De museus e iPods

Toc! Toc! Toc! Tem alguém aí?

Gosto de museu. Mas não consigo passar muito tempo olhando tudo. Começo a ficar tonto com tanta informação. Prefiro freqüentá-lo de forma moderada, cada dia visitando uma das salas, um pavimento, e por aí vai. Por isso, gostei tanto do artigo de Nelson Ascher, hoje na Folha (assinante), em que ele também celebra o iPod como símbolo da civilidade, o que sempre defendi:

Visita ao museu

NELSON ASCHER

UMA DAS vantagens de não ser crítico ou historiador de arte é poder retornar inocentemente, por puro prazer, a museus como o Metropolitan de Nova York. O não-especialista pode, ao contrário do profissional, ir direto a uma tela favorita de Van Eyck, visitar em seguida o pátio espanhol ou o templo egípcio, deter-se diante de vitrais medievais, admirar armamentos renascentistas e assim por diante, sem ter que dar satisfação a ninguém, nem à sua consciência. Ou seja, para um leigo como eu, museus são antes um espaço de liberdade e prazer.

É claro que, quanto mais se saiba a respeito das obras a serem vistas, mais intenso e concentrado é o prazer que elas nos oferecem. É por isso que, depois de visitar longamente alguma instituição assim, eu novamente prometo pôr em dia minha leitura acerca, digamos, do maneirismo ou do impressionismo e juro que, tão logo volte para casa, vou também terminar os livros do Gombrich, do Panofsky, ou mergulhar na biografia do Goya publicada recentemente pelo Robert Hughes.

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