Minha barba tem mais pêlos
Como prestar atenção em palavras de tolerância ao olhar no canto da sala a foto do irmão; da esposa; do filho; dos pais; do avô; do amigo; morto num ataque suicida, numa troca de tiros ou num atentado a bombas? Como engolir os cadáveres de todos os próximos que se foram pela disputa de mesquitas, igrejas, muros, chão batido? Não esperemos que sociedades cujas almas estão banhadas pelo sangue fresco dos parentes assassinados acordem um belo dia, abram a janela e chamem para tomar chá os soldados que lhe arrancaram um naco da existência.
Convivência pacífica entre palestinos e israelenses só em Cachoeiro de Itapemirim (é verdade, nas décadas de 1950-60 era possível ver filhos desses imigrantes jogando bola ou pescando juntos no rio Itapemirim). É cruel, mas é o óbvio.
Acreditar nos discursos e argumentos de que a paz no Oriente Médio é possível, diante da extensa folha corrida, soa como agressão ao bom senso. Me faz rir sem achar a mínima graça. E não ter qualquer dúvida da capacidade humana de nunca chegar a um entendimento razoável.
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