Emoções demais dão enxaqueca
Lendo esta semana reportagens sobre o processo judicial enfrentado pelo cantor e compositor cachoeirense Roberto Carlos, acusado de plágio na música “O careta”, lembrei da minha sorte em não ter sido o visitante de número 50 mil da casa de cultura que leva o nome do cantor, localizada lá em Cachoeiro de Itapemirim, onde morei até o início de 2003.
Uma vítima, me diz o informativo da prefeitura, foi surpreendida com o alvoroço dos funcionários e com o diretor da casa que sacou o violão como uma pistola e desfiou o rosário, quer dizer, composições do tal rei (“Meu Pequeno Cachoeiro”, “Detalhes” e “Outra Vez”). Eu, que sou cardíaco, não resistiria a tamanha emoção.
O texto do informativo ainda diz que os funcionários ficaram muito emocionados. A emoção também foi a tônica da festa em comemoração ao aniversário de Roberto Carlos neste mês de abril (T. S Eliot estava certo quando em seu Waste land escreveu “abril é o mais cruel dos meses”). A reportagem do jornal local Folha do E. Santo do dia 19 de abril disse que a “cerimônia emocionou os fãs do Rei” e ainda “teve bolo, salgadinhos, refrigerante e muita música (sic)”. Eu, se prefeito, teria cortado o ponto de todo mundo. Fazer festa durante o expediente? Nananinanão.
A reportagem só me deixou intrigado com uma coisa: segundo informações dos funcionários, “dentre os visitantes, estavam presentes fãs de toda parte do país, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, além dos cachoeirenses, que também marcaram presença”. Está certo que Cachoeiro é a capital secreta, coisa e tal, mas não fazer mais parte do Espírito Santo é nova para mim. É, talvez seja até bom.
Outro fato que me deixou bastante emocionado foi a doação da coleção dos discos de vinil do cantor pelo prefeito municipal. Principalmente, pela justificativa do chefe do executivo, que, segundo o informativo do Município, disse ser “impossível ouvir as músicas em aparelhos modernos que só oferecem entrada para CDs e DVDs”. Disse mais: “Fico tranqüilo, sabendo que na Casa de Cultura Roberto Carlos os discos serão conservados”. É, sem aparelhos antigos para ouvi-los só resta mesmo serem conservados. Vocês, leitores, são muito maldosos mesmo. Se eu fosse o prefeito já teria doado essa coleção há muito tempo. Desde antes da invenção dos CDs ou da criação da tal casa.
No comments yet. Be the first.
Leave a reply