Ainda fé, religião e ateísmo

Deus diz a Garschagen: 'é isso aí, meu filho! Adoro o seu blog!

Lembro de evangélicos me dizendo um dia, em algum lugar, que as pessoas chegam a Deus por amor ou pela dor. Para a Igreja, segundo disseram, não importava; o importante era que chegassem. Durante anos acreditei e defendi que religião era coisa de bocó, de gente à toa, que não tinha forças para segurar a barra da própria existência sem se agarrar à alguma muleta espiritual. Mudei de idéia ao ver que a religião, ao contrário do que eu achava, era, sim, verdadeiramente essencial para, talvez, a maioria da população.

O que conheci de gente que deixou de fazer bobagem depois de se dedicar à religião não é brincadeira. Um sujeito que estudou comigo, depois de beber de forma desmedida e chegar a agredir fisicamente a namorada, hoje esposa, só se salvou ao entrar para a Igreja da moça, Batista, se não me falhe a memória. Como não tenho religião, não vai aqui a defesa de nenhuma delas, mas a defesa de sua, digamos, necessidade. E quando digo necessidade, claro, há o aspecto utilitarista e prático, mas há o caráter, muito mais grandioso, da essencialidade, do significado maior que a Igreja tem para os que nela crêem.

Esse debate sobre Deus me interessa muito, assim como o debate sobre religião. Nos dois casos, há o tema da fé, que cruza ambos, com a mesma importância. Pois é, esse negócio da fé é interessante porque raramente inicia um bom debate. Pelo contrário. Foi convertido em argumento para encerrar o debate. “Fé não se discute” é o chavão mais repetido. É claro que nos termos em que é apresentado vira bate-boca de Fla-Flu - cada qual tentando puxar a sardinha para si, como duas focas gays (”Garschagen, há focas gays?” Bem, não sei, mas ficou engraçado, não? Não????? Tá, esqueça…).

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Uma coisa: gosto do Hitchens e do Dawkins, de quem li com prazer O gene egoísta, O relojoeiro cego, O capelão do diabo. Do Hitchens, li entusiasmado Os direitos do homem de Thomas Paine, Amor, pobreza e guerra, e Cartas a um jovem contestador. Só me incomoda no atual momento dos dois, como em qualquer outro intelectual, em qualquer assunto, a postura de quem descobriu a pólvora e sai achando que pode ganhar a guerra. Isso não, violão!

1 Comment so far

  1. Natali B Brust Julho 10th, 2007 6:45 am

    Passei pelo seu blog por acaso. Gostei imensamente. Ainda mais pelo comentário, um tanto elogioso, se me permitir dizer, à respeito dos evangélicos eheheheh Pela parte que me toca…
    Andei argumentando com um ateu sobre as conquistas do Evangelho, que acabou não dando em nada, pois acho que ele está me odiando nessa altura do campeonato eheheh
    Se ler este pequeno comentário prá mim já é o bastante. Se retornar o recado ficarei lisongeada.
    Atenciosamente: Natali Brust

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