Aquecimento global é o Marquês de Rabicó de Al Gore

A geógrafa francesa Yvette Veyret, ora, ora, cujo livro Os riscos – o homem como agressor e vítima do meio ambiente está sendo lançado no Brasil, concede entrevista lúcida ao Prosa & Verso de hoje. Não sei se Yvette é politicamente alinhada, mas o fato é que ela não cai nas teorias apocalípticas do fim do mundo e ainda denuncia a burrice da imprensa de propagar o discurso científico dominante, que nem sempre é o correto:
Como vê o papel da mídia no processo de amplificação das catástrofes?
Ocupam um lugar muito importante, pois o catastrofismo faz vender. (…) Em geral, a mídia retoma o que é dito, ou seja, o discurso dominante, e eu nunca sei muito bem a quem servem esses discursos catastrofistas.
Sobre o aquecimento global (um amigo pretende imprimir camisas com o singelo slogan: “Foda-se o aquecimento global”), Yvette é honesta e cientificamente exigente:
O que achou do relatório sobre mudanças climáticas?
O grupo sobre mudanças climáticas funciona a partir de modelos insuficientes, que não levam em conta a complexidade da natureza. Fazem cenários sistematicamente apocalípticos, sem apontar a margem de erro possível. Além disso, é muito difícil dizer que todo o planeta se aquecerá. O sistema climático atual é bem mais complicado que isso. As zonas climáticas não se aquecerão todas da mesma forma.Há, portanto, muita incerteza, da qual não se fala a importância, o que é uma pena. Isso evitaria os discursos sistematicamente apocalípticos. Finalmente, prevêem-se tantas coisas dramáticas que as pessoas não acreditam em mais nada (GARSCHAGEN: mais que seja diferente do quadro futuro de caos). É certo que vivemos num mundo de superficie limitada, com população numerosa e é preciso ser vigilante na gestão do planeta, no uso de recursos, na administração dos perigos. Mas tenho um otimismo moderado. Já encontramos muitas soluções quando foram realmente necessárias.
Diante disso, num momento completamente Ruy Goiaba, só tenho uma coisa a dizer: Al, enfia o dedo no Gore e rasga!
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