Amarcord
Estudante de uma faculdade de jornalismo no Rio. Quer fazer um jornalzinho alternativo dirigido para jovens, coisa e tal. Empolgadíssimo, chama os colegas de turma. “Claro”; “Topo”; “Demorô”; “Será ótimo!”. Convites feitos, convites aceitos, mãos à obra. A porca torce o rabo.
O colega músico consinte em escrever um texto. Uma semana depois:
- Fulano, e aí, o texto?
- Poxa, ainda nada, tô sem idéias…
- Como? Escreve sobre música, qualquer coisa…
- Demorô. Vou fazer.
- Ok. Mande-me por e-mail.
***
Semana seguinte, na faculdade:
- Fulano, e aí?
- Cara, estou idéias na cabeça. Não sei sobre o que escrever. Além do mais, não dá para escrever, assim, na doida.
- Ahn?
- É, tem que achar o vocabulário.
- Não é para seguir o padrão dos grandes jornais. Será um jornalzinho para jovens…
- Mas tem que fazer uma pesquisa, não dá para escrever qualquer coisa.
- Vai num show, ouça um CD e escreva sobre ele, invente alguma coisa, mas escreva o texto, p-e-l-o-a-m-o-r-d-e-d-e-u-s!
- Mesmo assim, escrever sobre qualquer coisa, é preciso fazer uma pesquisa.
- Desisto…
***
Na mesma semana, conversando com uma colega de turma:
- Sicrana, e aí, vai escrever no jornalzinho?
- Vou, claro, sobre moda né?
- É, sim.
- Você poderia fazer a pesquisa para mim?
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