Serigrafia, ou a gangue da Pop Art
Warhol, Lichenstein, Jasper Johns, Haring, Basquiat e o resto da gangue exploraram como puderam o “realismo” da Pop Art, a proximidade aos objetos, imagens e reproduções da vida. Para Huyssen, essa atitude “estimulava um novo debate sobre a relação entre arte e vida, imagem e realidade”. Não há dúvidas, mas ao mesmo tempo expunha as vísceras e a fragilidade do que faziam. Claro que a discussão se a Pop Art seria ou não arte não acrescenta mais nada ao debate, pois tornou-se referência para artistas contemporâneos,como se vê na bienal de 2004 do Whitney Museum em Nova Iorque (fundamental para os artistas que querem ser vistos e para o público e crítica conhecer o que está sendo produzido nas artes visuais), cuja inspiração dominante parece ser justamente os anos 60 e 70. O que se deve analisar é o tipo e a extensão da influência dos artistas integrados à Pop Art nas artes e na sociedade.
Se desde o início os pintores Pop desejavam eliminar a histórica separação entre o estético e o não-estético, juntando e reconciliando a arte e a realidade, parece que conseguiram, em parte. Porque a influência na sociedade foi muito maior do que propriamente nos paradigmas da arte. Abalou sim, a relação do público com a arte, a relação do público com os museus, a relação dos novos artistas com a arte. Mas não a arte como substância, como feitura e resistência. Os nomes que ficarão pela qualidade do que fizeram serão, por exemplo, os de Rembrandt, Kandinsky, Monet, Matisse, Miró, Pollock, Portinari, Di Cavalcanti. Andy Warhol e o resto da gangue da Pop Art se manterão nos livros de história mais pelos “abalos sísmicos” que causaram do que pela arte que produziram.
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