Reencontro
As mãos sujas deixam marcas pela casa, e na velhice um pigarro na alma. O sapato ainda está no mesmo canto, marcado pelas vísceras de um inseto negligente. A poeira abraça os objetos, num sono lerdo e duradouro interrompido por um sopro. Coberta pela neve fina do passado, a foto recupera tons, luzes e lembranças. Todos ali, sorrisos espontâneos a vencer o tempo. As mãos estão trêmulas, a pele abriga precipícios, os lábios perderam agilidade. A voz não é a mesma.
No silêncio solitário e nas tosses involuntárias, o velho sente que as cortinas começam a descerrar. A vista embaçada ainda busca um rosto conhecido na platéia vazia. Nem aplauso nem vaia, apenas os ruídos de uma senhora que dormindo sonhava com a última apresentação.
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