IMPRESSIONANTE: Músico diz “xô satanás!” para projeto com dinheiro público

Quase caí da cadeira hoje de manhã ao ler essa nota da coluna Gente Boa, em O Globo:
Tem Lei Rouanet? Estou fora
Músico pede para sair de espetáculo com incentivo fiscal
O músico Zé Rodrix, um dos diretores do espetáculo “Rei lagarto”, sobre a vida de Jim Morrison, pediu demissão. Tomou a decisão ao ler, em Gente Boa, que a peça, com estréia marcada para outubro, teria fundos da Lei Rouanet. Ele enviou o seguinte e-mail aos produtores:
“Acabo de descobrir exatamente nos detalhes desta notícia que não vou mais participar do projeto. Vocês conhecem a minha opinião sobre Renúncia Fiscal e Leis de Incentivo. Enquanto isto era um empreendimento privado, no máximo com os patrocínios e os apoios diretos de empresas que se associariam ao empreendimento, eu estava dentro. Infelizmente, ao entrar na jogada da Lei Rouanet, MiniCul etc., ele se torna impossível para mim.
Não acredito que o dinheiro de TODOS deva servir para patrocinar a aventura pessoal de ALGUNS, e, quando isto se configura, eu saio fora. Investimento deve ser feito com dinheiro real que não prejudique o essencial do país. Impostos devem ter fim específico, e os sustento da arte não é, a mer ver, uma destas essencialidades. Sempre fui um artista que não se privilegiou de nenhum tipo de ligação com estados e governos, em nome de minha própria liberdade. Assim sendo, há que haver em mim algum respeito pelas coisas em que eu acredito. Se entrar nisto, estare negando tudo que é a minha maneira de ser, pensar e agir. No Brasil de hoje, precisamos de investidores conscientes, e não, segundo minha maneira de ver a realidade, de utilizar de maneira equivocada o dinheiro público.
Desejo ao pessoal da produção o máximo de sorte e sucesso possíveis, e sei que serão muito felizes, graças à qualidade artística de todos os envolvidos”.
Nunca tinha ouvido falar em Zé Rodrix e já virei fã do sujeito (muito embora, pela minha pesquisa, nunca irei ouvir o que ele compôs). É preciso ter muito colhão para sair de um trabalho nesses tempos bicudos e uma coragem exemplar para apontar razões dessa ordem. O meio artístico é conhecido por ter uma massa que está sempre em busca de uma boquinha no serviço público para se arranjar ou de um edital para financiar suas “aventuras pessoais” (gostei muito dessa expressão, eheheh!).
Espalhe essa mensagem do Rodrix como exemplo de caráter do artista honesto que mantém princípios.
14 Comments so far
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Bravo!!!! Aplausos de pé para uma atitude ao mesmo tempo tão correta e infelizmente tão fora de moda no nosso Brasil.
Vou até procurar meu cd “Sá, Rodrix & Guarabira” e ouvir em loop hoje. Que alegria.
Bruno, fala sério: você nunca ouviu, nem na voz da Elis Regina, o clássico: “Eu quero uma casa no campo, onde eu possa compor muitos rocks rurais / E tenha somente a certeza dos amigos do peito e nada mais…”
Nunca ouviu: “Soy Latino Americano, e nunca me engano, e nunca me engano…”?
Isso é Zé Rodrix. E essa atitude do Zé, agora, não surpreende a quem vem acompanhando a carreira do cara. Falando nisso, você também já deve ter ouvido trocentos jingles publicitários, alguns clássicos (como o do Chevrolet: “Meu coração bate mais alto dentro de um Chevrolet…”), de autoria do seu, do meu, do nosso José Rodrigues, o Zé Rodrix. E tem mais história (muita), mas não cabe aqui.
Corre atrás (eMule taí pra isso), e divirta-se!
Abraço,
Alex
Obrigado. Republicarei a notícia no meu blog, apesar de não encontrar a fonte no jornal.
Alexandre,
não conheço essas músicas que você citou não. Aliás, não gosto de Elis Regina. E essa do Chevrolet, certamente eu dvo tê-la escutado, mas não lembro. Mas é bom saber que o Rodrix sempre teve essa postura. Obrigado pelas dicas e abração.
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Kosher-X, a nota foi publicada na coluna Gente Boa que fica no Segundo Caderno de O Globo. Abração.
O Alex tirou as palavras de minha boca: pensei que “Casa no Campo” fosse conhecida por todo mundo, mas, como você já respondeu que não conhece a música, vi que me enganei. Talvez todo mundo com mais de 35 anos conheça, né? Pois é…
E, também como Alex, não me surpreendi com a atitude do Zé Rodrix; só fiquei bem feliz.
Salvo engano meu, o dinheiro da lei Rouanet é dinheiro que deixa de ser arrecadado pelo fisco, é renúncia fiscal. É verba que não chega a entrar nos cofres públicos, dinheiro da empresa mesma que investiu no projeto “cultural”; mas nós aqui o tratamos como se já fosse dinheiro público, pois ele TERIA IDO para o fisco se não fosse investido no projeto.
Se vemos a verba privada que DEIXA DE IR para o fisco como se fosse dinheiro público perdido, já estamos de fato pensando feito socialistas, não estamos? Como se fosse direito legítimo do Estado haver aquela quantia que ele pretendia extorquir da empresa. E na verdade o que leis como essa permitem é que o tributado se livre do intermediário inepto, a Receita, e gaste logo a verba extorquida (que, afinal, é dele) num projeto de sua escolha — como deveria acontecer desde sempre.
Ou assim me parece.
Gulherme,
O problema maior aí não é se a grana ia ou não se tornar pública, mas o fato de o estado se eximir da tomada de decisão de quem deve receber apoio, e de quanto deve receber. Fica muito fácil transferir essa responsabilidade para as empresas privadas: por um lado o governo agrada os empresários - que podem ver suas marcas atreladas a quem bem entenderem, obviamente comprometendo a liberdade criativa de quem entra no páreo pela verba -, e por outro lado, o estado simplesmente acaba por não discutir seriamente os critérios de uma justa e eficaz política cultural.
É como vejo.
Alice, obrigado, era exatamente o que eu queria dizer. ^^
Que noticia sensacional, ja virei fa do cara.
Adolfo
Zé Rodrix lavou minha alma, e salvou meu fim de semana com essa atitude. Além de ser autor de “Mestre Jonas”, minha música brasileira favorita, mostrou ser uma pessoa coerente.
Essa posição do Zé Rodrix é pura hipocrisia. Concordo com o comentário do Leela (”Depois de ser o maior “jingleiro” chapa-branca na época da ditadura ele resolve virar (de público) o cocho onde se alimentou por anos…”).
O dinheiro da Lei Rouanet não é público, mas uma parcela do IRenda que a empresa pode OPTAR por investir em cultura. Este dinheiro possibilita que vários grupos de arte popular se façam conhecidos, bem como espetáculos maravilhosos, idem… O “Porto Alegre em Cena”, originado e iniciado com esta verba hoje é uma realidade maravilhosa, que possibilita que milhares de pessoas assistam a peças com preços… populares!!! R$10,00 para assistir “Big em Bombay” é o que?!?!?! Além disso, não é fácil conseguir esta verba: de cada 1.000 projetos aprovados, 2 % recebem dinheiro. É um processo longo e desgastante. Acho que o Sr. Zé Rodrix (que tem músicas lindas) usou a fraca memória das pessoas para dar uma de “Joãozinho do passo-certo”… Não colou…
Show! ele é mesmo show! Aliás,para quem não gosta de seu estilo de música, conheçam um de seus filhos O Raphael, procurando por DJ RAFA CORREIA ou RAPHAEL CORREIA/NATAL-RN , vcs podem conhecer o trabalho dele, ele é fisioterapeuta, cursando universidade de Direito, músico multi instrumentista(assim como o pai) e um dos 10 top djs do Brasil da atualidade já tendo tocado com ícones da cena eletrônica mundial assim como Paul Van Dik, Tiësto e Armin Van Buuren. Já morou em New York e em Londres, onde teve a oportunidade de ser DJ residente do pub mais badalado, frequentado por Madonna, e há 4 anos participa do Ministry of Sound (Ibiza) e WMC-Winter Music Conference e Ultra (EUA), os maiores eventos de música eletrônica do mundo. o cara não brinca de ser dj, tá no sangue assim como o empreendodirismo também herdado do pai, Raphael é empresário e trás os melhores e maiores eventos dessa cidade- Natal-RN. Esse fim de semana abriu o show de chiclete com banana em Miami,ao deixar o palco, o público pediu bis várias vezes.Apesar de ser DJ de música eletrônica, ele tem a MPB no sangue e na alma, um de seus melhores projetos é o que ele toca com Jubileu, saxofonista potiguar.Eu sou prima dele.
Sinceramente, gostaria que a Sra. Camille Correia, que escreveu em Março 26th, 2008 1:40 pm, citasse um jingle chapa-branca composto por Zé Rodrix.