"Marcha soldado, cabeça de papel…"

O povo americano, dizem-me os jornais brasileiros, ficou horrizado com as fotos dos soldados humilhando presos iraquianos. Não acredito. Acho que todo americano médio, o pior tolo entre todos os outros, pensou nessa possibiidade, nessa vontade que todos temos de dar um bico na canela de quem achamos “inferior”. Não bastava rifar Saddam Hussein. Era preciso reconstruir o Iraque. Reconstruir as cabecinhas dos iraquianos, colocar nas cabecinhas dos iraquianos as ideiazinhas dos soldadinhos americanos. Ratátátá.

O que me chocou profundamente foram as duas mulheres rindo entre homens nus. Porque é impossível rir diante de homens nus, a menos que o sujeito tenha menos três parafusos na cabecinha. Diante de homens nus só o que podemos a fazer é lamentar por deus, se é que existe, ter nos criado num dia de mau humor. Ou achá-lo um grande gozador, o que é pior. Se verdadeira a imagem bíblica de que ele nos fez à sua imagem e semelhança, minha nossa senhora, meu nome é Valdemar e nos ferramos bonitinho.

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