Orkutismo, ou a sociedade secreta da grande rede

Sempre esqueço que faço parte do Orkut. Acho isso bom. Só entrei por conta do convite do Alexandre. Há semanas não acessava. Quando finalmente entrei, 66 mensagens me aguardavam serelepes. 99,45% eram de pessoas cujos nomes desconhecia completamente. O que fazer. Xinguei silenciosamente essa invasão, mas como não me emocionar ao ser avisado por um sujeito chamado Feijão de que não posso perder “a próxima e inesquecível feijoada”? Um outro, tentava me vender uma flauta transversal, com manual e tudo, a módicos R$ 2 mil. Pelo menos descobri, após breve pesquisa, o que era uma flauta transversal, algo que, tenho certeza, mudou minha vida de alguma forma.

Uma moça me convidava para entrar numa comunidade em que os homens não podiam usar boné. O que é pior, eram satirizados por isso. Eu, que usei muito boné na adolescência, não soube o que fazer. Até coloquei um boné na cabeça para relembrar a sensação. Talvez essa moça esteja certa, “quem usa boné é mané”. Nem minha idade, cabelos brancos e barba longa parece impor respeito. Até para um tal de Clube do xoxo, para ficar exalando maledicências, fui chamado.

O Orkut é um troço meio estranho mesmo, que se pretende a bar, mas sem o uísque. Alguém sai de casa para conversar sobriamente?

Nacht musik

A única coisa boa em visitar o Orkut foi, paralelamente, encontrar e ouvir “The Well Tempered Clavier Book I”, de Bach, por Glenn Gould.

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