Archive for Junho, 2007

Leituras do dia

Nada na Folha, no Estadão, n’O Globo.

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Schumpeter neles!

Schumpeter, veja bem, não é o Smigle do Senhor dos Anéis. Pensando bem...

Tenho certeza de que vocês, caros leitora e leitor, conhecem Joseph Alois Schumpeter (1883-1950). Não? Pensem um pouquinho, force a memória. Ainda não? Ok, vamos lá: foi o economista austríaco que bolou a teoria segundo a qual o desenvolvimento do capitalismo dependia do estímulo ao surgimento dos empreendedores, de capitalistas extremamente criativos que garantiam as ondas de prosperidade do sistema. Fácil assim? Sim, sim.

O Rio tem um conhecido passado de efervescência intelectual e literária que virou uma nota no pé da página da história. Mudou o mundo, mudaram as pessoas, mudou a cidade. Para pior. E isso nada tem a ver com saudosismo. Não sou daqueles que glorificam o passado para justificar o mau presente. E nem acho que, no todo, a sociedade fosse muito melhor em suas idiossincrasias e burrices. Mas os talentos individuais que se formaram e se destacaram não deixam dúvidas do imenso abismo que se formou entre o que vivemos agora e o que foi vivido.

Atualmente, a coisa ainda está um pouco melhor. Sinto que estamos num importante período de transição, com muita gente boa se formando e trabalhando em silêncio. São esses indivíduos que daqui a alguns anos ou décadas vão se destacar. Não é exercício de futurologia. É o reconhecimento prévio de alguns talentos que podem ou não vingar ¾ e torço para que vinguem.

É uma grande bobagem esperar ou defender a retomada ou repetição de momentos históricos. E Schumpeter com isso? A cultura de um lugar, como o capitalismo, só se desenvolve com o estímulo ao surgimento de empreendedores, em nosso caso, de empreendedores intelectuais. Criar um ambiente estimulante ajuda na formação dos indivíduos e aglutina os interessados, formando uma corrente importante e necessária.

A cultura do Rio não precisa, essencialmente, de gênios, embora eles sejam necessários como referências. Precisa de gente esforçada, intelectualmente honesta, abnegada e que tenham sempre os olhos voltados para as ilimitadas possibilidades do intelecto. Sinto que muitos que aqui moram acreditam com uma devoção insuspeita e, por isso mesmo, trágica, que a cidade se basta e o que se produziu está de bom tamanho. Não está.

Tem muita gente já se organizando, debatendo, se movimentando, mas, na maioria dos casos, percebo que uma fatia grande sonha mesmo é virar capa do Prosa & Verso, de O Globo. Lamentável. Schumpeter neles!

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Um amigo, um escocês, uma conversa frívola

Esta semana que nem acabou foi emocionalmente pesadíssima. Primeiro, a morte de meu amigo Marco, depois, do Tolentino, num espaço de dois dias. Este blog e vocês que me visitaram me salvaram, podem acreditar.

Hoje deixarei esta casa mais cedo. Um grande amigo está no Rio e vou encontrá-lo para apreciarmos um bom malte escocês e conversar, conversa frívola, como fazem todos os homens de bem. Agradeço a todas as mensagens e comentários que recebi por conta da homenagem ao Bruno Tolentino, cuja obra vale cada sacrifício e abnegação intelectual.

Boa noite, meus caros. Amanhã, aqui.

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Olavo encontra Tolentino

Uma homenagem curta e grandiosa do filósofo Olavo de Carvalho a Bruno Tolentino:

Bruno Tolentino (1940-2007)

Bruno Tolentino morreu hoje, às 9 h 30 A.M., no Hospital Emílio Ribas, em São Paulo. Foi o maior poeta da língua portuguesa desde Camões e, para mim e minha família, um amigo querido, ao qual devemos inumeráveis horas de alegria que ficarão para sempre em nossos corações. Tudo o que penso dele, neste momento, assume a forma desta velha canção dos soldados espanhóis, “La Muerte No Es El Final”.

PS: Foi o maior poeta da língua portuguesa desde Camões, sem dúvida, sem dúvida. A bela música “La Muerte No Es El Final” pode ser ouvida no site do filósofo.

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Como os jornais trataram Tolentino?

Reproduzo os obituários publicados em O Globo e na Folha (não tenho acesso ao Estadão, se alguém tiver e puder me enviar o texto, agradeço imensamente). Comento logo depois dos textos:

O Globo:

Bruno Tolentino, poeta, 66 anos

O poeta Bruno Tolentino teve uma vida incomum. A seus amigos, contava peripécias tão espetaculares, como as que teriam envolvido sua prisão em Dartmoor, conhecida como Ilha do Diabo, na Grã-Bretanha, em 1987, que chegava a confundi-los: nunca se sabia se eram histórias verdadeiras ou inventadas. O poeta Ferreira Gullar, que muito admira sua obra, afirma que Tolentino possuía o que é fundamental a um bom e verdadeiro poeta: personalidade, “esta maneira própria de ver e sentir, do contrário não se consegue inventar essa coisa que se chama poema”. Um dos traços marcantes desta “personalidade”, além do talento ilusionista, de mitômano, era o de polemista. Tolentino enfrentou contendas famosas, por exemplo com os irmãos Campos e Caetano Veloso (a quem chamou de “Goethe de Santo Amaro da Badalação”). Mas, como lembra o também poeta Ivan Junqueira, que o viu pela última vez em 2005, quando era presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), tratava-se sobretudo um grande artista:

- O Brasil perdeu um poeta de muito talento. Tolentino tinha um dom versificatório que rarissamente eu vi na minha vida. Era um prestidigitador. Dominava uma técnica do verso que não encontro em nenhum poeta brasileiro da contemporaneidade. Era um virtuoso. Tinha muita facilidade espantosa para versejar, inclusive para fazer quadrinhas ferinas sobre seus inimigos - afirma Junqueira.

Em 1964, Tolentino partiu para o auto-exílio na Europa, onde viveu 30 anos, quando conta ter convivido com Ungaretti, Yves Bonnefoy e W. H. Auden - de quem dizia ter sido grande amigo e a quem sucedeu, em 1973, na direção da Oxford Poetry Now. Foi tradutor e intérprete junto à Comunidade Econômica Européia, e professor em Bristol e Essex.

Suas críticas à situação cultural do país foram sintetizadas numa entrevista a “Veja” 1996: “O Brasil que eu conheci, e do qual me recordo vivamente, era um país de grande vivacidade intelectual (…). Quero saber quem seqüestrou a inteligência brasileira. Quero o meu país de volta”. Em “Os sapos de ontem” (1995) reuniu uma série de poemas em que satiriza seus inimigos.

Tolentino, que nasceu no Rio em 12 de novembro de 1940, e é um dos finalistas deste ano do Prêmio Jabuti com “A imitação do amanhecer”. Já ganhou o Jabuti por “O Mundo como Idéia”, em 2003, e por “As horas de Katharina”, em 1995, no qual narra a biografia de uma freira que se encaminha para a santidade. Outro importante livro seu é “Balada do cárcere”, inspirado na experiência da prisão em Dartmoor, obra que recebeu o Prêmio Cruz e Souza em 1996. Tolentino fora acusado de traficar drogas, mas o governo inglês o perdoou, reconhecendo ter cometido uma injustiça. Recebeu dois prêmios da ABL, entre eles o Antonio Ermírio de Moraes.

Era sobrinho de Lúcia Miguel Pereira, ilustre biógrafa de Machado de Assis, e primo de Antonio Candido. Tolentino, que tinha Aids e já superara um câncer, morreu ontem em São Paulo, aos 66 anos, de falência múltipla de órgãos, no Hospital Emílio Ribas. Será enterrado hoje, em São Paulo, às 9h, no Cemitério do Santíssimo Sacramento. Deixa um filho, fruto da união com a francesa Martine Gracieuse Elizabeth.

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Na Folha (assinante):

Morre o poeta carioca Bruno Tolentino, 66

Vencedor de dois prêmios Jabuti, intelectual publicou em inglês e francês e ficou conhecido no país como polemista

Tolentino negava a tradição modernista de concisão e coloquialidade, adotando formas clássicas para tratar de temas contemporâneos

DA REPORTAGEM LOCAL

Vencedor de dois prêmios Jabuti e eleito intelectual do ano de 2003 pela Academia Brasileira de Letras, o poeta carioca Bruno Tolentino morreu ontem, em São Paulo, aos 66 anos. Segundo o boletim emitido pelo Hospital Emílio Ribas, onde ele estava internado havia um mês, a causa da morte foi falência múltipla dos órgãos.

Nos últimos cinco anos de vida, Tolentino publicou dois livros: “O Mundo como Idéia” e “A Imitação do Amanhecer”. No primeiro, desenvolvido ao longo de 40 anos, Tolentino se debruçou sobre uma filosofia da forma.

Já “A Imitação do Amanhecer” dramatiza, numa história contada em 538 sonetos alexandrinos, as obsessões que permearam sua vida como poeta. Por ele, Tolentino foi indicado neste ano entre os finalistas ao 49º Prêmio Jabuti.

Conservador, Tolentino fazia por meio de poesia uma crítica às pretensões modernas de compreensão total e racional do mundo.

Nascido em 12 de novembro de 1940, Bruno Lúcio de Carvalho Tolentino Sobrinho conviveu desde de criança com os grandes nomes da intelectualidade brasileira, entre eles Cecília Meirelles, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto.
Na década de 60, saiu do Brasil e, posteriormente, ensinou literatura em Oxford e Bristol, no Reino Unido. Assumiu a direção da editora de poesia Oxford Poetry Now em 1973. Ainda na Europa, o poeta publicou “Le Vrai le Vain” (Actuels) e “About the Hunt” (OPN).

No Brasil, Tolentino lançou, entre outros livros, “Anulação & Outros Reparos” (Topbooks), “As Horas de Katharina (Companhia das Letras) e “Os Deuses de Hoje” (Record). Foi agraciado com os prêmios Jabuti 1995, Cruz e Souza 1996 e Abgar Renault 1997. “O Mundo como Idéia”, lançado pela editora Globo em 2002, recebeu os prêmios Jabuti e Ermírio de Moraes. O poeta foi elogiado por W.H. Auden e Saint-John Perse, entre outros.

Polêmico
Tolentino era um conhecido polemista. Em 1994, o poeta fez, no jornal “O Estado de S. Paulo”, críticas à tradução feita pelo concretista Augusto de Campos de um poema de Hart Crane (1899-1932), publicada no suplemento “Mais!”, da Folha. Em 1996, depois de morar 30 anos fora do Brasil, manifestou em entrevista à revista “Veja” sua preocupação por ver o filho mais novo estudando em escolas que ensinavam as obras de letristas da MPB -como Caetano Veloso- ao lado de Machado de Assis, Camões e Fernando Pessoa. “É preciso botar os pingos nos is. Cada macaco no seu galho, e o galho de Caetano é o showbiz. Por mais poético que seja, é entretenimento. E entretenimento não é cultura.”

O filósofo Olavo de Carvalho, seu amigo e aliado nas polêmicas, afirma que Tolentino foi “o maior poeta da língua portuguesa desde Camões”.

“Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto são apenas aprendizes perto dele. Infelizmente a mídia cultural não lhe deu oportunidade de ser o grande professor de literatura de que o Brasil precisa”, declarou.

Para o crítico e colunista da Folha Manuel da Costa Pinto, “Bruno Tolentino conjugava em sua poesia elementos modernos e antimodernos”. “Era antimoderno em relação ao modernismo brasileiro, pois recusava suas soluções formais de coloquialidade e concisão”, diz. Por outro lado, se aproximava de certo modernismo europeu, inglês, que associava formas clássicas à voz das ruas.

Comento:

Os textos publicados em Estadão (que não está reproduzido aqui), Folha e O Globo se fixaram no homem e não na obra. O polemista é realçado convertendo o poeta numa figura menor. Isso, que fique claro, num texto sobre um escritor cuja obra poética, de tão grandiosa, está muitíssimo acima da figura polêmica que se tornou pública, embora o polemista público só tenha sido possível pela inteligência arguta de um intelecto notável.

Quem não conhece a obra de Bruno Tolentino é levado a crer que ele foi tão somente um arrivista que meteu o pau em Caetano Veloso.

Pelo menos, Folha e Estadão deram um bom destaque para os textos, o que não aconteceu em O Globo, onde Tolentino ficou relegado a um canto de página e ganhou um texto em que é chamado de mentiroso no primeiro parágrafo. É…

PS: Não vi TV ontem nem hoje. Alguém sabe se saiu alguma coisa sobre a morte?

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Missa para Bruno Tolentino

Para quem está no Rio, será realizada uma missa hoje, às 17h, na Igreja da Matriz, pela morte do poeta Bruno Tolentino. A Igreja fica na Rua Voluntários da Pátria, quase na esquina da Rua São João Batista. Infelizmente, não poderei ir por causa do trabalho na redação. Mas, de alguma forma, estarei lá.

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Bruno Tolentino e os obituários

Preciso sair agora. Logo mais, comento os obituários a respeito da morte de Bruno Tolentino publicados hoje na chamada grande imprensa. Amigos que foram ao velório ontem disseram que estava tudo muito bonito e organizado, com poucas pessoas, entre amigos e admiradores que nem o conheceram, passando por lá para se despedir do corpo do poeta. Tolentino continua em seus livros.

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Leituras do dia

Na Caderno Dois, do Estadão: (assinante):

Prêmio Portugal Telecom anuncia sua primeira lista

O júri inicial, formado por 240 críticos de todo o Brasil, apontou 51 autores

O poeta Bruno Tolentino, que morreu ontem, foi indicado por seu livro A Imitação do Amanhecer para o prêmio Portugal Telecom de Literatura, que divulgou a lista dos 51 livros indicados pelo júri inicial, formado por 240 críticos que votaram num júri intermediário para escolher os 10 finalistas no dia 27 de agosto. Esse júri intermediário vai definir nesse dia, junto à curadoria do prêmio, os seis jurados entre seus membros que irão compor o júri final para escolher os três vencedores.

Comento:
A imitação do amanhecer, de Bruno Tolentino, está lá, merecidamente, e só não leva se os jurados não entenderem absolutamente nada de poesia.

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Na categoria romance brasileiro concorrem o colunista do Estado, Ignácio de Loyola Brandão (A Altura e a Largura do Nada), Luiz Vilela (Bóris e Dóris), Adriana Lunardi (Corpo Estranho), Luiz Alfredo Garcia-Roza (Espinosa sem Saída), Teixeira Coelho (História Natural da Ditadura), Daniel Galera (Mãos de Cavalo), Santiago Nazarian (Mastigando Humanos - Um Romance Psicodélico), Livia Garcia-Roza (Meu Marido), André Sant’Ana (O Paraíso É Bem Bacana), Michel Laub (O Segundo Tempo), Moacyr Scliar (Os Vendilhões do Templo), Antônio Torres (Pelo Fundo da Agulha), Cíntia Moscovich (Por Que Sou Gorda, Mamãe?), Ana Maria Gonçalves (Um Defeito de Cor) e Luiz Ruffato (Vista Parcial da Noite).

Comento:
Ignácio de Loyola Brandão, Luiz Alfredo Garcia-Roza, André Sant’Ana, Cíntia Moscovich, Santiago Nazarian? Ai, minha Santa Rita do Passa Quatro… Os demais, não li, mas me interessa ler, e já estou providenciando isso, os do Daniel Galera e Luiz Ruffato. Volto a eles em breve.

Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves é um bom livro, superior a Os vendilhões do templo, que também é bom, mas não se iguala.

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Na categoria romance português foram selecionados livros de José Saramago (As Intermitências da Morte), António Lobo Antunes (Boa Tarde às Coisas Aqui Embaixo), Miguel Sousa Tavares (Equador), Gonçalo M. Tavares (Jerusalém) e Helder Macedo (Sem Nome). Dois autores angolanos concorrem: Ondjaki (Bom Dia Camaradas) e José Eduardo Agualusa (O Vendedor de Passados). Moçambique tem apenas Mia Couto (O Outro Pé da Sereia).

Comento:
Ondjaki e Agualusa são bastante superestimados, o que indica que podem ganhar. Mia Couto e António Lobo Antunes, acho, são os mais fortes candidatos. E José Saramago, bem, o que dizer? Uma vez perdida a mão, perdida está.

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Os contistas que disputam o prêmio são Nei Lopes, João Gilberto Noll, Rubens Figueiredo, Jair Ferreira dos Santos, Rubem Fonseca, Dalton Trevisan, Maria Valéria Rezende, Ferrez, Alberto Mussa, Autran Dourado, Joca Reiners Terron e o português Gonçalo M. Tavares. Entre os cronistas escolhidos pelo júri inicial está o colunista do Estado João Ubaldo Ribeiro (A Gente se Acostuma a Tudo).

Comento:
Dalton Trevisan, sem pestanejar. Acredito que nem ganhe, mas fica a torcida. Agora, o que estão fazendo na lista Joca Reiners Terron e Ferrez? Estranho, estranho.

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Na Ilustrada, da Folha:

Agualusa substitui Boyd em mesa na Flip
DA REPORTAGEM LOCAL

O escritor angolano José Eduardo Agualusa substituirá o britânico William Boyd na 5ª Flip, a festa literária de Paraty. Boyd, que cancelou a vinda “por razões pessoais”, segundo os organizadores da festa, debateria sobre ficção e vida itinerante com a indiana Kiran Desai. Em razão da mudança, a Flip aceitará a devolução de ingressos para esta mesa, que ocorre no dia 5/7, às 19h, mas os procedimentos ainda não foram divulgados.

Comento:
Agualusa já é, praticamente, o nosso Aécio Neves. Periga também comprar apartamento no Rio e virar vizinho do mineiro. O escritor angolano virou arroz de festa, e, uma vez virado, lascou-se.

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Amós Oz ganha prêmio na Espanha
DA REPORTAGEM LOCAL

O escritor israelense Amós Oz, 68, recebeu em Oviedo (Espanha) o Prêmio Príncipe de Astúrias das Letras. O júri que definiu a vitória de Oz sobre o outro finalista, o albanês Ismail Kadaré, ressaltou “a denúncia de todas as expressões do fanatismo” realizada pela obra do escritor. Oz disse sentir-se “especialmente honrado” pelo prêmio, por ser “grande admirador da literatura espanhola”. O autor de “Fima” e “A Caixa Preta” vem a Flip, em julho.

Comento:
Tá bom, acho que ele merece o prêmio, mas essa conversa da literatura que salva já deu o que tinha que dar. Coisas como “ressaltou a denúncia de todas as expressões do fanatismo” me faz correr para o sal de frutas.

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N’O Globo:

Uma romancista entre dois mundos

Finalista do Booker Prize, Ahda Soueif vem ao Brasil lançar “O mapa do amor” na Festa Literária de Paraty

Muito antes de livreiros de Cabul ou caçadores de pipa transformarem-se em best-sellers mundiais, a escritora egípcia Ahda Soueif estourou na Inglaterra com “O mapa do amor”, romance que conta a história interligada de três mulheres de nacionalidades diferentes - egípcia, inglesa e americana - em que uma delas, a britânica, nasceu um século antes das outras.

Livro chamado O mapa do amor nem entra na minha casa. Recebo à bala. O livro pode até ser bom, mas, honestamente… Estou exausto. Vamos a outro post.

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Uma nota feliz em meio ao turbilhão

Titio Reinaldo minutos antes de dedetizar petralhas em seu blog.

A nota feliz, ainda de madrugada, foi a generosa referência de Reinaldo Azevedo (de quem sou fã declarado) a este blog por conta da homenagem feita ontem ao Bruno Tolentino. Você viu ? Não? Então, leia:

Blog traz mais sobre Bruno Tolentino

O jornalista Bruno Garschagen, que trabalha no Rio, reuniu em seu blog alguns textos de e sobre Bruno Tolentino. Para visitar o blog, clique aqui. Ali está O Espírito da Letra, um dos poemas de “A Balada do Cárcere”:

Ao pé da letra agora, em minha vida
há a morte e uma mulher… E a letra dela,
a primeira, me busca e me martela
ouvido adentro a mesma despedida

outra vez e outra vez, sempre espremida
entre as vogais do amor… Mas como vê-la
sem exumar uma vez mais a estrela
que há anos-luz se esbate sem saída,

sem prazo de morrer na luz que treme?!
O monstro que eu matei deixou-me a marca
suas pernas abertas ante a Parca

aparecem-me em tudo: é a letra M
a da Medusa que eu amei, a barca
sem amarras, sem remos e sem leme…

Nem preciso dizer o quanto fiquei feliz né?

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Perda irreparável e solidão desoladora

Avancei parte da madrugada relendo poemas de Bruno Tolentino e com uma sensação de perda irreparável, uma solidão desoladora que ruge no pé do ouvido porque se foi um autor cuja obra parece ter sido feita especialmente para mim, e que é grande porque, embora feita especialmente para mim, foi feita especialmente para os meus, conhecidos ou desconhecidos, que estão na mesma trincheira pela excelência, seja intelectual, prazerosa ou amorosa.

É curioso, às vezes, me sentir num gueto, no gueto de pessoas que tem uma relação extraordinária de intimidade com a palavra, e aqui falo somente do desafio e prazer da leitura. Pois o gueto dá a entender uma limitação de espaço, o que parece não existir com o homem médio que conheço, e que você que me lê também conhece. E o homem médio parece ter horizontes mais amplos, porque, a priori, está aberto a tudo, livre das exigências fundamentais para uma existência digna e civilizada.

Mas, repare só, ao conversar com o homem médio vejo que tudo o que ele diz e espera da vida não me interessa, mas eu conheço. Quando eu digo, há uma quebra na comunicação, pois ele não faz idéia do que falo ou ambiciono, e sei que você deve passar por isso também. Comentei com algumas dessas pessoas das duas perdas irreparáveis que tive num intervalo de dois dias. Sobre meu amigo Marco, que morreu na segunda-feira, todos entenderam. Sobre o poeta, que nunca ouviram falar, em silêncio e com olhos reprovadores, acharam uma grandissíssima bobagem. Eu os entendo e os perdôo. A recíproca nunca é verdadeira.

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