Uma nota de despedida
Hoje deixei o Rio. Foi meu último dia numa cidade onde me senti acolhido durante quatro anos e meio. Fiz pouquíssimos e valorosos amigos. Levo comigo um pedaço bom da cidade e tento achar que deixo alguma lembrança no coração dos meus.
A última semana na cidade foi gozada. Cada lugar e pessoa que eu olhava, cada aroma inspirado, cada calçada caminhada eram toques de despedida sem mágoa, tristeza, desolação. Carrego na alma a eterna condição de sujeito deslocado, sem raízes que me façam sangrar na despedida.
Nos últimos dias o apartamento onde morei durante três anos e meio mudara de cheiro. Não era mais meu. Eu já andava, sorria e falava como o ex-morador que acena na despedida com olhos sempre voltados para o horizonte; olhos que já miram o atlântico.
Após uma semana de resoluções cansativas cedo ao ócio e me dou o fim de semana de folga. Espero que você entenda e volte aqui na segunda.
Bom fim de semana meu caro amigo leitor.
10 Comments so far
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Fiz pouquíssimos e valorosos amigos.
É impressão minha ou qualquer forasteiro de respeito sempre tem problemas com isso?
Só para complementar.
Eu também estou indo embora da cidade. Meus amigos daqui ou já foram ou estão em vias de. Agosto foi um mês infeliz pros cariocas. Perderam o Joel e a gente também. Daqui a pouco não sobra nada!
Hehehhehehe
L.
Não sei porque mas já estou sentindo saudade do Rio por você. Tenho acompanhado sua ” trabalheira” passo a passo- vale a pena - como diz o poeta ” caminhos se faz andando”. Ande, ande sempre, mas não deixe de postar aqui.
Fernando De Lellis
Rapaz,essa sensação de estar sempre no limbo é boa por esse lado, mudanças sempre são tranquilas.
Eu completei um mês na facul.Fora o meu arroz meio quiemado de todo dia, grande parte das coisas estão sendo boas!!
Ó..boa sorte pra vc em Portugal,viu !!!
Felicidades em sua nova fase de vida. Espero que você faça valorosos amigos em maiores quantidades daqui pra frente.
Nem me fale! Sei bem o que é essa despedida (e olha que foi pra perto - São Paulo). Ainda hoje sinto um aperto no peito quando vejo o Redentor. E na hora de voltar pro trabalho, deixar o Rio é sempre uma despedida de cores, sons e sabores que conheço bem. Se o avião (quando ainda era possível ir e vir sempre de avião) decola e segue pela orla, meu Deus!!! lá vou eu contando as ruas, vendo as casas e prédios dos amigos, os lugares favoritos…enfim, a cidade lá do alto se torna uma espécie de livro tantas vezes lido da minha própria vida.
Sucesso e felicidades em outras terras!
Continue escrevendo de lá pois seus textos são muito bons.
para os que deixou no Rio, a saudade já chegou. mas um pouco desse jeito garschagen fica conosco. sucesso, menino, em qualquer solo ou idioma! nos esbarraremos em algum canto do mundo. nem que seja pelas palavras…
Bruno, conheci este blog há pouco tempo e, posso garantir, é uma das coisas mais interessantes que já encontrei na internet. Espero que, em Portugal, você consiga manter a periodicidade que nos é usual. Grande abraço. E boa sorte na empreitada, ora pois.
Nada, absolutamente nada a ver, mas lembrei de você quando vi isto: http://home.bway.net/hunger/ulysses.html
Finalmente li meu primeiro James Joyce.
E, ah, segui seu conselho e comprei o Portrait (além de ter comprado aquela peça dele, não lembro o nome). Terminando o D. Quixote e As Mil e Uma Noites passo pra eles.
E, só pra não ficar tão off-topic, do Rio pra onde, Bruno? Tem água de coco fresca aonde você vai ou quando eu vier aqui terei que beber naquelas caixinhas de longa-vida?
Abraços, boa sorte na nova cidade.
meu caro,
de tanta a paixão que sai por todos os poros… como a canção da mexicana Lila Downs “con el alma en la boca y la sangre caliente en le corazón”.
ao contrario após inúmeras mudanças pelo mundo a fora..sempre sangra o meu coração
Nos falamos.
beijo grande e um sorriso.