Meu olho direito arde. Uma pequena bola de fogo aquece minha pálpebra cansada. Mantê-lo aberto é desconfortável e todas as imagens de um olho ganham sombras do outro. Um incômodo que nasce em algum ponto do estômago, enrijece a respiração, comprime a garganta e sobe a passos pesados até o olho direito. Sinto a voz oscilar trêmula e algumas sílabas engolidas sem querer. Uma conhecida tenta me convencer um médico. Pode ser grave, disse. E nem contei a ela o gosto de sangue que na certa creditaria à gengivite.

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