jamais reclamei de qualquer crítica a coisas que eu escrevo, mas não posso admitir que alguém que não me conhece venha me dizer o que penso, como reajo a críticas etc.. Terceiro: jamais falei que sou de vangurada (no Rascunho, usei os termos que pseudos-críticos como o jerônimo Teixeira se utilizam para se referir aos “jovens” autores. Aliás, obrigado pelo “jovem”. Você é reacionário e facistóide como o Paulo Francis. Só que o Paulo Francis, além de ter produzido uma obra, era um careta inteligente.
Andre Sant´Anna, qualquer um que leia o seu texto conclui imediatamente pela mediocridade do mesmo, não seria, como não é, necessária qualquer crítica ou análise. O Bruno não fez mais que o necessário: expor o texto à leitura, o resto ficou por conta dos leitores do blog, que concorreram a uma só voz pra dizer que a sua prosa é uma BOSTA. Fique bem claro isto: ou você aprende a escrever ou deve mesmo vender laranja.
[…] Post 1 & Post 2. […]
qual é seu email, para mandar um livro.