Archive for Setembro, 2007

Garschagen fora do ar temporariamente

Está sendo impossível, neste momento de mudanças, inclusive de país, tocar o blogue como eu vinha fazendo. Não conseguir atualizá-lo a contento tem me deixado frustrado, mas, agora, não há o que fazer a não ser pedir a sua compreensão, caros leitora e leitor. Este blogue, então, entra em recesso. Assim que eu estiver instalado em Portugal volto a postar com a mesma alegria e indignação de sempre. Você me espera, né? Enquanto não volto, pode se servir à vontade do uísque. Abraços carinhosos a todos que visitam esta casa.

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Garschagen atarefado hoje

Hoje, infelizmente, é impossível escrever algo para o blogue. Pena. Vida que segue.

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“Tropa de elite, osso duro de roer…”

Na Folha:

Vale a pena ver de novo

Sucesso no mercado de DVDs piratas antes de estrear, o filme brasileiro “Tropa de Elite” tem hoje sua primeira sessão oficial para o público, na abertura do Festival do Rio

Interpretando policiais, os atores Caio Junqueira, André Ramiro e Milhem Cortaz carregam corpo de homem fuzilado em tiroteio com a polícia numa favela carioca, em cena de “Tropa de Elite’

SILVANA ARANTES
DA REPORTAGEM LOCAL

A primeira exibição pública do longa brasileiro “Tropa de Elite”, de José Padilha, na abertura do Festival do Rio, hoje, é “uma pré-estréia entre aspas”, conforme define o diretor.

Previsto para chegar aos cinemas no próximo dia 12, o filme tem uma versão preliminar sendo vendida em cópias piratas em diversas capitais brasileiras desde agosto. É o primeiro vazamento de um longa nacional para o mercado pirata com tamanha antecedência à sua estréia nos cinemas de que se tem registro no Brasil.

Não entendi como essa versão pirata chegou tão rápido nos camelôs do país. O fato é que assisti e o filme é muitíssimo bom. É bem produzido, roteirizado, dirigido e interpretado. Se puder, não perca.

PS: Outro livro que merece filmagem é Abusado, de Caco Barcelos, sobre o tráfico no Morro Dona Marta, em Botafogo, no Rio.

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A mentira agrada mais do que a verdade?

O que dizer sobre Renan Calheiros dizendo que o país acredita em sua inocência? Erasmo de Roterdã, em O elogio da loucura, vaticinou: “O espírito do homem é feito de maneira que lhe agrada muito mais a mentira do que a verdade”. É o caso, é o caso. Renan, que não deve ter lido Erasmo, é o tipo identificado por Erasmo.

Anatole France, em A vida em flor, disse que, “sem a mentira, a humanidade pereceria de desespero e de tédio”. Renan, bom moço que é, leva o aforismo às últimas conseqüências, com receio, talvez, de fazer o Senado perecer em desespero e tédio. Compreensível. Renan dá a mão, sem saber, a Rosseau, o pai do totalitarismo político, para quem “proferir afirmações falsas só é mentir quando existe intenção de enganar, e mesmo essa intenção, longe de se aliar sempre a de prejudicar, tem por vezes um objetivo oposto”. Mas o mesmo Rosseau advertia a dificuldade e raridade de uma mentira ser perfeitamente inocente. É o caso, é o caso.

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Como apreciar a poesia, segundo Mr. Bean, digo, T. S. Eliot

Seguindo a discussão sobre poesia, reproduzo do ensaio De Poe a Valéry, de T. S. Eliot, o seguinte trecho:

A aprendizagem da apreciação da poesia

T. S. Eliot

Pode-se dizer que toda a poesia parte das emoções experimentadas pelos seres humanos nas relações consigo próprios, uns com os outros, com entes divinos e com o mundo à sua volta; por isso, ocupa-se também do pensamento e da acção que a emoção provoca, e de que a emoção resulta. Todavia, por mais primitiva que seja a fase de expressão e de apreciação, a função da poesia nunca pode ser unicamente despertar estas mesmas emoções no auditório do poeta.

Na poesia mais primitiva, ou na fruição mais rudimentar da poesia, a atenção do ouvinte dirige-se para o assunto; o efeito da arte poética sente-se sem o ouvinte estar totalmente cônscio desta arte. Com o desenvolvimento da consciência da linguagem há outra fase em que o ouvinte, que pode nessa altura ter-se transformado no leitor, está consciente de um duplo interesse numa história por si própria e no modo como é contada: isto é, torna-se consciente do estilo. Então podemos sentir deleite na discriminação entre os modos como diferentes poetas tratarão o mesmo assunto; uma apreciação que não é simplesmente de melhor ou pior, mas de diferenças entre estilos que são igualmente admirados. Numa terceira fase de desenvolvimento, o assunto pode recuar para último plano: em vez de ser o propósito do poema, torna-se simplesmente um meio necessário para a realização do poema. Nessa fase, o leitor ou o ouvinte pode tornar-se quase tão indiferente ao assunto como o ouvinte primitivo era indiferente ao estilo. Uma completa inconsciência ou indiferença ao estilo no início ou ao assunto no fim levar-nos-ia, contudo, totalmente para fora dos limites da poesia: porque uma completa inconsciência de qualquer coisa excepto do assunto quereria dizer que, para esse ouvinte, a poesia ainda não aparecera; uma completa inconsciência de qualquer coisa excepto do estilo, quereria dizer que a poesia desaparecera.

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Aristóteles estava certo: nem todo verso é poesia

A respeito do post Letra de música NÃO é poesia!, recebi o seguinte comentário de Antonio Miranda:

Meu caro Bruno,
não vou entrar na polêmica, até porque não fui convidado. Por certo, o que tinha a dizer, já disse (ou escrevi). A questão agora é outra, como insinuei ao final da crônica: e o que é então poesia? Várias pessoas me escreveram dando “suas” (deles) opiniões. Respeitáveis mas discutíveis como a sua invectiva: “algumas letras de música são poéticas, mas não são poemas.’ Válvula de escape… Não dá para dizer sim nem não… Ou seja são “poéticas” no sentido adjetivos mas não seriam “poemas” no sentido substantivo. E daí?
Antonio Miranda

Um amigo me contou uma conversa que teve com um sujeito que, lá pelas tantas, para não se mostrar vencido na discussão sobre caráter e moral, soltou essa pérola: “Mas o que é um homem de bem para você?” Meu amigo agiu rápido: “Se você não sabe o que é um homem de bem, então, rapaz, não há como ter diálogo”.

Lembrei dessa história ao reler o texto de Antonio Miranda e seu comentário neste blogue. Se ele não sabe o que é poesia, como pode querer entrar no debate? É claro que dá para afirmar categoricamente que letra de música não é poesia. Ele diz que minha frase “algumas letras de música são poéticas, mas não são poemas” é uma válvula de escape. Não há escape. Afirmei e repito: letra de música não é poesia. O fato de algumas letras terem elementos poéticos não quer dizer que são poemas. Válvula de escape é dizer que “não dá para dizer sim nem não”.

Algumas letras têm versos, mas só ter versos não as transformam em poemas. Aristóteles já afirmava que nem todo verso é poesia. Como exemplo, tomava as obras de Homero e Empedocles, ambas escritas com métrica, que era o único ponto em comum, pois Homero fez poesia e Empedocles, um tratado de ciências natural escrito em versos.

Numa letra de música você pode encontrar alguns elementos de poesia, como ritmo, ou rima, ou sonoridade, ou sintaxe, ou métrica, mas você nunca verá numa letra todos esses elementos mais o significado, que é um elemento importante de um poema. Reunindo esses elementos, o poeta constrói imagens, expressa sentimentos, dissemina idéias, e o melhor poema é o que consegue transmiti-los. E o fato de transmitir algumas dessas idéias não transforma o letrista em poeta, a letra em poesia. Wilson Martins, num de seus achados intelectuais, disse “que o verso não foi dado por acréscimo a muitos que receberam o sentimento da poesia”. É comum o vulgo ver numa letra e num letrista esse sentimento de que fala Martins, mas daí o sentimento, em letra, ser convertido em poema…

Thibaudet foi preciso: há poetas apenas por escreverem versos, não escrevem versos por serem poetas. É possível dizer que todos esses compositores/letristas saudados como poetas são poetas apenas por escreverem um simulacro de poesia, mas não são poetas por não escreverem poesia.

Como já observou T. S. Eliot num ensaio sobre Pound, a música da poesia é mais próxima da retórica, a arte do orador, do que do instrumento. “Palavras são talvez os mais duros de todo o material da arte: porque elas devem ser usadas para expressar beleza visual e beleza sonora, como também comunicar uma declaração gramatical”.

Um poema pode ser usado como letra de música, como a conhecidíssima Rosa de Hiroshima, de Vinicius de Moraes, mas uma letra de música, feita com essa finalidade, nunca será um poema.

PS: O assunto não se esgota. Voltarei.

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Está difícil, mas volto sempre

Hoje também não vai dar para postar aqui a contento. Cada dia mais percebo que uma mudança de país deve ser planejada com um ano de antecedência. E que é imprescindível a cada indivíduo uma placa de internet móvel com serviço a preço módico. Tenho comentários de leitores a responder e prazos de trabalhos fora daqui a cumprir. Até sair do Brasil e me instalar em Portugal o trabalho no blogue fica prejudicado. Mas volto sempre, ok? Não me abandone.

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Sumiu, sumiu?

A seção de links sumiu há mais de um mês e eu não faço idéia de como recolocá-la. Shit!

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Governo espanhol coloca na internet preciosidades bibliográficas

No El Pais:

El Gobierno abre a Internet el acceso al patrimonio bibliográfico español

Los facsímiles digitales de casi un millar de manuscritos y libros de bibliotecas públicas pueden consultarse en la Red

EFE - Madrid - 18/09/2007

Los facsímiles digitales de valiosas colecciones de casi un millar de manuscritos y libros impresos conservados en bibliotecas públicas del Estado pueden consultarse ya en Internet con la puesta en marcha de la Biblioteca Virtual del Patrimonio Bibliográfico.

“Es el resultado de un importante esfuerzo para preservar y difundir de la manera más amplia el patrimonio depositado en todo tipo de biblioteca de España”, ha explicado hoy el ministro de Cultura, César Antonio Molina, en la presentación de la iniciativa. En este proyecto cooperan bibliotecas de diferentes Comunidades Autónomas. La Biblioteca Virtual del Patrimonio Bibliográfico reúne en la dirección http://bvpb.mcu.es 250.000 páginas de casi mil manuscritos e impresos con imágenes que se pueden descargar o consultar por autor, título, fecha o época de escritura o impresión, en cualquiera de las lenguas oficiales españolas y en inglés, un acervo al que se añadirán otras 400.000 páginas a lo largo de este año.

Un patrimonio poco conocido

Se trata, según Molina, de un patrimonio “no tan conocido como debería” y que describe “siglo tras siglo diferentes aspectos de la cultura, la vida, la técnica y la historia del libro, este ser vivo que acompaña al hombre”. Entre las colecciones disponibles hasta ahora están los fondos del Monasterio de Santa María de Huerta, custodiado en la Biblioteca Pública de Soria, y los de los Monasterios de Santes Creus y Poblet, de la Biblioteca Pública de Tarragona, con piezas que se remontan a los siglos X y XI, entre manuscritos iluminados y musicales, Biblias y relatos de milagros.

Se han seleccionado además documentos de la colección Borbón-Lorenzana de la Biblioteca de Castilla-La Mancha/Biblioteca Pública de Toledo, que reúnen manuscritos e impresos vinculados a la actividad del Cardenal Lorenzana en el arzobispado de México, e incunables e impresos de la colección luliana de la Biblioteca Pública de Palma.

Según el ministro, el nuevo proyecto no sólo se ajusta “a los estándares más avanzados” utilizados en iniciativas de este tipo, elaboradas con archivos de acceso abierto y mecanismos que facilitan su visibilidad en los buscadores de Internet, sino que además contribuye a la construcción de la Biblioteca Digital Europea.

É uma bela notícia, pois não? Basta clicar aqui.

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O escritor do país com imposto por flatulência animal

Se minha careca falasse...

No Estadão:

Salvação pela palavra

Finalista do Booker Prize, o autor neozelandês Lloyd Jones retrata, em O Sr. Pip, as esperanças de um povo em guerra

Ubiratan Brasil

O assombro ainda não abandonou o escritor neozelandês Lloyd Jones. Desde que seu livro O Sr. Pip tornou-se o azarão entre os finalistas do Man Booker Prize deste ano, ele não vive sossegado - a obra já foi traduzida para várias línguas e sua agenda vive carregada de entrevistas. “Nunca imaginei, por exemplo, que teria leitores no Brasil”, disse ele ao Estado, em entrevista realizada por telefone desde Berlim, onde participa de um curso para escritores.

A razão é a singeleza com que retrata a força das palavras em uma comunidade do Atlântico Sul amedrontada pela luta armada. O livro, que ganha agora uma versão nacional pela Rocco (272 páginas, R$ 34), é narrado do ponto de vista de Matilda, uma menina de 13 anos que, como os demais habitantes da ilha de Bougainville, sofre com as graves conseqüências de uma guerra civil, no início da década de 1990.

Todos os brancos deixam a ilha, exceto um, Mr. Watts, ou Olho Arregalado, como todos o chamam. Homem misterioso e excêntrico, um terço mais alto que qualquer habitante da ilha, ele decide retomar a educação das crianças e, para isso, promove a leitura de Grandes Esperanças, clássico de Charles Dickens, cuja prosa original é rica em símbolos. As palavras, de fato, encantam os alunos, em especial aquelas que retratam as aventuras do personagem principal conhecido como Sr. Pip. E Matilda aprende a sonhar com uma vida melhor e a possuir suas próprias esperanças.

Em pouco tempo, o impacto da leitura e o bom entrosamento de Olho Arregalado com as crianças mobilizam a comunidade, que se divide entre os simpáticos à causa e os invejosos. O que o professor não poderia esperar era que a fama de Sr. Pip também chamasse a atenção dos “peles-vermelhas”, invasores que travam uma guerra suja contra os rebeldes locais, apelidados de “rambos”. Todos querem saber, afinal, quem é o perigoso e subversivo Sr. Pip.

“O processo de transformação dessas pessoas é que o mais me interessava retratar”, conta Lloyd Jones, que disputa o Booker Prize com o britânico Ian McEwan, favorito por Na Praia (Companhia das Letras). Concorrem também a britânica Nicola Barker (Darkmans); a irlandesa Anne Enright (The Gathering); o paquistanês Mohsin Hamid (The Reluctant Fundamentalist); e anglo-indiana Indra Sinha (Animal’s People). O resultado será divulgado no dia 16 de outubro.

Alguém aí já leu o homem? Você sabe, a Nova Zelândia é o país do imposto por flatulência animal e do carneiro com sete patas, logo…

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