Caminhando e cantando e não seguindo a canção

N’O Globo:
Vigor a toda prova
Livro e filme examinam os 70 anos da UNE, e mostram a força do movimento estudantil brasileiro
Mauro Ventura
Pagar meia no cinema e entrar de graça em ônibus são conquistas - ou comodidades, segundo os críticos - facilmente associadas à União Nacional dos Estudantes (UNE). Mas a entidade tem um histórico de lutas que trasncende em muito o alívio ao bolso estudantil.
No livro “Memórias estudantis 1937-2007: da fundação da UNE aos nossos dias” (Ediouro), a historiadora Maria Paula de Araújo examina 70 anos de militância e revê o papel dos estudantes.
Sem gozação, acho bom que se estude esse período, até para apontar quem realmente se envolveu e trabalhou pelos estudantes e quem estava lá para transformar Brasil em Cuba. E seria ótimo se o estudo examinasse como a UNE tornou-se o picadeiro dos aspirantes à política, antes e depois, e mostrar quem eram e se mantiveram profissionais da, digamos assim, causa.
Pelo que leio na reportagem, não será dessa vez. O que parece importar para a historiadora Maria Paula de Araújo, coordenadora do núcleo de história oral da UFRJ “Memória de esquerda”, é tão somente exaltar a figura do estudante, às favas o exame criterioso. É uma escolha, tudo bem, mas que não venda peixe estragado por lebre com saúde de vaca premiada.
Mais um livro para deixar de ser lido.
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