Pitacos sobre o mercado editorial

Olha a laranja! Olha a laranja! Até a casca é dociiiiiiiiiiiiiiiiiinha!

Matéria extensa na Folha sobre o movimento do mercado editorial brasileiro:

Mercado de livro cresce e pressiona por profissionalização das editoras

Aumento de vendas e faturamento reflete incremento da competição; Ediouro, que pretende abrir capital, lidera aquisições

MARCOS STRECKER
ENVIADO ESPECIAL AO RIO

Depois de uma década de incertezas, o mercado editorial dá sinais de ter voltado a crescer de maneira mais firme. É o que vai revelar a mais recente pesquisa conjunta do Snel (Sindicato Nacional dos Editores de Livros) e da CBL (Câmara Brasileira do Livro), a ser divulgada nos próximos dias. Alguns números do levantamento foram adiantados à Folha por Paulo Rocco, presidente do sindicato que reúne editoras do país.

A pesquisa aponta um aumento do faturamento total das empresas de R$ 2,572 bilhões para um número próximo de R$ 3 bilhões, que reflete também um aumento das aquisições por programas governamentais. Mas o aumento foi de fato “puxado” pelo mercado. Em obras gerais (excluindo didáticos, religiosos e técnicos), houve um acréscimo de 9,51% no faturamento e um aumento no número de exemplares vendidos de 4,68%.

A discussão sobre o tema é interessante e há um aspecto em especial que me intriga: como aumentar a base de leitores sem depender da boquinha, para usar um efemismo, das compras do governo? Talvez a falta de perspectiva de um crescimento significativo do número de consumidores explique a compra e aglutinação de selos sob um único guarda-chuva. Uma empresa maior com vários selos consegue se sustentar no negócio de forma muito mais fácil do que uma com número limitado de assuntos para oferecer ao leitor. Agora tem esse negócio de não termos dados confiáveis números de vendas, faturamento ou lucro pelo fato de as empresas serem de capital fechado, e, por causa disso, não serem obrigadas a divulgar essas informações.

Por outro lado, impressiona o exemplo de empreitada bem-sucedida da Sextante:

Editoras familiares lutam por renovação

Sextante foi fundada pelo filho de José Olympio e já vendeu mais de 1,4 milhão de exemplares de “O Código Da Vinci”

“Escreveram uma vez que éramos uma editora nova para não-leitores. Recebemos isso como um elogio”, diz Marcos Pereira

DO ENVIADO ESPECIAL AO RIO

(…)

O exemplo mais vistoso desse “renascimento” é a Sextante, “pequena grande editora” fundada em 1998 que provocou uma reviravolta no segmento de auto-ajuda. Dos 30 livros da lista de mais vendidos da Folha desta semana, incluindo ficção e não-ficção, sete são da Sextante. O sucesso não veio por acaso. Dr. Geraldo (Geraldo Jordão Pereira), o patriarca da editora, é filho de José Olympio, um dos nomes formadores do mercado brasileiro.

O mais famoso best-seller da casa é “O Código Da Vinci”, que já vendeu 1,333 milhão de exemplares (1,477 milhão, levando em conta a edição ilustrada). E isso mesmo com o “sucesso desastroso” do filme com Tom Hanks, que “matou” o fenômeno editorial (depois da adaptação, as vendas do livro de Dan Brown despencaram em todo o mundo). Outro sucesso da casa, “O Monge e o Executivo”, completa na próxima semana a marca de 1,5 milhão de exemplares vendidos.

Mas o sucesso veio com esse tipo de literatura, o que, em termos de cultura highbrow, que é o que nos interessa, não tem a menor relevância. E quem acredita que a pessoa que leu O Monge e o Executivo vai chegar a Dostoiévski, meu filho, é dessas que ainda acredita em Papai Noel, não é mesmo?

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